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MATAR PARA
NÃO MORRER
Em
termos de futebol considero-me um privilegiado.
Trago na memória as imagens do tempo
de ouro dos grandes clássicos que fizeram
a glória e a história do Maracanã,
o estádio Mário Filho, e o transformaram
no mais famoso e sagrado templo
do futebol mundial, cartão postal do
Rio de Janeiro, assim como o são o
Corcovado com a imagem do Cristo Redentor
de braços abertos, o Pão de
Açúcar, a avenida Atlântica
na orla da Praia de Copacabana.
Acompanho desde a infância na fantástica
década de 50 até os dias de
hoje, a construção da magia
do Maracanã, imortalizada pelos pés
geniais de Garrincha, Nilton Santos, Didi,
Zizinho, Ademir, Jairzinho, Gérson,
Zico, Roberto Dinamite, Romário e "forasteiros"
como Pelé (Santos), Rivelino (Corinthians
e Fluminense) e Tostão (Cruzeiro e
Vasco), para ficar só nos mais idolatrados,
naqueles que incendiaram de paixão
e admiração o coração
dos torcedores. Craques que começaram
desde o dia 29 de junho 1958 na Suécia
a escrever as páginas de maior orgulho
do povo brasileiro em toda a sua história
de 503 anos: as título de pentacampeão
mundial de futebol, representados hoje pela
geração de Ronaldo e Ronaldinho
Gaúcho.
Espetáculo algum no mundo se comparava
a um domingo de clássico no Maracanã.
Uma festa de bandeiras, de cantos, de alegria
sem limite, sem violência, ao sabor
da mais pura emoção, das gozações
e da volta para casa com a sensação
da alma mais leve.E clássicos não
eram apenas os jogos entre Botafogo, Flamengo,
Fluminense e Vasco. Também os que estes
disputavam contra o América e o Bangu.
Para citar só alguns, lembro de casa
cheia, Marcanã lotado, nas decisões
de 60 (Fluminense e América), 66 (Flamengo
e Bangu), 67 (Botafogo e América, Taça
Guanabara, Botafogo e Bangu, campeonato estadual).
Com a entrada para valer da televisão
no futebol, antes só transmitindo um
ou outro jogo, agora influindo até
mesmo no modelo de disputa dos campeonatos,
determinando inclusive o dia e horário
mais conveniente para ela, é
claro dos jogos, o conceito do espetáculo
vem mudando profundamente. Desde os hábitos
de torcer, tanto de quem vai ao estádio
como dos que preferem ficar assistindo em
casa, ao próprio jogo: os esquemas
táticos, passaram a sofrer a influência
das câmeras, o jogo ficou mais compactado
e veloz, o goleiro aparece muito mais do que
antigamente.
Não vai nesta observação
nenhum crítica, nenhum saudosismo lacrimogêneo.
Ao contrário, acho a televisão
em muitos pontos, positiva e uma evolução
essencial para o aparecimento de novas gerações
de craques em nosso futebol, como a de que
é símbolo a dupla Diego e Robinho
do Santos. Infelizmente ela só não
conseguiu até agora mudar a mentalidade
da maioria esmagadora dos dirigentes. Há,
é claro, exceções, mas
são apenas exceções,
como os ex-presidentes Francisco Horta do
Fluminense e Giulite Coutinho da CBF, como
é Bebeto de Freitas no Botafogo.
Se dentro do campo o futebol brasileiro não
parou e nem para de evoluir, fora dele, principalmente
nas Federações, tudo parece
parado no tempo, principalmente no Rio de
Janeiro. O resultado é a visível
decadência de nossos clubes, o esvaziamento
progressivo dos estádios, o Maracanã
encolhido e adormecido, os médios clubes
como América e Bangu à beira
da extinção, os pequenos mas
de grande tradição e papel fundamental
na história que fez a grandeza de nosso
futebol, como se fossem escombros salvos de
um bombardeio, caso de Campo Grande (revelou
Dario), Bonsucesso (revelou Leônidas
da Silva). E o que dizer dos clubes do interior
do estado, daqueles que ficam quase um ano
inteiro sem atividade, sem campeonatos para
disputar?
O futebol de hoje envolve grandes investimentos,
a televisão paga pelos jogos, isso
se traduz em muitos empregos indiretos. É
assim no mundo inteiro.Só aqui, sobretudo
no Rio de Janeiro, é que se vê
a cada ano um campeonato estadual menos atraente,
sem graça, sem apelo. E uma participação
no Campeonato Brasileiro cada vez mais melancólica,
onde os nossoc clubes disputam não
o título, mas sim as últimas
posições na tabela.
É chegada a hora de mudar tudo isso,
de dar um basta! A mudança que vai
iniciar a salvação de todos
os que amam e vivem no futebol do Rio de Janeiro
tem que começar pela troca de poder
na Federação de Futebol do Rio
de Janeiro. Os quatro grandes, os outros clubes,
as Ligas, todos sabem que não ha mais
salvação na perpetuação
no poder dos que lá estão há
18 anos. É preciso fazer do dia 3 de
julho próximo o dia da redenção
do futebol do Rio de Janeiro. Antes que ele
morra!
Texto:
José Antonio Gerheim
Fonte: Jornal dos Sports (Passe Livre), 16/06/2003.
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Estatísticas |
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| Jogos |
3.883 |
| Vitórias |
1.629 |
| Empates |
915 |
| Derrotas |
1.339 |
| Gols Pró |
6.872 |
| Gols Contra |
5.959 |
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Artilheiros |
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| Ladislau |
222 |
| Moacir Bueno |
179 |
| Nívio |
142 |
| Menezes |
132 |
| Zizinho |
122 |
| Paulo Borges |
108 |
| Luís Carlos |
106 |
| Décio Esteves |
93 |
| Arturzinho |
91 |
| Marinho |
80 |
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