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MOACIR BUENO
Nome: Moacir Bueno
Nascimento: 17/7/1924       31/12/2004
Período: 1943 a 1959
Posição: Atacante
Jogos: 348 (136 v, 62 e, 150 d)
Gols: 178
Expulsões: 1
Estreia: 0 x 0 Vasco, 28/3/1943
Despedida: 2 x 0 Moto Clube, 26/3/1959

        Ele tinha tudo para não dar certo no Bangu. Logo em seu primeiro ano, ainda juvenil, em 1941, arrumou uma briga num treino com o maior craque dos profissionais: o ponta-direita Lula. Era o jovem Moacir Bueno, meros 17 anos, cabeça quente, comportamento que lhe valeu uns sopapos do irmão mais velho de Lula, o meio-campo Nadinho.
         Pode-se dizer que a partir deste incidente começou a carreira de Moacir no Bangu. Em 1942, atuando no ataque dos juvenis, ele tinha muito o que aprender. Perdia gols certos, perdia chances e atrapalhava o ataque. “Ele recebia a bola de costas para o gol. Daí, quando ia virar, já tinha perdido a bola. Foi meu tio Zé Maria que treinou Moacir Bueno para que ele recebesse a bola sempre de frente para o gol” – afirma Manoraldino José Soares, que acompanhou o Bangu dos anos 40 e via no Bangu do século XXI, jogadores com a mesma dificuldade.
          Livre dos erros de posicionamento, Moacir estreou entre os profissionais em 1943. A primeira partida foi no Torneio Início. Apenas 20 minutos e um empate de 0 x 0 contra o Vasco. Na terceira vez que entrou em campo, fez um gol no Fluminense. Gol que seria o de honra, já que o Bangu foi goleado por 6 x 1.
          A partir daí tornou-se o mais perigoso homem de área do Bangu nos anos 40. Durante o Campeonato Carioca de 1943, Moacir aprontou. Chegou a balançar as redes oito vezes em três jogos sucessivos: fez três diante do América, outros três contra o Fluminense e mais dois sobre o São Cristóvão. Naturalmente, ajudou diretamente nas vitórias por 4 x 3, 5 x 3 e 5 x 3, respectivamente. Ao final da primeira temporada, tinha marcado 23 gols, ganho o título do Torneio da Imprensa – um hexagonal interestadual disputado no Rio de Janeiro entre equipes médias – e garantido de vez seu lugar no ataque banguense pelos próximos anos.
            Apesar da fragilidade do time do Bangu nos anos 40 – era alvo fácil de goleadas históricas -, Moacir mantinha sua regularidade e cumpria sua obrigação. Fazia os gols. Em 1946, num jogo contra o Serrano, em Petrópolis, ele foi além da conta: anotou cinco – o que é um recorde individual para qualquer jogador do Bangu.
          No ano seguinte, começou a sofrer assédio de outros clubes. O Vasco estava de olho, o Bangu não soltava o seu craque. Aliás, em 1947, Moacir, por pouco, não foi o artilheiro do Campeonato Carioca. Fez 17. Um a menos que Dimas, do Vasco. Além disso, voltou a marcar cinco gols numa mesma partida, desta vez contra o Canto do Rio, na goleada por 8 a 1.
          Finalmente, a partir de 1948, com o término das obras do estádio de Moça Bonita, o Bangu pode, enfim, investir no time de futebol. Com isso, não precisaria vender o seu melhor atacante e ainda contratou diversos bons valores vindos de Minas Gerais.
          Em 1950, o Bangu melhorou ainda mais com a contratação do craque Zizinho. Moacir – um nome já respeitado dentro do futebol – ganhou de presente a convocação para a Seleção Carioca que iria disputar a primeira partida da história do Maracanã. O jogo no dia 16 de junho, contra a Seleção Paulista, terminou com a vitória dos visitantes por 3 x 1, Moacir entrou no segundo tempo, substituindo Esquerdinha, do América. Mas, passou a se gabar até o fim da vida, que tinha “estreado” o Maracanã.
           No entanto, naquele mesmo ano, pela primeira vez, amargou o banco de reservas. Voltaria ao seu posto de titular em 1951, com a saída do atacante Simões. Participou do famoso combinado Bangu-São Paulo que foi à Europa, que utilizava a defesa paulista e o ataque carioca. Moacir também foi brilhante na campanha que levou o Bangu ao vice-campeonato carioca. Inclusive, em uma partida contra o Olaria, em Moça Bonita, fez os quatro gols da vitória alvirrubra por 4 a 1.
           Jogador de um único clube, continuou em Moça Bonita em 1952, quando passou maior parte da temporada na reserva de Vermelho, mas deu a volta por cima em 1953. Em um jogo contra o Fluminense, no Maracanã, em que o Bangu perdia por 2 x 0 e chegou à virada por 3 x 2, anotou o gol da vitória, aproveitando-se de um passe genial de Zizinho, aos 42 minutos do segundo tempo. Era mais um dia de glória para Moacir.
           No entanto, após dez anos ininterruptos de Bangu, Moacir começou a cansar. Entrava somente em alguns jogos. Teve sua última grande exibição diante do América, quando fez três gols numa goleada por 5 x 1, ainda em 1953.
           Completamente relegado à reserva pelo técnico Tim, entrou em campo apenas três vezes em 1954 e decidiu parar com o futebol aos 30 anos. Em 1955, estava defendendo as cores da Fábrica Bangu, que possuía um time de veteranos que fazia alguns amistosos pelo estado do Rio.
            Seu faro de gols fez com que ele fosse o destaque deste time e chamou a atenção do Patrono Guilherme da Silveira Filho. “Silveirinha” não entendia como um talento como Moacir Bueno não estava à serviço dos profissionais do Bangu. E, no final de 1957, ele foi reintegrado ao elenco.
           O ressurgimento de Moacir Bueno, porém, nunca ocorreu. Ele fez algumas partidas em 1958, sem qualquer sucesso. Em 1959, convocado para uma excursão ao Nordeste, decidiu que encerraria de vez sua carreira ao voltar da turnê.
          Fez sua última partida lá no Maranhão, entrando no segundo tempo, no lugar de Alcides, durante um jogo contra o Moto Clube em que o Bangu venceu por 2 a 0.  
          Com a aposentadoria do artilheiro, o Bangu ganhou um técnico. Ainda em 1959, Moacir recebeu a incumbência de treinar o time de juvenis (antiga denominação do que hoje são os juniores). Com uma equipe valorosa, em que despontavam o goleiro Helinho, o folclórico lateral-direito Neco, o meia Ademir da Guia e o atacante Zé Maria, o Bangu sagrou-se campeão carioca na primeira experiência de Moacir como treinador.
           O sucesso precoce o colocou como um perfeito interino para o time profissional. Assim sendo, assumiu a equipe em diversas oportunidades: em 1960, em 1963, em 1964, em 1970, ao mesmo tempo em que era o eterno responsável pelo desempenho dos juvenis.
           Em 1976 recebeu a incumbência de ser o técnico do time no Campeonato Carioca. Mas o elenco era fraco demais, os resultados não surgiram e ele foi definitivamente demitido. Aliás, como treinador, Moacir Bueno teve um baixíssimo aproveitamento. Em 20 jogos em todas suas passagens pelos profissionais, conseguiu apenas duas vitórias e seis empates.
          Além do Bangu, Moacir treinou também o Campo Grande, o Olympico de Manaus, o Tiradentes do Piauí, o Sampaio Corrêa do Maranhão, o Serrano da Bahia.
         Voltou a morar em Bangu já no final da vida, na mesma casa que ganhou do Patrono Silveirinha quando estava no auge da forma. Doente, vítima do mal de Alzheimer, Moacir passou seus últimos anos perambulando pelas ruas do bairro, pedindo sempre dois reais (nem mais, nem menos) às pessoas que encontrava.
           Carregava nas mãos fotos da época de jogador, e numa repetição incessante apresentava-se como “Moacir Bueno, jogador do Bangu, inaugurei o estádio do Maracanã”. Não raro, também começava a chorar copiosamente.
            Enfim, faleceu no último dia de 2004, sem menções honrosas, sem glórias, sem destaque qualquer da imprensa, o segundo maior artilheiro da história do Bangu, com 178 gols marcados.


Todos os gols de Moacir

América

21

Canto do Rio

17

Bonsucesso

16

São Cristóvão

16

Fluminense

13

Flamengo

12

Madureira

11

Botafogo

8

Vasco

7

Olaria

7

Serrano

5

Portuguesa (SP)

4

Combinado Mineiro

3

Rio Branco (ES)

3

Operário (MG)

3

Caldense (MG)

3

Combinado Carioca

2

Yuracan (MG)

2

Anapolina

2

Universidad Católica

2

Racing (França)

2

Combinado Campista

2

Vitória (BA)

1

Goiânia

1

Portuguesa Santista

1

Ferroviário (PR)

1

Seleção do Chile

1

Anderlecht (Bélgica)

1

Coritiba

1

São Paulo

1

Palmeiras

1

Tupi

1

Atlético Mineiro

1

Ypiranga (BA)

1

Seleção do México

1

Puebla (México)

1

Tampico (México)

1

Sel. Brasileira Juvenil

1

Democrata-GV (MG)

1

 

Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube.
     
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