Rio de Janeiro, sábado, 19 de agosto de 2017 - 06h17min
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HONRA AO MÉRITO

Caro leitor, caríssima leitora, escrevo estas linhas antes do jogo entre Santos e São Paulo. Não sei se a equipe que terminou a primeira fase do torneio como líder passou ou não pelo meu time. De qualquer modo, deixo cá minha opinião.

É mais justo, dizem uns. Transforma todas as partidas em decisões, dizem outros.
Concordo com uns e outros. Por mais que se diga que o charme do futebol é sua imprevisibilidade, fica uma sensação esquisita quando uma equipe que demonstrou menos méritos ao longo da competição ergue a taça em lugar daquela que obteve mais pontos.

Não será uma simples crônica que fará mudar a opinião dos adeptos das fórmulas caça-níqueis, mas, só para apimentar a discussão, lembrarei aqui algumas ocasiões em que o time de melhor campanha no Brasileiro acabou sendo castigado pelos quadrangulares, pelos hexagonais, pelos octogonais, pelas cobranças de pênaltis e por outras formas de decisão que dão margem a questionamentos.

A primeira vez que isso ocorreu foi em 1974, quando o genial Cruzeiro de Nelinho, Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes e Palhinha perdeu para o apenas eficiente Vasco de Moisés, Alfinete, Jorginho Carvoeiro e, ufa!, Roberto Dinamite. O time mineiro ponteou durante todo o torneio, mas aí, por uma razão que me custa entender, a decisão foi jogada no Maracanã, onde o Vasco venceu por 2 a 1.

Em 1977, o Atlético-MG chegou à última rodada com oito pontos a mais do que o São Paulo. No Mineirão, o esforçado time paulista segurou o 0 a 0 bravamente e aí, graças a são Valdir Perez, levou o título nos pênaltis.
Já em 1981 o feitiço virou contra o feiticeiro, e o São Paulo foi castigado. O time de Serginho e Zé Sérgio fez dois pontos a mais do que o Grêmio de Baltazar. Mas, no segundo jogo, no Morumbi, o clube paulista foi derrotado por 1 a 0. Gol de quem? De Baltazar.

Até o meu Santos, acreditem, teria sido campeão pelo sistema de pontos corridos em 1983. Com um time experiente e pragmático, o Peixe terminou o torneio um ponto à frente do Flamengo de Zico. Pena que, na decisão, o time perdeu a cabeça e o jogo (3 a 0).

1985 marcou uma das maiores injustiças da história do Brasileiro. O Bangu, que terminou como vice-campeão, chegou à final contra o Coritiba tendo feito 16 pontos a mais que o adversário. Dezesseis! Mas, mais uma vez, os pênaltis se encarregaram de punir o melhor desempenho.

No ano seguinte, a vítima foi o Guarani, que tinha Marco Antônio Boiadeiro, Evair e João Paulo. O beneficiado, outra vez, foi o São Paulo. Os seis pontos à frente não serviram para nada e, na final, o Bugre não teve forças para segurar uma vantagem de 3 a 2 no Brinco de Ouro. Cedendo o empate, acabou derrotado nos pênaltis.

Em 1992, foi a vez de o Botafogo lamentar a fórmula de disputa. Mesmo com seus dois pontos a mais, o time de Márcio Santos, Carlos Alberto Dias e Valdeir não conseguiu superar o Flamengo de Júnior na decisão. Resultado: teve que se contentar com o vice.

Não se trata de questionar os títulos de Vasco, São Paulo, Grêmio, Flamengo e Coritiba, conquistados de acordo com as regras estabelecidas à época. Aqui só realço um detalhe: o fato de que, em 31 edições do Nacional, sete ficaram com o gostinho amargo, senão da injustiça, da dúvida. Qual a solução para isso?

Os pontos corridos.

Texto: José Roberto Torero (Colunista da Folha)
Fonte: Folha de São Paulo, 29/11/2002.
     
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