Rio de Janeiro, sábado, 21 de outubro de 2017 - 19h03min
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UM GOL DE SUPER-PLACA

É evidente que os tempos estão mudados. Antigamente o futebol era um esporte renegado. As famílias impediam de tôda a forma que seus filhos praticassem um divertimento tão "grosseiro". E por isso tudo lhe era muito mais difícil e, conseqüentemente, os seus feitos, mesmo os mais gloriosos, ficavam nos arquivos dos clubes e na memória dos seus poucos adeptos. Conta-se, até, com característica de veracidade, que o jogador Amarante, do Flamengo, aí por volta de 1913 ou 1914, fôra obrigado a trocar de nome porque o seu pai andava a buscá-lo nos campos de futebol, bengala em punho, para exemplá-lo, e ensinar-lhe a obedecer as suas ordens. Por causa disso passou a chamar-se Zalacain... E nunca mais foi importunado... Nos dias de hoje isso seria impossível.

A partir, porém, de 1914, com a disputa da Copa Roca, entre as equipes representativas do Brasil e da Argentina, as cousas começaram a melhorar. A imprensa que era tôda das regatas e das corridas de cavalo, começou a dar um pequenino espaço em suas folhas ao detestado futebol. Mas muito pouco... Noticiário apenas de resultados de jogos, e quasi nada mais.

Foi num cenário dêsses, embora já não tão hostil, que sucedeu o fato que vamos contar.
Num jôgo São Cristovão x Bangu, realizado na Rua Figueira de Meio, a 26 de Maio de 1918, Antenor, famoso ponta esquerda, do Bangu, fez um gol, de cabeça, numa bola centrada por êle mesmo da linha de fundo do campo.
 
Isso contado assim com essa singeleza não impressiona o suficiente para despertar o entusiasmo exigido pelo seu ineditismo. Na realidade, porém, a história do nosso futebol não registra em seus anais feito semelhante. O gol de Antenor até hoje não foi repetido. Está puro e santo...

Pelé, o super-crack dos tempos atuais, tem placa comemorativa, no Maracanã, porque certa vez recebeu uma bola no círculo central do gramado e foi com ela até o gol adversário fazendo-a penetrar entre os três páus, sem apelação possível, num jôgo do Santos. Feitos iguais ao de Pelé, entretanto, muita gente também já fez. Benedito Dantas, no Bangu; João Cantuária, no São Cristovão; Oswaldinho, no América; Nilo Murtinho, no Botafogo; Russinho, no Vasco; Ademir, no Vasco; Isaias, no Madureira... E lá em São Paulo, no teatro dos maiores feitos do notável jogador emplacado no Maracanã, Friendenreich, grande campeão do passado, fez gols assim muitas vezes.

Gol, porém, igual ao de Antenor, só êle fez... Gol que a figura de um triângulo isósceles explicaria como poude êle percorrer, mais rápido que a bola, a terceira linha, justamente a que fechava o triângulo, recebendo a bola que êle próprio centrára.

O assombro, contudo, está no cálculo feito. Na rapidez e segurança do raciocínio, isto é, de sentir, em fração infinitesimal de segundo, que poderia chegar antes da bola, como de fato chegou, para conquistar um gol imortal.

Êsse gol nos tempos atuais seria cantado em prosa e verso; seria esquadrinhado de baixo para cima, de cima para baixo, desenhado, fotografado, caricaturado, o diabo...

No entanto, por ter sido feito por Antenor que era jogador do Bangu, num jôgo com o São Cristovão, ambos sem o favor promocional da imprensa, ficou esquecido. Ou melhor, nunca foi lembrado como causa digna de nele se falar.

Mas os que tiveram a ventura de testemunhá-lo sabem que êsse gol que foi feito para a história está arquivado em nossos corações, e que se o fizesse nos dias atuais o mundo inteiro dele teria notícia...

Zé de Matos, Chiquinho Pereira, Luiz Antonio, Bolão e Frederico ainda estão vivos e podem testemunhar-nos.

Leitão, Patrick, Waldemiro, Cassaú, Feliciano e Antenor, já estão do outro lado da vida. Estão dizendo, de lá, com tôda a certeza: inverossímel mas verdadeiro.

Texto: Paschoal José Granado
Fonte: Revista Bangu em Revista, dezembro/1966.
     
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