Quando
o zagueiro Santiago, do América, quis
dar um drible e perdeu a bola, o Americano
fez um gol. Naquele momento o comentarista
Sérgio Noronha, que participava da
transmissão daTV Globo, disse que o
zagueiro havia feito uma domingada.
Nosso competente Sérgio estava resgatando
um termo do futebol que era muito usado, tempo
atrás, quando um dos componentes da
zaga tentava driblar dentro de sua área
e complicava. Por que domingada?
É que o primeiro beque brasileiro a
driblar na sua grande área foi o grande
e incomparável Domingos da Guia (foto).
Fazia isso em todos os jogos e depois de se
livrar do adversário não dava
chutões, saia jogando, armando o jogo
de trás. Tudo com finura, com a elegância
de um dançarino.
Quando os outros queriam imitá-lo se
davam mal, inventaram que o cara havia feito
uma "domingada". Se dava certo ninguém
dizia nada. Então a "domingada"
passou a ser, digamos, pejorativa. A meu ver
isso não fez justiça ao maior
zagueiro de todos os tempos. Mas ficou. Depois
pararam de usar o termo.
Agora, pela pixotada de Santiago, voltou à
tona por conta de "seu" Nonô.
Depois de Domingos da Guia, outros zagueiros
driblavam na área e saiam jogando com
naturalidade. Vi alguns Nilton Santos,
Airton "pavilhão", que jogava
pelo Grêmio, Oscar Basso, que atuou
pelo Botafogo em 1950, Figueroa, Carlos Alberto
Torres, Sebastião Leônidas, Roberto
Perfumo, Luiz Luz, todos dignos seguidores
de Domingos da Guia.
É uma jogada perigosa mas de grande
efeito visual quando é executada com
a precisão do seu criador. Texto:
Luiz Mendes.
Fonte: Coluna Histórias da Bola, publicada
no Jornal dos Sports, em 30/03/2006.