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Minha visão mudou: não há como contratar reforços
16/10/2017

Um dos principais assuntos entre os torcedores do Bangu é como o elenco está sendo reforçado para 2018. E, é claro, esta coluna não poderia ficar de fora e dar também sua opinião abalizada, amparada por vários argumentos.

Confesso que ando me norteando pela fala do ex-vice-presidente de futebol do Fluminense, Fernando Veiga, que foi exonerado do cargo após dizer algumas “verdades” sobre o futebol atual:

“A gente não tem dinheiro para pagar salário de R$ 20 mil. Há um mês a gente correu atrás de volante e zagueiros. E jogadores medianos pedindo R$ 200, 300 mil para jogar no Fluminense”.

Craque é caro e é raro. Jogadores medianos, com certa passagem por clubes grandes, pedem realmente fortunas para atuar. E, pelo que sei, o Bangu não está disposto a ultrapassar o limite máximo de 20 mil reais para um atleta. E só ganhará isso se for muito bom. Se não, acaba pegando 5 mil mesmo.

As contratações e as renovações são duvidosas, claro. Não gostei da renovação do volante Igor Guimarães. Um jogador desequilibrado, que faz gol contra no último minuto e na partida seguinte é expulso, elemento principal da eliminação na Série-D, não deveria continuar no elenco. Também não vejo nada demais no Leonardo Jesus que justifique sua permanência. Lateral-esquerdo reserva do Guilherme. Mas, talvez, esses dois tenham aceitado ganhar pouco no Bangu. É a única explicação.

Acho que o Almir, depois da cirurgia, é um jogador em fim de carreira. Passando o tempo, jogando com a experiência e sem a forma física ideal. E o outro meia, o Éberson - que nem a assessoria de imprensa sabia que ele já tinha atuado pelo Bangu em 2002 -, aos 34 anos, também será candidato a frequentar o Departamento Médico. Infelizmente. É barato, mas pode sair caro. Minha equipe teria Rafael Augusto, que é brigador, comprometido, talentoso, ali de volante ou de meia. Seria ele e mais dez.

O jovem Marcos Júnior, que veio do Volta Redonda, é apenas para compor elenco, nenhuma grande promessa.

O regresso do goleiro Célio é uma boa. Célio é 200 vezes melhor que Márcio e é 800 vezes melhor que André Regly. E mesmo assim comete falhas comprometedoras. Mas é o melhor nome até agora divulgado.

Trouxeram de volta o lateral-direito Valdir, é verdade. Dez anos atrás ele foi fundamental na conquista do título da 2ª Divisão, um craque realmente. Mas dez anos são dez anos. Quantas contusões ele já teve nesse período? Um lateral precisa de velocidade, ele ainda tem? E Valdir só foi contratado porque Hudson e Magno Nunes se mostraram uns inúteis nesta posição.

O problema no Bangu é que o presidente não entende de futebol. Qualquer imbecil já percebeu que o time precisa urgentemente de uma zaga confiável e um atacante que faz gols. Eu não confiaria a missão de balançar as redes a Mateus e a Bruno Luiz nunca mais. Falharam totalmente em 2017. Varela é obrigado a se mexer.

Falta muita coisa ainda. Respeito o trabalho do Alfredo Sampaio, acho ele um técnico durão, que sabe moldar uma equipe, mas é preciso ter conteúdo, é preciso ter elenco. E isso o Bangu ainda não tem.

Há um outro problema. Varela ficou decepcionado com o elenco da Série-D. Reclamou que pagou demais para um bando de malandros. Alugou casa para os que vieram de outro estado, pagou TV a cabo, contratou empregada pra cuidar da casa, e a rapaziada só comeu e dormiu. Isso, de certa forma, inviabiliza que jogadores de outros centros do país venham para o Bangu. Esse investimento, Varela não quer mais fazer, embora o próprio Daniel Bueno esteja na reserva do São Caetano (e marcando seus golzinhos) e pudesse voltar a Moça Bonita.

Ano passado, quando havia dinheiro farto da Vivyd Capital Partners, chegaram a trazer um volante mediano do Uruguai, o Damián Eroza. O amigo do Loco Abreu fez apenas seis partidas pelo Bangu e atualmente joga no desconhecido Club Atlético Villa Teresa, de Montevidéu (o que deve equivaler a um Ceres de lá).

Apesar de todos nós termos uma baita má vontade com a diretoria eterna do Bangu (e a diretoria também tem má vontade conosco), a situação é puramente financeira. Não se esqueça que não é só pagar atletas. O futebol profissional gera gastos com tudo, alimentação, hospedagem, concentração, transporte, academia, comissão técnica numerosa (isso é uma praxe do Bangu). E fora isso, neste nosso clube sempre há vazamentos que abreviam os recursos disponíveis e que o Conselho Fiscal, convenientemente, nunca vê.

O Bangu está numa sinuca. Vão aparecer dezenas de opções para preencher elenco. Jogadores fracos que aceitariam qualquer salário. Mas os que poderiam realmente jogar no time titular e desequilibrar uma partida, esses vão pedir valores altos para vestir a camisa do Bangu. E isso, vocês sabem, Varela não vai dar.

Fico com o pensamento do jornal O Globo, de 1º de abril de 1927, a respeito dos jogadores de futebol daqueles tempos. Creiam! O jornal já estava horrorizado com a mercantilização do futebol (que naquela época era para ser estritamente amador):

“Jogavam o football pelo prazer de jogar. Entre brasileiros, já houve muitos, mas que agora vão desaparecendo, tragados por uma onda possante de ambições e de grandezas materiais. (...) Iam enfrentar os adversários sem preocupações de automóveis, nem de jantares garantidos. (...) Agora andam transviados e que, entregues a uma ambição desvairada, convertem num negócio de compras e vendas a obra benemérita de tantos anos”.

 
Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube
     
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