Rio de Janeiro, sábado, 19 de agosto de 2017 - 06h13min
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1947 - A INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO

Foto: Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos
Uma multidão de banguenses acompanhou a festa de inauguração do estádio, situado na Rua Sul-América

O acontecimento mais importante da história do Bangu na década de 40 foi a inauguração, em 15 de novembro de 1947, de seu novo estádio, construído pela Companhia, recebeu o nome de Estádio Proletário Guilherme da Silveira. Com a construção do estádio ganharam o clube e a fábrica, que recuperou uma área valorizada, bem no centro do bairro, ocupada até então pelo antigo campo.

O dia 15 de novembro foi de festa em Bangu. Uma alegria que não se via desde o título de 1933. Logo às 5 horas da manhã, uma salva de 21 tiros em homenagem aos Drs. Guilherme da Silveira e Guilherme da Silveira Filho acordou a população.

Foto: Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos
Os irmãos Eduardo e Vivi se despedem do campo da Rua Ferrer no dia 15 de novembro de 1947

Às 13:30h, iniciou-se no campo da Rua Ferrer uma partida de futebol entre duas equipes de veteranos do Bangu. Meia hora depois foi a vez do Dr. Guilherme Pastor proferir suas belas palavras, falando sobre as tradições e as glórias do campo e conseqüentemente, do clube. Em seguida, foram retiradas as balisas e arriada a bandeira do Pavilhão pelo Sr. Targino Antônio da Guia, pai dos craques Luiz Antônio, Ladislau, Médio e Domingos.

Depois, foi organizado o desfile rumo ao novo campo, com a participação de diversos ciclistas, banda de música, diretores do Bangu, sócios, veteranos, times infantis, associados de outras agremiações do bairro (como o Casino Bangu, Prazer das Morenas, Ceres), e toda a população banguense que quisesse seguir o cortejo.

Saindo da Av. Cônego de Vasconcelos, passando pela Estação de trem, pela Estrada de Santa Cruz, pela passagem de nível da Rua 12 de Fevereiro, e pela Av. 230 (hoje Av. Ribeiro Dantas) até chegar ao Estádio. 


No momento que o desfile chegou ao mais novo campo do Rio de Janeiro, foram hasteadas as bandeiras do Brasil e do Bangu ao som do hino nacional. Realizou-se uma missa proferida pelo conhecidíssimo Padre Santa Rosa.

Fechando o evento, o Dr. Miguel Pedro, presidente do Bangu em 1935 e 1936, fez um discurso ressaltando a importância da família Silveira para o clube, para o bairro, para a fábrica e para a população.

No fim, jogou-se o 2º tempo da partida dos veteranos, que começaram jogando na Rua Ferrer e terminaram inaugurando o novo estádio, com mais 20 minutos do seu futebol inesquecível.


Foto: Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos
Inauguração do Estádio Proletário no dia da proclamação da República

No início do ano, o Dr. Silveirinha foi eleito pela sexta vez consecutiva, novamente por aclamação dos membros do Conselho Deliberativo, presidente do Bangu.

Em termos de futebol profissional, o ano de 1947 foi desastroso. Sem poder jogar em Bangu, a equipe se arrastou tanto no Torneio Muncipal quanto no Campeonato Carioca.

Chegou-se a especular no retorno de Domingos da Guia, já com 35 anos, mas o Bangu não teve como contratá-lo.

Por isso, a equipe trazia como atletas profissionais os seguintes jogadores:
Goleiros: Orlando, Pedrinho e Rossani
Defensores: Bilulu, Italiano, Madeira, Marmorato, Nogueira e Silva
Médios: Ayala, Brito (1), Eduardo, Ilaim (1), Ivan, Januário (2), Mineiro, Sula (2) e Wilson
Atacantes: Anésio (1), Antero (2), Calixto (9), Cardoso (6), Menezes (2), Moacir Bueno (20), Newland (6), Sonô (8) e Ubirajara (2).
* O número entre parêntesis indica o número de gols do jogador no ano de 1947.


No Torneio Municipal, o turno neutro do Campeonato Carioca, a equipe somou apenas 2 pontos em 10 jogos, obtidos na suada vitória sobre o Olaria, em 1º de junho, em Conselheiro Galvão, por 3 a 2.

Jogando desde 1944 em campos emprestados, o Bangu amargava péssimas temporadas. Não era questão de culpar apenas os jogadores, sem poderem jogar no alçapão da Rua Ferrer, o alvirrubro mostrou ser uma equipe frágil.

Quem bem demonstrou a importância do "estadinho" da Rua Ferrer foi Castor de Andrade, em um depoimento colhido em 1989 sobre a evolução do bairro e a saudade dos bons tempos de Bangu, o futuro Patrono foi bastante preciso: "O Bangu tinha torcida. Uma torcida bairrista que não dava sossego aos adversários. Eu me lembro que meu pai me mandava - eu guri de 13, 14 anos - comprar fogos em Nilópolis para festejar as vitórias do time no estadinho da Rua Ferrer. E cada jogo era uma festa, as arquibancadas lotadas, moças, rapazes, famílias inteiras torcendo para o Bangu. Àquela gente toda amava Bangu. Depois, evidentemente, com o crescimento da localidade, esse espírito bairrista acabou."

No Campeonato Carioca, a equipe estreou contra o Botafogo no dia 3 de agosto, em São Januário, sendo derrotada por 4 a 1.

Passaram-se mais três jogos até o Bangu vencer a sua primeira partida. Após perder para o Vasco (1 a 4), Bonsucesso (1 a 2) e Fluminense (0 a 4), os "Mulatinhos Rosados" venceram o Madureira, em Conselheiro Galvão, no dia 24 de agosto, por 4 a 3, obtendo seus dois primeiros pontos.

Ainda no 1º turno, a equipe perdeu para o América (1 a 2), foi arrasado pelo Olaria (3 a 8), conseguir empatar com o São Cristóvão (4 a 4) e alcançou o seu melhor resultado goleando o Canto do Rio, na Rua Figueira de Melo, por 8 a 1, no dia 5 de outubro. Pode parecer ironia, mas o mesmo resultado histórico de 8 a 1 se repetiu uma semana depois, porém contra o alvirubro: o Flamengo, jogando em casa, vingou a equipe de Niterói.

No returno, os resultados praticamente foram os mesmos. Sem conseguir ameaçar os grandes e somando alguns pontos contra as pequenas associações. Foi assim, por exemplo, quando vencemos o Bonsucesso, na Rua Teixeira de Melo, por 7 a 1, em 30 de novembro; e quando vencemos, pela segunda vez, o Canto do Rio, agora jogando em Caio Martins, por 6 a 4, no dia 21 de dezembro.

Na classificação final, obtivemos a nona posição entre os 11 clubes participantes, somando 10 pontos em 20 jogos. O que restava ao torcedor banguense era esperar o ano seguinte, onde o time atuaria em seu próprio estádio.

Diretoria - Biênio 1947 / 1948

Presidente: Dr. Guilherme da Silveira Filho
Vice-Presidente de Patrimônio: Dr. Eugênio Barbosa Paixão
Vice-Presidente Social: Dr. Guilherme Pastor
Vice-Presidente de Finanças: Antônio Guedes Valente
Vice-Presidente de Esportes: Dr. Gustavo Araújo Martins
Secretário Geral: Raymundo Walter Moreira Sisnando
1º Secretário: José Carlos Desterro
2º Secretário: Aloísio Destri
Tesoureiro Geral: Dr. José Ramos Penedo
1º Tesoureiro: José Jorge Leite
2º Tesoureiro: Azurém Destri
Diretor de Patrimônio: Arthur Ferreira Pinto
Diretor Social: Zacharias Miguel
Diretor de Esportes: Ayres de Souza
Comissão de Finanças: Dr. Miguel José Pedro, Vicente Jaconianni e João Rodrigues Reis.

Tabela de Jogos 1947

Torneio Municipal
13 de abril - Botafogo 6 x 0 Bangu      - (São Januário)
20 de abril - Vasco da Gama 8 x 0 Bangu - (Conselheiro Galvão)
01 de maio  - Fluminense 3 x 0 Bangu    - (São Januário)
04 de maio  - Madureira 4 x 2 Bangu     - (Teixeira de Castro)
              Gols: Newland (2).
11 de maio  - América 5 x 3 Bangu       - (Figueira de Melo)
              Gols: Moacir Bueno, Antero e Newland.
25 de maio  - Bonsucesso 3 x 0 Bangu    - (Conselheiro Galvão)
01 de junho - Olaria 2 x 3 Bangu        - (Conselheiro Galvão)
              Gols: Ubirajara (2) e Newland.
08 de junho - Canto do Rio 3 x 2 Bangu  - (General Severiano)
              Gols: Moacir Bueno e Brito.
14 de junho - São Cristóvão 3 x 2 Bangu - (Teixeira de Castro)
              Gols: Newland (2).
22 de junho - Flamengo 8 x 5 Bangu      - (Laranjeiras)
              Gols: Sono (2), Calixto (2) e Moacir Bueno.

Campeonato Carioca
1º Turno
03 de agosto   - Botafogo 4 x 1 Bangu      - (São Januário)
                 Gol: Januário.
10 de agosto   - Vasco da Gama 4 x 1 Bangu - (São Januário)
                 Gol: Moacir Bueno.
17 de agosto   - Fluminense 4 x 0 Bangu    - (Conselheiro Galvão)
24 de agosto   - Madureira 3 x 4 Bangu     - (Conselheiro Galvão)
                 Gols: Calixto (2), Menezes e Moacir Bueno.
31 de agosto   - América 2 x 1 Bangu       - (Conselheiro Galvão)
                 Gol: Moacir Bueno.
14 de setembro - Bonsucesso 2 x 1 Bangu    - (Conselheiro Galvão)
                 Gol: Cardoso.
20 de setembro - Olaria 8 x 3 Bangu        - (Rua Bariri)
                 Gols: Cardoso, Calixto e Sula.
27 de setembro - São Cristóvão 4 x 4 Bangu - (Figueira de Melo)
                 Gols: Moacir Bueno (2) e Cardoso (2).
05 de outubro  - Canto do Rio 1 x 8 Bangu  - (Figueira de Melo)
                 Gols: Moacir Bueno (4), Ilaim, Sula, Anésio e Sonô.
11 de outubro  - Flamengo 8 x 1 Bangu      - (Gávea)
                 Gol: Cardoso.

2º Turno
18 de outubro  - Botafogo 2 x 0 Bangu      - (General Severiano)
25 de outubro  - Vasco 4 x 0 Bangu         - (Conselheiro Galvão)
02 de novembro - Fluminense 5 x 0 Bangu    - (Laranjeiras)
09 de novembro - Madureira 1 x 1 Bangu     - (Figueira de Melo)
                 Gol: Moacir Bueno.
16 de novembro - América 5 x 4 Bangu       - (Figueira de Melo)
                 Gols: Moacir Bueno (2), Sonô e Januário.
30 de novembro - Bonsucesso 1 x 7 Bangu    - (Teixeira de Castro)
                 Gols: Sonô (3), Moacir Bueno (3) e Menezes.
07 de dezembro - Olaria 1 x 0 Bangu - (Conselheiro Galvão)
13 de dezembro - São Cristóvão 4 x 3 Bangu - (Conselheiro Galvão)
                 Gols: Moacir Bueno, Sonô e Cardoso.
21 de dezembro - Canto do Rio 4 x 6 Bangu  - (Caio Martins)
                 Gols: Calixto (4), Moacir Bueno e Antero.
28 de dezembro - Flamengo 4 x 0 Bangu      - (Figueira de Melo)

Texto e pesquisa: Carlos Molinari.
Fotos: Arquivo do Grêmio Literário José Mauro de Vasconcelos - A memória permanente da região de Bangu.

     
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