Rio de Janeiro, sábado, 21 de outubro de 2017 - 19h06min
Clube
História
Estádios
Símbolos
Presidentes
Futebol
Jogos
Títulos
Atletas
Técnicos
Competições
Informação
Livros
Crônicas
Reportagens
Por onde anda?
Estatísticas
Gerais
Confrontos
Campanhas
Ranking CBF
Competições
Multimídia
Fotos
Áudios
Vídeos

» 1ª Página » Informação » Crônicas


MICOS-LEÕES-DOURADOS

Em todo o mundo, os simpáticos miúdos correm perigo, especialmente no futebol nacional

VERDE LEITOR, rosada leitora, vocês lembram do mico-leão-dourado? Aquele simpático macaquinho que virou o símbolo das espécies em risco de extinção no Brasil?

Pois no futebol nacional também há alguns micos-leões-dourados.

Na Bahia, por exemplo, temos o Galícia, time fundado por imigrantes espanhóis e que ganhou cinco Estaduais e nove vices. Ou seja, é um time com história respeitável. E revelou jogadores como o lateral-direito Toninho, da seleção de Cláudio Coutinho, e os atacantes Washington e Oséas.

Mas em 1999 o Galícia caiu para a segunda divisão e acabou desativando o departamento de futebol. Voltou apenas em 2006. No ano passado, entre os seis clubes que disputaram a segunda divisão baiana, ficou em segundo lugar. Dolorosamente, só o campeão subia.

O charmoso Bangu também está em risco de extinção. E seria uma pena, pois perderíamos o campo com o mais belo nome do país, o romântico estádio de Moça Bonita. O time foi campeão carioca em 33 e 66 e vice brasileiro em 85, teve craques incontestáveis como Zizinho e Domingos da Guia, mas caiu em 2004 e não conseguiu mais subir.

Outro mico-leão-dourado carioca é o vetusto São Cristovão, de 110 anos de idade. O campeão de 1926 teve a glória de revelar Ronaldo Fenômeno, mas está há mais de dez anos na segunda divisão carioca. E, tristemente, no ano passado ficou só em décimo lugar na Segundona.

O Ypiranga, time de Jorge Amado, fundado em 7 de setembro de 1906 por trabalhadores negros e pobres, também está na lista dos clubes em perigo. Já foi dez vezes campeão e dez vezes vice na Bahia, mas em 2006 foi o último colocado da segunda divisão. E em 2007 nem participou do campeonato.

O América mineiro, que enverga uma das camisas mais bonitas do país e teve jogadores como Tostão, Fred e Tancredo Neves, também pode estar começando a correr perigo.

O time foi o último colocado da primeira divisão em 2007, foi rebaixado e hoje ocupa um modesto quarto lugar na segunda divisão. Quinze vezes campeão estadual (dez delas seguidas!), o América pode estar começando a traçar o mesmo caminho de Ypiranga e Galícia. Mas tem um bom patrimônio, e isso ajuda muito.

Micos-leões-dourados também pululam pelo interior de São Paulo.

É o caso do Jabaquara, clube que revelou Gilmar e Baltasar. O Jabuca era tão bom que quase matou uma lenda. Explico: é que, na decisão de uma espécie de torneio municipal de juniores, um garoto do Santos chamado Edison (com "i") perdeu um pênalti contra o Jabaquara. O erro custou o título. O menino ficou tão desiludido que fez sua malinha e quis voltar para Bauru. Por sorte, foi impedido pelo roupeiro e virou Pelé.

Hoje em dia, o Jabaquara está na quarta divisão e vários jogadores sem clube usam seu campo para treinar. Ironicamente, Jabaquara significa "refúgio dos fugitivos".

Mas os micos-leões-dourados não são exclusivos do futebol. Grandes cervejarias compram as miúdas, shoppings acabam com as pequenas lojas de bairro, empresas globais engolem as locais.


Texto: José Roberto Torero
Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 04/03/2008.

     
Livros
 
Estatísticas
 
Jogos 4.133
Vitórias 1.728
Empates 979
Derrotas 1.426
Gols Pró 7.305
Gols Contra 6.332
Saldo de Gols 973
Artilheiros
 
Ladislau 231
Moacir Bueno 203
Nívio 152
Menezes 137
Zizinho 125
Luís Carlos 119
Paulo Borges 109
Décio Esteves 98
Arturzinho 93
Marinho 83