De
folga na Premier Liga russa, Vágner
Love veio ao Brasil e aproveitou para declarar,
ainda no aeroporto, que está disposto
a voltar ao futebol brasileiro. Assim, ficaria
mais perto de sua família e dos olhares
da comissão técnica da seleção,
já que ainda guarda esperança
de ter um lugar o grupo que irá à
Copa de 2006 na Alemanha. O desejo de retornar
seria tão grande que, segundo ele,
aceitaria até jogar no Bangu,
já que a sede do clube alvirrubro
está logo à frente da casa
de sua família. Pois o que aconteceria
se a hipótese levantada pelo atacante
se realizasse?
A notícia, além de ser recebida
com grande surpresa, levantaria enormes
dúvidas a respeito da operação
financeira que a teria viabilizado. Imaginar
o Bangu atual em situação
financeira completamente diferente da vivida
na época em que era mantido por Castor
de Andrade, entre as décadas de 1960
e 1980 pagando milhões ao
CSKA Moscou por Vágner Love é
tão fora do comum que é difícil
imaginar como isso ocorreria. Talvez na
cessão dos direitos de vários
jovens bangüenses em troca do empréstimo
do atacante por um ano. Ou, pelo menos,
até o final da Segundona fluminense.
A apresentação do mais novo
reforço alvirrubro ajudaria a aumentar
o moral do futebol do Rio de Janeiro. O
Estado, que sempre se orgulhou de seus grandes
clubes, do Maracanã e de possuir
o campeonato estadual mais charmoso do Brasil,
veria agora o crescimento de seus clubes
pequenos, já em alta após
as boas campanhas de Volta Redonda, Americano
e Cabofriense no último estadual.
Pois isso estaria se espalhando para a Segunda
Divisão. Com Vágner Love,
o futebol fluminense se autoproclamaria
dono da melhor Segundona estadual do país.
Afinal, se os paulistas sempre se basearam
na força e tradição
de seu interior, o Rio teria a história
de Bangu, São Cristóvão,
Bonsucesso, Goytacaz e Mesquita e, em campo,
nomes como Zinho no Nova Iguaçu,
Brener no Macaé e, agora, Vágner
Love no Bangu. Isso porque Edmundo, que
deu as caras rapidamente no torneio, acertara
com o Figueirense.
E, por maiores que sejam o currículo de Edmundo
e Zinho, a chegada do atacante do CSKA Moscou
teria um impacto maior. Seria um caso inusitado
de jogador ainda em ascensão e nos
planos de Carlos Alberto Parreira para a
Copa do Mundo a atuar em uma Segunda Divisão
estadual. Um perfil bem diferente de Zinho,
que atua no clube do qual é dono,
Brener, sem espaço em outras equipes,
e Edmundo, que precisava apenas voltar a
atuar antes de conseguir algum time de mais
destaque (o que acabou acontecendo).
Dificilmente alguma emissora de televisão
transmitiria a fase final da Segunda Divisão
do Rio de Janeiro para fora do Estado. Ainda
assim, equipes de reportagem seriam escaladas
para cobrir as primeiras partidas de Vágner
com a camisa banguense. Os gols do torneio,
sobretudo os assinalados pelo ex-palmeirense,
teriam espaço nas mesas redondas
dos domingos à noite e no Globo Esporte
das segundas-feiras. E seriam vistas até
cenas normais há 20 anos, mas inusitadas
atualmente, como um integrante da comissão
técnica da seleção
brasileira indo a Moça Bonita observar
o jogador.
Além de agradar Parreira, Vágner
estabeleceria como desafio alcançar
a artilharia do torneio. Em um time forte
e com a possibilidade de disputar o quadrangular
final do torneio, provavelmente ultrapassaria
Dionísio, do Ceres, artilheiro no
momento com seis gols, mas que não
deve disputar a fase decisiva.
A empolgação faria que o público do
Bangu aumentasse nos estádios, ainda
mais com os não-banguenses que iriam
como curiosos. Mas não seria nada
muito significativo, talvez 200 pessoas
a mais por jogo, uma vez que a torcida continuaria
achando que esse time estaria longe dos
melhores da história alvirrubra,
sobretudo na comparação direta
com o campeão carioca de 1966 e o
vice-campeão brasileiro de 1985.
De qualquer maneira, o time hoje
líder do Grupo B na primeira fase
contaria com um jogador muito acima
da média do campeonato e experiência
internacional para decidir a partidas em
seu favor. Além disso, teria um ganho
acentuado de autoconfiança. Inevitavelmente,
o alvirrubro se tornaria o mais forte candidato
ao título e à única
vaga para a Primeira Divisão de 2006.
Com o término do campeonato, em 30
de setembro, o Bangu teria cumprido seus
compromissos para 2005 e fecharia seu departamento
de futebol profissional até janeiro
de 2006. Sem atividade, Vágner Love
teria novamente de buscar uma equipe. Não
faltariam grandes clubes paulistas anunciando
a contratação do artilheiro
da Segunda Divisão do Rio de Janeiro
como solução para seus problemas
de ataque. Mas só para 2006 também,
pois o prazo de inscrição
do Campeonato Brasileiro teria se encerrado
uma semana antes.
Obs.:
Esse “artigo” é uma obra de ficção e, portanto,
não deve ser levada a sério. Nenhuma das
pessoas, empresas, entidades ou associações
citadas no texto foi efetivamente entrevistada
ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem
talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios,
mapa astral ou bola de cristal, qualquer
semelhança com a vida real foi uma grande
coincidência. Texto:
Ubiratan Leal.
Fonte: Coluna Balipodo.com, publicada no
site www.gardenal.org, em 03/06/2005.
Fotos: Sportinglife, Gazeta Esportiva, Nova
Iguaçu e Bangu