Matéria exibida na sexta-feira no Globo Esporte mostrou que, pelo menos, a maior emissora de TV está de olho nas lambanças que ocorreram em Moça Bonita durante o jogo Bangu x Vasco. A reportagem foi ouvir dois dirigentes, um do Bangu, outro da FFERJ. Escolheu bem, mas ouviu absurdos.
Pelo lado da FFERJ, José Luís Martinelli - esse mesmo senhor de cabelos grisalhos que é o dono dos passes do Tiago Timbó e do Mazza, que levou o Pipico para o Macaé e o Galhardo para o Comercial -, falou e não disse nada de útil. Martinelli está como presidente em exercício da entidade, já que o titular - que todos nós sabemos quem é - está de licença. O titular, com certeza, saberia ser mais convincente.
Pelo lado do Bangu, eis que aparece o advogado Jorge Varela. Em Bangu, todo mundo achava que ele era o presidente do clube, que mandava e desmandava. Varela só aparece como “presidente” na hora do oba-oba, anunciando, sorrindo, dizendo que o estádio está ficando uma beleza, que a Moça Bonita está sendo recauchutada.
Na hora das cobranças, Varela se esconde e avisa para o repórter que é apenas o "gestor de futebol do Bangu". Boa saída. Na realidade, o presidente executivo é o Ângelo Marques, aquele senhor que fica lá na sede social e que tem a obrigação de assinar os balanços anuais. Ângelo nem sabe o que acontece no clube como um todo. Porém, se um dia alguém tiver que ser responsabilizado judicialmente, é o nome dele que fica na reta. Varela é apenas o "gestor do futebol do Bangu". A culpa será sempre do presidente.
Varela não é bobo. Deu uma solução que há muito já é utilizada nos estádios de cidades mais avançadas – como em Curitiba. Cerca-se uma grande área ao redor do estádio e só passa quem mostra o ingresso para o policial. Para o jogo contra o Vasco, Varela não pensou nisso. Pensou agora.
A matéria do Globo Esporte vale ser vista. E foi vista por milhares de pessoas. Varela se livrou, disse que a desordem foi causada por torcedores sem ingressos. A Polícia Militar rebateu, disse que tinha muita gente com ingresso que ficou do lado de fora.
Para se livrar ainda mais, Varela foi além. Disse que sexta-feira, às 15 horas, quem tivesse com o ingresso em mãos poderia comparecer ao estádio, que seria ressarcido. A imprensa não foi até lá ver se era verdade. Mas hoje em dia – e Varela se esqueceu disso – todo mundo tem um celular que filma tudo. E já está no youtube a humilhação pela qual passaram os torcedores, que obviamente não conseguiram qualquer dinheiro. E a imagem do Bangu foi para o brejo de vez.
Nele aparece o Celso Bandeira, braço direito dos dirigentes do Bangu desde 1999, vociferando contra um torcedor do Vasco. Celso também quer mostrar serviço para seus donos. Nessa hora, Varela – o gestor de futebol do Bangu – nem aparece, manda seu servente.
E a credibilidade que o Bangu nunca teve, afunda de vez.
O torcedor reclama, diz que não tem que ir à Federação, que pagou o dinheiro à bilheteria do Bangu. Coitado... mal sabe que toda a cota do Bangu neste jogo foi penhorada, como mostra o borderô da FFERJ.
O Bangu, que ganharia R$ 11.970,89 por perder para o Vasco, ficou sem nada. A Justiça confiscou. Afinal, o Bangu de hoje tem muitos títulos... todos eles protestados na Justiça. Em campo, é o único time do Campeonato que ainda não fez ponto. É a volta do “Bangúltimo”.
Carlos
Molinari
Pesquisador da história do Bangu
Atlético Clube.