Rio de Janeiro, sábado, 21 de outubro de 2017 - 19h08min
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1947 - A INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO

Foto: Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos
Uma multidão de banguenses acompanhou a festa de inauguração do estádio, situado na Rua Sul-América

O acontecimento mais importante da história do Bangu na década de 40 foi a inauguração, em 15 de novembro de 1947, de seu novo estádio, construído pela Companhia, recebeu o nome de Estádio Proletário Guilherme da Silveira. Com a construção do estádio ganharam o clube e a fábrica, que recuperou uma área valorizada, bem no centro do bairro, ocupada até então pelo antigo campo.

O dia 15 de novembro foi de festa em Bangu. Uma alegria que não se via desde o título de 1933. Logo às 5 horas da manhã, uma salva de 21 tiros em homenagem aos Drs. Guilherme da Silveira e Guilherme da Silveira Filho acordou a população.

Foto: Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos
Os irmãos Eduardo e Vivi se despedem do campo da Rua Ferrer no dia 15 de novembro de 1947

Às 13:30h, iniciou-se no campo da Rua Ferrer uma partida de futebol entre duas equipes de veteranos do Bangu. Meia hora depois foi a vez do Dr. Guilherme Pastor proferir suas belas palavras, falando sobre as tradições e as glórias do campo e conseqüentemente, do clube. Em seguida, foram retiradas as balisas e arriada a bandeira do Pavilhão pelo Sr. Targino Antônio da Guia, pai dos craques Luiz Antônio, Ladislau, Médio e Domingos.

Depois, foi organizado o desfile rumo ao novo campo, com a participação de diversos ciclistas, banda de música, diretores do Bangu, sócios, veteranos, times infantis, associados de outras agremiações do bairro (como o Casino Bangu, Prazer das Morenas, Ceres), e toda a população banguense que quisesse seguir o cortejo.

Saindo da Av. Cônego de Vasconcelos, passando pela Estação de trem, pela Estrada de Santa Cruz, pela passagem de nível da Rua 12 de Fevereiro, e pela Av. 230 (hoje Av. Ribeiro Dantas) até chegar ao Estádio. 


No momento que o desfile chegou ao mais novo campo do Rio de Janeiro, foram hasteadas as bandeiras do Brasil e do Bangu ao som do hino nacional. Realizou-se uma missa proferida pelo conhecidíssimo Padre Santa Rosa.

Fechando o evento, o Dr. Miguel Pedro, presidente do Bangu em 1935 e 1936, fez um discurso ressaltando a importância da família Silveira para o clube, para o bairro, para a fábrica e para a população.

No fim, jogou-se o 2º tempo da partida dos veteranos, que começaram jogando na Rua Ferrer e terminaram inaugurando o novo estádio, com mais 20 minutos do seu futebol inesquecível.


Foto: Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos
Inauguração do Estádio Proletário no dia da proclamação da República

No início do ano, o Dr. Silveirinha foi eleito pela sexta vez consecutiva, novamente por aclamação dos membros do Conselho Deliberativo, presidente do Bangu.

Em termos de futebol profissional, o ano de 1947 foi desastroso. Sem poder jogar em Bangu, a equipe se arrastou tanto no Torneio Muncipal quanto no Campeonato Carioca.

Chegou-se a especular no retorno de Domingos da Guia, já com 35 anos, mas o Bangu não teve como contratá-lo.

Por isso, a equipe trazia como atletas profissionais os seguintes jogadores:
Goleiros: Orlando, Pedrinho e Rossani
Defensores: Bilulu, Italiano, Madeira, Marmorato, Nogueira e Silva
Médios: Ayala, Brito (1), Eduardo, Ilaim (1), Ivan, Januário (2), Mineiro, Sula (2) e Wilson
Atacantes: Anésio (1), Antero (2), Calixto (9), Cardoso (6), Menezes (2), Moacir Bueno (20), Newland (6), Sonô (8) e Ubirajara (2).
* O número entre parêntesis indica o número de gols do jogador no ano de 1947.


No Torneio Municipal, o turno neutro do Campeonato Carioca, a equipe somou apenas 2 pontos em 10 jogos, obtidos na suada vitória sobre o Olaria, em 1º de junho, em Conselheiro Galvão, por 3 a 2.

Jogando desde 1944 em campos emprestados, o Bangu amargava péssimas temporadas. Não era questão de culpar apenas os jogadores, sem poderem jogar no alçapão da Rua Ferrer, o alvirrubro mostrou ser uma equipe frágil.

Quem bem demonstrou a importância do "estadinho" da Rua Ferrer foi Castor de Andrade, em um depoimento colhido em 1989 sobre a evolução do bairro e a saudade dos bons tempos de Bangu, o futuro Patrono foi bastante preciso: "O Bangu tinha torcida. Uma torcida bairrista que não dava sossego aos adversários. Eu me lembro que meu pai me mandava - eu guri de 13, 14 anos - comprar fogos em Nilópolis para festejar as vitórias do time no estadinho da Rua Ferrer. E cada jogo era uma festa, as arquibancadas lotadas, moças, rapazes, famílias inteiras torcendo para o Bangu. Àquela gente toda amava Bangu. Depois, evidentemente, com o crescimento da localidade, esse espírito bairrista acabou."

No Campeonato Carioca, a equipe estreou contra o Botafogo no dia 3 de agosto, em São Januário, sendo derrotada por 4 a 1.

Passaram-se mais três jogos até o Bangu vencer a sua primeira partida. Após perder para o Vasco (1 a 4), Bonsucesso (1 a 2) e Fluminense (0 a 4), os "Mulatinhos Rosados" venceram o Madureira, em Conselheiro Galvão, no dia 24 de agosto, por 4 a 3, obtendo seus dois primeiros pontos.

Ainda no 1º turno, a equipe perdeu para o América (1 a 2), foi arrasado pelo Olaria (3 a 8), conseguir empatar com o São Cristóvão (4 a 4) e alcançou o seu melhor resultado goleando o Canto do Rio, na Rua Figueira de Melo, por 8 a 1, no dia 5 de outubro. Pode parecer ironia, mas o mesmo resultado histórico de 8 a 1 se repetiu uma semana depois, porém contra o alvirubro: o Flamengo, jogando em casa, vingou a equipe de Niterói.

No returno, os resultados praticamente foram os mesmos. Sem conseguir ameaçar os grandes e somando alguns pontos contra as pequenas associações. Foi assim, por exemplo, quando vencemos o Bonsucesso, na Rua Teixeira de Melo, por 7 a 1, em 30 de novembro; e quando vencemos, pela segunda vez, o Canto do Rio, agora jogando em Caio Martins, por 6 a 4, no dia 21 de dezembro.

Na classificação final, obtivemos a nona posição entre os 11 clubes participantes, somando 10 pontos em 20 jogos. O que restava ao torcedor banguense era esperar o ano seguinte, onde o time atuaria em seu próprio estádio.

Diretoria - Biênio 1947 / 1948

Presidente: Dr. Guilherme da Silveira Filho
Vice-Presidente de Patrimônio: Dr. Eugênio Barbosa Paixão
Vice-Presidente Social: Dr. Guilherme Pastor
Vice-Presidente de Finanças: Antônio Guedes Valente
Vice-Presidente de Esportes: Dr. Gustavo Araújo Martins
Secretário Geral: Raymundo Walter Moreira Sisnando
1º Secretário: José Carlos Desterro
2º Secretário: Aloísio Destri
Tesoureiro Geral: Dr. José Ramos Penedo
1º Tesoureiro: José Jorge Leite
2º Tesoureiro: Azurém Destri
Diretor de Patrimônio: Arthur Ferreira Pinto
Diretor Social: Zacharias Miguel
Diretor de Esportes: Ayres de Souza
Comissão de Finanças: Dr. Miguel José Pedro, Vicente Jaconianni e João Rodrigues Reis.

Tabela de Jogos 1947

Torneio Municipal
13 de abril - Botafogo 6 x 0 Bangu      - (São Januário)
20 de abril - Vasco da Gama 8 x 0 Bangu - (Conselheiro Galvão)
01 de maio  - Fluminense 3 x 0 Bangu    - (São Januário)
04 de maio  - Madureira 4 x 2 Bangu     - (Teixeira de Castro)
              Gols: Newland (2).
11 de maio  - América 5 x 3 Bangu       - (Figueira de Melo)
              Gols: Moacir Bueno, Antero e Newland.
25 de maio  - Bonsucesso 3 x 0 Bangu    - (Conselheiro Galvão)
01 de junho - Olaria 2 x 3 Bangu        - (Conselheiro Galvão)
              Gols: Ubirajara (2) e Newland.
08 de junho - Canto do Rio 3 x 2 Bangu  - (General Severiano)
              Gols: Moacir Bueno e Brito.
14 de junho - São Cristóvão 3 x 2 Bangu - (Teixeira de Castro)
              Gols: Newland (2).
22 de junho - Flamengo 8 x 5 Bangu      - (Laranjeiras)
              Gols: Sono (2), Calixto (2) e Moacir Bueno.

Campeonato Carioca
1º Turno
03 de agosto   - Botafogo 4 x 1 Bangu      - (São Januário)
                 Gol: Januário.
10 de agosto   - Vasco da Gama 4 x 1 Bangu - (São Januário)
                 Gol: Moacir Bueno.
17 de agosto   - Fluminense 4 x 0 Bangu    - (Conselheiro Galvão)
24 de agosto   - Madureira 3 x 4 Bangu     - (Conselheiro Galvão)
                 Gols: Calixto (2), Menezes e Moacir Bueno.
31 de agosto   - América 2 x 1 Bangu       - (Conselheiro Galvão)
                 Gol: Moacir Bueno.
14 de setembro - Bonsucesso 2 x 1 Bangu    - (Conselheiro Galvão)
                 Gol: Cardoso.
20 de setembro - Olaria 8 x 3 Bangu        - (Rua Bariri)
                 Gols: Cardoso, Calixto e Sula.
27 de setembro - São Cristóvão 4 x 4 Bangu - (Figueira de Melo)
                 Gols: Moacir Bueno (2) e Cardoso (2).
05 de outubro  - Canto do Rio 1 x 8 Bangu  - (Figueira de Melo)
                 Gols: Moacir Bueno (4), Ilaim, Sula, Anésio e Sonô.
11 de outubro  - Flamengo 8 x 1 Bangu      - (Gávea)
                 Gol: Cardoso.

2º Turno
18 de outubro  - Botafogo 2 x 0 Bangu      - (General Severiano)
25 de outubro  - Vasco 4 x 0 Bangu         - (Conselheiro Galvão)
02 de novembro - Fluminense 5 x 0 Bangu    - (Laranjeiras)
09 de novembro - Madureira 1 x 1 Bangu     - (Figueira de Melo)
                 Gol: Moacir Bueno.
16 de novembro - América 5 x 4 Bangu       - (Figueira de Melo)
                 Gols: Moacir Bueno (2), Sonô e Januário.
30 de novembro - Bonsucesso 1 x 7 Bangu    - (Teixeira de Castro)
                 Gols: Sonô (3), Moacir Bueno (3) e Menezes.
07 de dezembro - Olaria 1 x 0 Bangu - (Conselheiro Galvão)
13 de dezembro - São Cristóvão 4 x 3 Bangu - (Conselheiro Galvão)
                 Gols: Moacir Bueno, Sonô e Cardoso.
21 de dezembro - Canto do Rio 4 x 6 Bangu  - (Caio Martins)
                 Gols: Calixto (4), Moacir Bueno e Antero.
28 de dezembro - Flamengo 4 x 0 Bangu      - (Figueira de Melo)

Texto e pesquisa: Carlos Molinari.
Fotos: Arquivo do Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos - A memória permanente da região de Bangu.

     
Livros
 
Estatísticas
 
Jogos 4.133
Vitórias 1.728
Empates 979
Derrotas 1.426
Gols Pró 7.305
Gols Contra 6.332
Saldo de Gols 973
Artilheiros
 
Ladislau 231
Moacir Bueno 203
Nívio 152
Menezes 137
Zizinho 125
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Paulo Borges 109
Décio Esteves 98
Arturzinho 93
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