Somos
bobos, mas persistentes. Porque não
dá para se calar diante das eleições
na Federação do Estado do Rio
e na CBF. Até quando, meu Deus, assistiremos
a esta gente no poder?
O intelectual
Caixa DÁgua está no cargo
há 18 anos e tenta mais quatro. O fazendeiro
Ricardo Teixeira se mantém no comando
há 14 anos e pode conseguir agora mais
cinco anos.
A democracia pressupoe alternância no
poder, como lembrou Marcelo Damato na coluna
de ontem. A rotatividade deveria ser obrigatória.
E também concordo que deveria haver
um limite de mandatos dos dirigentes. Ora,
se há um limite para o presidente da
República, que só pode se reeleger
uma vez, por que não tem para esse
pessoal?
A boca deve ser muito boa, porque ninguém
quer largar o osso. Chega a ser cômica
a maneira como fazem tudo para se perpetuarem
no poder. Para conseguir seu quinto mandato,
Ricardo Teixeira frauda, como diz a oposição,
o colégio eleitoral e desrespeita a
Lei Pelé e o novo Código Civil.
Mesmo assim, como um trator, ele passou por
cima das liminares e ações judiciais
que tentaram anular a eleição.
O que nos cabe, como críticos de futebol,
é continuar na batalha. Não
desanimar. Um dia a casa cai e aí,
sim, iremos comemorar. Se eles são
tinhosos, nós também somos.
E temos do nosso lado a maioria dos homens
de bem deste país.
Que a farra do boi dos dirigentes foi na aprazível
Barra da Tijuca, onde a CBF construiu a nova
sede. Houve churrasco, banho de mar, de piscina,
discursos inflamados a favor de Teixeira.
Quer saber de uma coisa? Eles se merecem.
Azar o deles. Sorte nossa!
Texto:
José Trajano
Fonte: Lance! (Papo com o Trajano), 10/07/2003.