SETE
DÉCADAS DE FUTEBOL PROFISSIONAL
Faz
70 anos que quatro clubes do Rio deram o pontapé
inicial para a implantação do regime
remunerado
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Foto:
Arquivo pessoal (Roberto Assaf)
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O
Bangu de 1933 foi o primeiro time a ganhar um
campeonato de futebol profissional no Brasil
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Ninguém
se deu conta, mas o profissionalismo no futebol
brasileiro está completando 70 anos
de vida. Foi em fevereiro de 1933 que os principais
clubes de São Paulo aderiram ao movimento
iniciado no mês anterior por América,
Bangu, Fluminense e Vasco para celebrar a
implantação do novo regime.
O amadorismo era, na prática, uma forma
de exploração econômica
do jogador, como destacou Floriano Peixoto
Correia em "Grandezas e misérias
do nosso futebol", lançado no
finzinho daquele 1933, e no qual o ex-centro-médio
de Fluminense e América narra as relações
entre jogadores e cartolas durante a vigência
do velho regime. Floriano socorreu-se de um
artigo do jornalista Max Valentim para resumir
o que ocorria. "O amadorismo de tapeação
tem dinheiro para palácios de dansa
(sic), luxuosos recintos de mundanismo, piscinas
e festas aristocráticas que nada têm
a ver com o futebol. Mas o amadorismo de tapeação
- pobresinho! (sic) - não pode pagar,
senão gorgetas (sic), aos rapazes de
cujas canelas ele tira restaurantes, mundanismo,
terrenos, piscinas e festas", denunciava.
O profissionalismo melhorou as condições
dos jogadores. Mas nem tudo foi resolvido
com a implantação do novo regime,
como explicou o pesquisador Waldenyr Caldas
em seu "O pontapé inicial".
"Os maiores beneficiados, na verdade,
foram os clubes. A legislação
inicial dava ao atleta apenas o direito de
receber seu salário. Em casos especiais,
o clube pagava uma quantia a título
de luvas. Mas isso não constava da
legislação; portanto, não
era obrigatória. Não podemos
esquecer que a Consolidação
das Leis do Trabalho só surgiria a
5 de janeiro de 1943. Assim, não havia
nada que protegesse o jogador e nenhum direito
a reivindicar", ressaltou.
No dia 23 de março de 2001, comemorou-se
a Medida Provisória editada em Brasília
que determinava o fim do passe. Afinal, tal
ato foi na prática o maior avanço
na legislação desde a implantação
do profissionalismo. Supunha-se assim a extinção
da escravidão de que já falava
Max Valentim. Mas qual o quê. Os jogadores
livraram-se do passe, mas a maioria esmagadora
caiu na malha fina dos empresários,
que são hoje, efetivamente, os donos
do futebol.
Texto:
Roberto Assaf
Fonte: Lance! (Coluna Papo com Roberto Assaf),
18/02/2003.