E nada tem a ver com o episódio policial
que aterrissou na federação
do Caixa D'Água na última sexta-feira.
Mas tem a ver com a já exaustivamente
discutida mudança da partida entre
Fluminense (com os reservas num jogo que interessa
a outro clube) e Americano, para Moça
Bonita, e com o clássico dos centenários
desesperados, América x Bangu.
Caixa D'Água não gosta de Giulite
Coutinho, que encarna o América, e
tem como seu vice na Ferj o presidente de
honra do Bangu. Os americanos estão
apavorados, pedindo que as emissoras de TV
cubram o jogo em Edson Passos, pois temem
que venham a ser prejudicados.
É claro que a campanha do América
é fraca, mas o receio em relação
a fatores extra-campo se justifica pelos métodos
do presidente da Ferj, que continua a dominar
o tribunal de justiça e a atemorizar
os árbitros, segundo os relatos mais
desinteressados.
Mesmo doente e submetendo-se a uma sessão
de hemodiálise por dia, Caixa D'Água
segue fiel aos seu estilo coronelista e à
máxima "só saio daqui quando
quiser" – e nada indica que um
dia queira, ao contrário.
Entre um "a nível de" para
cá e outro "a nível de"
para lá, o intelectual Caixa D'Água
ainda acha tempo para atacar o técnico
Levir Culpi, voz solitária entre os
treinadores contra os desmandos da cartolagem
predatória.
E olhe que Caixa D'Água é o
grande mentor político de ninguém
menos que o presidente da CBF, com o que muita
coisa se explica e quase nada se justifica.
Se não bastasse, em franco desafio
ao Estatuto do Torcedor, o cartola acena com
mudanças no regulamento do próximo
campeonato estadual, certo de que contará
com a impunidade, filha da falta de apetite
dos que devem fiscalizar seu cumprimento,
aí incluídos o ministério
dos Esportes, os clubes filiados à
Ferj e os torcedores, acomodados e descrentes
de tudo e de todos.
Graças a um bom plano de marketing,
a Taça Guanabara monopolizou as atenções
do país no começo da temporada.
Agora, quando os estaduais começam
a se aproximar do final, o que volta é
a velha sensação de que tudo
está como sempre esteve. Texto:
Juca Kfouri.
Fonte: Coluna Papo com o Juca, publicada no
Jornal Lance!, em 21/03/2004.