Rio de Janeiro, segunda-feira, 13 de outubro de 2008 - 03h19min
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MOÇA BONITA, MEU CALDEIRÃO!

Essa história foi relatada pelo meu companheiro de LANCE!, o repórter Rodrigo Mandarini, que teve a árdua missão de cobrir Bangu x CFZ, quarta-feira à tarde, no bucólico estádio do time da Zona Oeste, em jogo válido pela Segundona do Rio de Janeiro, onde, infelizmente, o tradicional time alvirrubro se encontra.

Logo ao chegar no local, o intrépido jornalista, que também possui o hábito de apreciar fatos pitorescos fora das quatro linhas, deu uma leve observada na encardida arquibancada. Em meio aos pouco mais de 150 torcedores, um grande grupo de fanáticos (cerca de oito) esgoelavam-se, na maior empolgação, uma canção que não soava estranho aos ouvidos do profissional.

Tal estranheza se dava pois, na mesma época, um novo hit da torcida do Vasco ecoava com toda força. Com os gritos de "vou torcer para o Vasco ser campeão, São Januário, meu caldeirão" os cruzmaltinos empurravam sua equipe em busca de, na época, uma vaga na Copa Libertadores(mal sabiam eles o que viria pela frente).

Como o sol, incrivelmente, não estava forte nesse dia(acreditem, estava nublado em Bangu!), Mandarini logo concluiu que não estava tendo nenhum tipo de alucinação. Era isso mesmo, os banguenses, fervorosos, bradavam: "vou torcer para o Bangu ser campeão, Moça Bonita, meu caldeirão!".

Bola rolando, eles continuavam lá, alentando com todo o gás. Enquanto isso, no gramado, um jogador do CFZ vivia seu momento nostálgico. Ao ver que uma pipa caía sobre a grama, pegou na linha, e empinou com toda a destreza o objeto de vareta e papel, tão comum no céu suburbano, para desespero do técnico, que o repreendeu por sua atitude travessa.

Fim de primeiro tempo, e a galera deu uma pausa para o lanche. A promoção da cantina fazia sucesso. Por R$0,50 você apreciava um delicioso salgado, que, pela quantidade de pessoas que se formaram na fila(não ficou ninguém na arquibancada)a qualidade não era duvidável.

A partida recomeçou e os torcedores estavam lá, empolgadíssimos com a canção. Um jovem de medidas avantajadas era o mais entusiasmado, tinha toda a pinta de que era o "compositor" do grande sucesso de Moça Bonita. Enrolado à bandeira do Bangu, ele entoava o outro trecho da música.

"Contra o Fluminense, no Estadual, gol do goleiro, não foi ilegal". Pois é, rapaziada. Ele reservou um espaço para demonstrar toda sua indignação com a desclassificação do Alvirrubro no Caixão 2002.

Para quem não lembra, nesse ano uma grande confusão na Ferj bagunçou o campeonato, que ficou desvalorizado. Na semifinal, entre Fluminense e Bangu, o jogo se arrastou num insosso 0 a 0 até a prorrogação. No segundo tempo dela, o bravo goleiro Eduardo se arriscou na área para tentar o cabeceio, já que o empate não favorecia ao time da Zona Oeste. Bola alçada na área, ele subiu e marcou. Porém, para o desespero dos torcedores, o juíz marcou mão na bola, dando fim ao sonho da equipe de chegar à final.

Apesar de toda a polêmica, a verdade é que a música empurrou, de fato, o Bangu naquele dia. O time venceu por 2 a 0 o CFZ. Mais tarde, a simpática equipe não conseguiria ir muito além no campeonato e iria continuar amargando a Série B do Carioca, mas, naquela quarta-feira cinzenta, o caldeirão de Moça Bonita realmente ferveu.


A MÚSICA:

Vou torcer pro Bangu ser campeão
Moça Bonita, meu caldeirão!
Contra o Fluminense no Estadual,(gol de quem?!)
Gol do goleiro
Não foi ilegal!


Texto: Postado por Bruno Braz.
Fonte: Coluna "Na Arquibancada" (Blog dos colunistas), publicada no Lancenet, em 08/12/2007.

     
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