Rio de Janeiro, sábado, 19 de agosto de 2017 - 06h20min
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BANGU EM NOVA ENCRUZILHADA

Expira dentro de poucos dias o mandato da atual Diretoria e nem parece que haverá eleição no Bangu, tal o clima de entendimento e confiança reinante no seio da família banguense.

O ambiente de paz e harmonia em nosso querido Clube resultou do acendrado espírito democrático manifestado pelo nosso admirável Patrono, desde quando começou a arrumar a casa, encontrada com os adeptos completamente desarvorados pelo incêndio nas arquibancadas, que destruiu o fruto da abnegação dos seus fundadores. Qual Fenix, o Bangu teria de ressurgir das suas próprias cinzas. Para tanto, teve que exercer a Presidência durante sucessivos mandatos, já que tomara, por iniciativa própria, o compromisso de honra de eternizar o nosso ideal, ainda que para isso tivesse que custear a construção de uma moderna praça esportiva. Dai a denominação do nosso Estádio, materializando a homenagem com a sua eleição para Patrono, a fim de constituir, como é fácil compreender, a mínima prova de reconhecimento e gratidão a êsse valoroso capitão da nossa indústria, que tanto tem dignificado o patriótico nome da Companhia Progresso Industrial do Brasil.

Completada a sua grande obra de soerguimento, devolveu a direção do Clube aos seus próprios associados, pois para poder alcançar a sua meta, fase em que os sacrifícios seriam redobrados, o seu recrutamento para os cargos diretivos se faziam quasi compulsóriamente entre seus próprios empregados.

Aceitamos o desafio. A revolução idealizada pelo nosso Patrono prosseguiu e já na primeira administração verdadeiramente autônoma, de 1957/1958, o patrimônio do Clube foi enriquecido com as primeiras substanciais contribuições materiais exclusivamente dos associados: os refletores, diferentes de todos os demais existentes no país.

Indiscutivelmente, de lá para cá o Bangu mudou muito de posição no cenário esportivo, como provam as suas façanhas, em campos nacionais e até no estrangeiro, acumulando títulos altamente honrosos. Quando o nosso time entra em campo, ultimamente, no Maracanã, o adversário treme. Conquistamos a simpatia do público, que nas decisões dos títulos passa a torcer pelo nosso triunfo, ainda que tenhamos sofrido seguidas frustações. Isso porque jogamos limpo. Tivemos que defender os nossos interêsses com firmeza, com ardor e até com veemência, que alguns confundiram com violência.

Agora nos encontramos em encruzilhada semelhante, decorridos 29 anos.

Um banguense autêntico, arrastando tôda a série de sacrifícios e vicissitudes, nos levou à situação invejável que alcançamos. Mas a sua saúde combaliu. As emoções do esporte são paradoxais: enche-nos de alegria, mas sacrificam-nos a saúde, ainda que, a meu ver compensadoramente.

Tenho a rara felicidade de haver assistido ao pavilhão alvi-rubro tremular vitorioso em várias praças esportivas de três continentes, e se o Bangu vier a jogar na Ásia ou na Oceânia, únicos onde ainda não ofereceu seus espetáculos, peço a Deus que não me leve antes disso. Posso contar pelos dedos o número de jogos oficiais do Bangu a que deixei de assistir no Rio e, se recorrer aos dos pés, generalizarei amistosos também.

Tendo cumprido, nos limites das minhas indisfarçáveis deficiências, as mais variadas funções diretivas e tôdas as missões que me confiaram e completado, exatamente hoje (15 de novembro), o 40º aniversário do dia em que assisti ao primeiro jôgo, no qual aliás sofremos o contundente revés de 4 x 1 para o Vasco da Gama, êsse resultado desfavorável foi o suficiente para inflamar o meu natural idealismo.

Com essa autoridade, que vaidosamente julgo possuir, ainda que já tenha voltado as arquibancadas, tomo a liberdade, confiando no espírito de tolerância de meus admiráveis companheiros de Clube e de ideal, de sugerir uma retribuição e uma manifestação de gratidão ao nosso valoroso Presidente.

Faltam poucos dias para a eleição, e por estima e consideração que lhe devotamos, tôdas as candidaturas à sua sucessão foram logo sufocadas pelos próprios candidatos, não fossem êles também banguenses autênticos.

Parece incrível, mas há alguns dias do pleito, por imposição estatutária, ninguém fala em eleição.

Constitue demonstração irrefutável de que desejamos, ardentemente, a sua permanência por mais alguns dias, ou o tempo que fôr possível, enquanto suportar a sua saúde, dirigindo os nossos destinos, pois, banguense autêntico como êle é, a sua renúncia só ocorrerá no seu último dia de vida.

Se motivos imponderáveis, porém, vierem a tornar impossível a concretização dêsse nosso sonho, então a reafirmação do nosso eterno reconhecimento e gratidão, a quem tanto contribuiu para a grande projeção do nosso Clube, últimamente, só poderá materializar-se elevando-se para o lugar que com tanta dignidade e sacrifício ocupa, de fato e de direito o sangue de seu sangue.

Texto: Fausto de Almeida
Fonte: Revista Bangu em Revista, dezembro/1966.

     
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