Rio de Janeiro, sábado, 16 de dezembro de 2017 - 05h08min
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MEU DEUS! GANHAMOS!

 

"Em Bangu se o clube vence há na certa um feriado..."

E o Bangu venceu e era realmente feriado. O hino de Lamartine Babo, datado de 1949, previa o jogo deste sábado, sem dúvida alguma. Quem foi a Moça Bonita (e muita gente foi) deve ter saído de alma lavada. Recebi ligações de pessoas dizendo que o clima era igual ao da década de 80, com muitos carros, bandeiras, muita festa. Eu, aqui no meu exílio em Brasília, fiquei escutando o jogo por uma rádio de Aperibé que chegava com 10 minutos (!!!!) de delay.

Mas eu já cantava a vitória há uma semana. Depois da vitória sobre o Tigres eu já sabia que seria campeão no dia 15 de novembro. Eu já falava isso, enchia o saco dos meus companheiros de trabalho. Eu só pensava nisso. Jamais fui tão banguense quanto nessa semana. Eu me via várias vezes gritando "tricampeão! tricampeão!" pelas ruas. Dizia na redação: "Sábado eu serei campeão".

E quando o Vitor Moniz - popularmente chamado de Vitor Bangu - me ligou avisando que Bruno Luís fizera 1 x 0, eu tirei um peso das costas, assim como todo banguense. Estava detestando a idéia de ser vice-campeão. Bruno Luís, é bom que se diga, é o nosso Ladislau, o nosso Paulo Borges, o nosso Jorge Mendonça, o nosso Marinho dos tempos atuais.

Depois, logo em seguida, enquanto a rádio de Aperibé ainda narrava um chato 0 x 0, Vitor Bangu me ligou novamente. Fizemos 2 x 0, justamente com Sassá, de quem eu sempre fui crítico. Dizem que foi um gol que até minha avó fazia, mas foi um gol de título, um gol de explosão, que deixou a galera banguense - e nessa hora eu imagino o Fábio Labre - com a certeza de que éramos o melhor time do mundo.

Sim, eu não tenho dúvidas de que só um Hércules do futebol pode ganhar um torneio gigantesco de 26 clubes, com várias fases, com 30 jogos, com muita gente torcendo contra, com equipes tão niveladas. O título do dia 15 de novembro foi um dos momentos mais marcantes da nossa história, foi um dos mais suados.

Depois de gritar feito um louco, comecei a ligar para várias pessoas para dividir a minha alegria - Paulo Roberto foi um dos responsáveis por minha conta vir mais alta no final desse mês. Tinha que sair de casa, mostrar para a rua que o Bangu era o maior time do mundo. Aqui nessa Capital Federal que ninguém sabe nem que existe o Bangu, eu peguei o carro, coloquei o CD com o hino do clube no volume máximo, vesti a camisa, peguei a bandeira - doação do amigo Eugênio Castelo Branco - e saí por aí. Sei que em Padre Miguel tinha até carreata. Aqui era só o meu carro. Músicas do título de 66 também tocavam no CD. "E hoje, com alegria no meu coração, eu grito bem alto, o Bangu é campeão..."

Sei que no final a bandeira virou um saiote, que eu fui parar numa festa com um bando de gente que eu nunca tinha visto, que eu tive que explicar que eu estava naquelas cores e naquele estado de êxtase porque um time fundado por ingleses em 1904 tinha sido novamente campeão. E que naquele momento eu me sentia o sujeito mais feliz do mundo, assim como vocês aí ainda devem estar com a camisa vermelha e branca no corpo.

Temos que reconhecer que este ano nossos dirigentes foram profissionais, que pensaram realmente no acesso, contrataram o técnico campeão certo, trouxeram - com muito esforço - bons jogadores que se mostraram gigantes na hora certa.

Cléber Moura, Valdir, Abílio, Edinho, Baiano, Fred, Tiago Costa, Beto, Vitor Hugo, Bruno Luís e Sassá já garantiram lugar na minha galeria de heróis.

Nós somos os campeões! Nós é que somos banguenses!


Texto: Carlos Molinari, pesquisador da história do Bangu Atlético Clube, 16/11/2008.

     
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