Rio de Janeiro, sábado, 21 de outubro de 2017 - 19h09min
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NAS FÉRIAS DO FUTEBOL, UM JEITO PARA CANTAR O BANGU

As férias do futebol são péssimas para o colunista. Armando Nogueira chegou a desabafar, certa vez: "Não sofro da mania de perseguição, mas, de quando em quando, desconfio que o recesso do futebol no Maracanã faz parte de um plano sinistro para tirar-me o ganha-pão. Chega janeiro, os homens recolhem as bolas, descem a picareta no campo e fico eu obrigado a esse trabalho braçal de produzir crônicas e mais crônicas sobre o jogo que não houve e, pior ainda, sobre o próximo que não haverá".

Os colunistas, porém, têm as suas compensações. Livres de acompanhar o dia-a-dia do futebol até porque não há dia-a-dia - podem apresentar ao leitor um tema como o de hoje, oferecido pelo leitor Jairo L. Salles: um poema sobre o Bangu. Como se sente um torcedor do Bangu? É o que procura definir o nosso Jairo em seu poema "Ser Bangu":

"É não ser time pequeno/Não conseguindo ser grande É ser clube proletário/Sem a torcida do operário/É ser clube de fábrica/Sem conseguir fabricar torcida/É um time de mulatinhos rosados/Com a pouca simpatia dos mulatinhos/E também a dos rosado e É ter no vermelho e branco/As cores. da nação "potência"/E jogar sem prepotência/É ter preso na garganta/Um gol de campeonato/Para libertá-lo/De quando em vez/Em 33... em 66.../É esperar por um patrono/Alguém que faça a de dono/Realizando apenas por amor/Como no caso, o Castor/É a equipe numa boa/Lutar, num só domingo, duas vezes/No campo, contra o time oponente/E, na arquibancada, contra a torcida adversária, renitente/E haja coação: Mengo! Mengo!/E haja coração: Nense! Nense!/E haja determinação: Vasco! Vasco!! E haja resolução: Fogo! Fogo!/ E haja abnegação: Sangue! sangue!/Convenhamos, é exigir demais/De simples mortais/Perdemos lances fatais/Lá se foi mais um campeonato/E o Bangu?/Não foi campeão/Mas, de quando em vez.../ Em 33.. em 66...".

Jairo enviou o seu trabalho para este Papo de Esquina com a humildade revelada em seus versos: "se achar conveniente, publique"; "haverá o risco enorme de o artigo, nesse dia, ser lido apenas em consideração à esta coluna, já arraigada ao hábito carioca". É a chamada humildade bangüense. Se fosse um poema em homenagem ao Flamengo ou ao Vasco, é provável que nem fosse transcrito, pois não se constituiria em nenhuma novidade. Mas, em homenagem ao Bangu, não deixa de ser um assunto jornalístico: noventa por cento da torcida carioca, comprometida com os demais clubes, não sabe, provavelmente, como se sente um torcedor do Bangu. E esse sentimento,sem dúvida, aparece no poema do leitor. Não me cabe discutir os méritos literários do poema, mas que ele é verdadeiro, isso é. E reflete o sentimento não só do Jairo, como daquele torcedor que comparece a todos os jogos do clube e de gente importante, como Jorge Amado que, ao lado de Adonias Filho, defende as cores bangüenses na literatura brasileira. Jorge Amado só não freqüenta o Maracanã e Moça Bonita porque não mora aqui. Mas é um leitor constante do noticiário esportivo para saber as novidades do seu time. Sei que Leonel Brizola também torce pelo Bangu. Mas sei também que ele não liga para futebol. Portanto, não está no poema.

Texto: Sérgio Cabral.
Fonte: Coluna Papo de Esquina - Publicada na Revista Bangu e Suas Glórias, Ano I - novembro/1981.

     
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