Essa
história foi relatada pelo meu companheiro
de LANCE!, o repórter Rodrigo Mandarini,
que teve a árdua missão de cobrir
Bangu x CFZ, quarta-feira à tarde,
no bucólico estádio do time
da Zona Oeste, em jogo válido pela
Segundona do Rio de Janeiro, onde, infelizmente,
o tradicional time alvirrubro se encontra.
Logo ao chegar no local, o intrépido
jornalista, que também possui o hábito
de apreciar fatos pitorescos fora das quatro
linhas, deu uma leve observada na encardida
arquibancada. Em meio aos pouco mais de 150
torcedores, um grande grupo de fanáticos
(cerca de oito) esgoelavam-se, na maior empolgação,
uma canção que não soava
estranho aos ouvidos do profissional.
Tal estranheza se dava pois, na mesma época,
um novo hit da torcida do Vasco ecoava com
toda força. Com os gritos de "vou
torcer para o Vasco ser campeão, São
Januário, meu caldeirão"
os cruzmaltinos empurravam sua equipe em busca
de, na época, uma vaga na Copa Libertadores(mal
sabiam eles o que viria pela frente).
Como o sol, incrivelmente, não estava
forte nesse dia(acreditem, estava nublado
em Bangu!), Mandarini logo concluiu que não
estava tendo nenhum tipo de alucinação.
Era isso mesmo, os banguenses, fervorosos,
bradavam: "vou torcer para o Bangu ser
campeão, Moça Bonita, meu caldeirão!".
Bola rolando, eles continuavam lá,
alentando com todo o gás. Enquanto
isso, no gramado, um jogador do CFZ vivia
seu momento nostálgico. Ao ver que
uma pipa caía sobre a grama, pegou
na linha, e empinou com toda a destreza o
objeto de vareta e papel, tão comum
no céu suburbano, para desespero do
técnico, que o repreendeu por sua atitude
travessa.
Fim de primeiro tempo, e a galera deu uma
pausa para o lanche. A promoção
da cantina fazia sucesso. Por R$0,50 você
apreciava um delicioso salgado, que, pela
quantidade de pessoas que se formaram na fila(não
ficou ninguém na arquibancada)a qualidade
não era duvidável.
A partida recomeçou e os torcedores
estavam lá, empolgadíssimos
com a canção. Um jovem de medidas
avantajadas era o mais entusiasmado, tinha
toda a pinta de que era o "compositor"
do grande sucesso de Moça Bonita. Enrolado
à bandeira do Bangu, ele entoava o
outro trecho da música.
"Contra o Fluminense, no Estadual, gol
do goleiro, não foi ilegal". Pois
é, rapaziada. Ele reservou um espaço
para demonstrar toda sua indignação
com a desclassificação do Alvirrubro
no Caixão 2002.
Para quem não lembra, nesse ano uma
grande confusão na Ferj bagunçou
o campeonato, que ficou desvalorizado. Na
semifinal, entre Fluminense e Bangu, o jogo
se arrastou num insosso 0 a 0 até a
prorrogação. No segundo tempo
dela, o bravo goleiro Eduardo se arriscou
na área para tentar o cabeceio, já
que o empate não favorecia ao time
da Zona Oeste. Bola alçada na área,
ele subiu e marcou. Porém, para o desespero
dos torcedores, o juíz marcou mão
na bola, dando fim ao sonho da equipe de chegar
à final.
Apesar de toda a polêmica, a verdade
é que a música empurrou, de
fato, o Bangu naquele dia. O time venceu por
2 a 0 o CFZ. Mais tarde, a simpática
equipe não conseguiria ir muito além
no campeonato e iria continuar amargando a
Série B do Carioca, mas, naquela quarta-feira
cinzenta, o caldeirão de Moça
Bonita realmente ferveu.
A MÚSICA:
Vou torcer pro Bangu ser campeão
Moça Bonita, meu caldeirão!
Contra o Fluminense no Estadual,(gol de quem?!)
Gol do goleiro
Não foi ilegal!
Texto:
Postado por Bruno Braz.
Fonte: Coluna "Na Arquibancada"
(Blog dos colunistas), publicada no Lancenet,
em 08/12/2007.