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O FUTEBOL BRASILEIRO É MESMO PROFISSIONAL?

Foto: Arquivo JS
 
O BANGU de Tita é um dos poucos clubes dos chamados pequenos que já possuem uma competição à vista

Nunca é demais voltar ao assunto, pois ele encerra uma grave e profunda questão social. Terminado o Campeonato Estadual da Primeira Divisão, continuam as incertezas acerca da competição da Segunda Divisão e da seletiva fluminense para a disputa do Brasileiro da Terceira Divisão. Ou seja, clubes, jogadores, técnicos, massagistas e roupeiros, entre outros profissionais do futebol, ficam à mercê do humor de dirigentes e sua disposição de melhor programar as competições no Estado do Rio de Janeiro.

Alguns clubes podem se considerar privilegiados, pois terão alguns meses mais de atividades no ano. Madureira, Bangu, Olaria, América, Cabofriense, Friburguense e Volta Redonda participarão da seletiva que apontará os três que disputarão a Série C brasileira, mas os outros quatro deverão desativar os seus departamentos de futebol, pois não terão como arcar com as folhas de pagamento, por menores que sejam.

Em outras palavras, isso significa desemprego em massa. Senão, vejamos: cada clube tem, pelo menos, 30 profissionais, entre jogadores, técnico, massagista, roupeiro, médico. Multiplicando esse número por quatro (os que forem eliminados na seletiva da Série C), temos um total de 120 pessoas. Poucos deles serão contratados por outras agremiações, pois o problema se repete em outros estados brasileiros.

E não estamos falando ainda nos clubes que forem eliminados nas primeiras fases das competições que serão disputadas ao longo do ano e que provocarão novas dispensas de profissionais.

Não basta falar na criação de clubes-empresas, há a necessidade urgente de encontrar meios de pôr esse pessoal em atividade, garantindo-lhe emprego e salário, pois, por trás de cada profissional do futebol, há uma família e bocas para alimentar.


Texto: Claudio Neves
Fonte: Jornal dos Sports (Coluna A Bola e o Craque), 25/03/2003.

     
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