Rio de Janeiro, segunda-feira, 26 de junho de 2017 - 04h03min
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O NOVO GRANDE DO FOOTBALL CARIOCA

Há quem não queira ver o Bangu grande. Sabendo, inclusive, que não adianta, que o Bangu já é grande.

No fundo é aquela velha resistência à nobreza nova. Os condes e barões mais antigos achando que devem ser os únicos condes e barões. E mesmo os plebeus torcendo o nariz. Por tradição aceitamos os antigos condes e barões que sempre conheceram como condes e barões, mas não aceitando os novos, resistindo a ter neles nobres. Sobretudo porque esses novos nobres foram como eles. Plebeus como eles. O Bangu, embora sempre clube de fábrica, tem um direito, que por assim dizer nasceu com ele, de um título de nobreza do football carioca. O football carioca não tem quatrocentos anos, como certos troncos de nobreza brasileira. Não se pode usar em football carioca ou brasileiro a expressão que enche a boca de muito portador de nome de aristocracia bandeirante: paulista de quatrocentos anos. O Fluminense que foi a origem do football carioca vai agora completar o cinqüentenário. O Fluminense nasceu com o football carioca e não de maior título de nobreza no football carioca. Mas dos que ficaram o Bangu é o segundo. Tem alguns meses mais do que o Botafogo. É verdade que outros, a partir do patriarca do football carioca, cresceram mais. São grandes há mais tempo. Em football porém, a grandeza nada tem que ver com idade.

A grandeza do Vasco em football data de 23. E em 23 ninguém acreditava que pudesse aparecer mais nenhum grande. Tanto que o Bangu repete o Vasco. É negado e combatido como foi o Vasco. Fala-se do dinheiro do Bangu como se falou no dinheiro do Vasco. No dinheiro dos Silveirinhas - o Guilherme e o Joaquim - como se falou no dinheiro do português. E a conseqüência vem sendo a mesma. O Vasco tornou-se maior por necessidade. Foi de um certo modo obrigado a ser orgulhoso. A ostentar grandeza. Quando se ridicularizava o Vasco, "entra Basco que o meu marido é sócio", o que se queira era assustar o português. Para que o português desistisse de fazer o Vasco. O português tomou o pião na unha, tratou de empurrar mais o Vasco para frente. Hoje o Vasco não é conde nem barão: é duque do football carioca.

Quando se fala no dinheiro dos Silveirinhas - do Guilherme e do Joaquim - o que se quer é assustá-los. Fazê-los arrepiar carreira. Mas o ideal é de tornar o Bangu grande não por um capricho de moços ricos. O Bangu que não tem os cinqüenta anos do Fluminense, tem quarenta e oito, que nasceu logo depois de nascer o football carioca, merecia ser grande. Nobre já era. Só que era do subúrbio, um clube de fábrica, como se dizia. Vários clubes foram de fábrica mas só o Bangu continuou para poder ser grande agora. Para ser grande agora. Com um pouco mais ninguém estranhará mais em ver o Bangu grande, por mais que o Bangu cresça. Os pequenos deixarão de olhar o Bangu como um trânsfuga e os grandes deixarão de olhar o Bangu como um arrivista. O Bangu nunca foi uma coisa nem outra. Clube algum se tornou grande sem um Silveirinha, com mais ou menos dinheiro. Clubes houve que tiveram vários Silveirinhas. Só que não precisaram dar tanto, já que os Silveirinhas se sucediam, um passando o bastão a outro. A diferença está apenas em que os Silveirinhas do Bangu chegaram depois. E são dois somente. Mas são Bangu. Dizem - e esta a maior acusação que lhes fazem - que dão demais. Como se alguém pudesse dar demais pelo esporte. Pelo esporte dá-se o que se pode. E se os Silveirinhas podem dar ao Bangu o que dão, mais do que o Bangu, quem lucra com isso é o esporte.

(*) Crônica escrita pelo jornalista Mário Rodrigues Filho no aniversário de 48 anos do Bangu, em 1952, analisando o momento que vivia o clube e as glórias que colecionava graças ao empenho do nosso Patrono Guilherme da Silveira Filho e do Benemérito Joaquim Guilherme da Silveira.

     
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