Rio de Janeiro, sábado, 19 de agosto de 2017 - 06h23min
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O PRIMEIRO... E O MAIS...

O primeiro presidente do nosso Clube foi William French, um inglês clássico que fumava cachimbo e falava pouco, quase taciturno que nunca se familiarizou com a língua da nova pátria, ao contrário do seu conterrâneo Guilherme Procter que se esqueceu, por completo, da língua materna: falando apenas a portuguesa.

Naquele longínquo 1904, em que a vida era muito mais difícil do que hoje, qualquer cidadão de ânimo fraco baquearia na direção de empreendimentos, por menores que fossem, que exigissem pertinácia e convicção para levá-los à frente e engrandecê-los. Só mesmo um inglês da têmpera do velho French seria capaz de enfrentar as borrascas que desabariam sobre o nosso Bangu quando despontava para a vida longa e gloriosa.

Os ingleses que foram os seus fundadores, dirigiram-no até 1914, com proficiência e honestidade nunca postas em dúvida. Foi fase pioneira e dos maiores sacrifícios. Tirava-se água de pedra... Mas...

O primeiro brasileiro que quebraria a dinastia dos ingleses, e isso em 1915, foi Noel de Carvalho, vindo do Estado do Rio, ou melhor, de Rezende. Era escritor, poeta e orador de indiscutíveis méritos aliando tudo isso as virtude e qualidades de um homem dos esportes, sobretudo.

O seu período administrativo distinguiu-se pela força moral e elevadas atitudes postas a serviço do Bangu e do desporto, tendo como prioridade a defesa do jogador preto, que os clubes tentavam de todos meios e modos afastar das lutas gramado a dentro, porque de seus quadros sociais, já os pretos tinham sido banidos há muito tempo ou neles nunca tiveram ingresso. A defesa constante que fêz do homem preto, jogador de futebol reavivou nele o abolicionista íntegro e pugnas, expontâneo e intransigente defensor da raça negra, na qual via gente tão boa e tão útil quanto a gente da raça branca, faltando-lhe somente a instrução adequada, que lhe negavam, para tornar-se um válido social. Entretanto...

O mais moço dos Presidentes do Bangu foi o Ministro Ary de Azevedo Franco. Era de Paracambi, no Estado do Rio.

Aos vinte e um anos foi guindado ao posto máximo, na direção do Clube. A dizer bem, era tão jovem que, às vezes, sentia vergonha de comandar as Assembléias Gerais, delegando poderes a outros mais antigos para as dirigir. E essa era a sua principal característica: uma encantadora modéstia.

Mais tarde, quando já Ministro do Supremo Tribunal Federal, não evitava, ou antes, falar ou cumprimentar, ao encontrar-se nas ruas, ou em outra qualquer parte até no recinto do Supremo, as pessoas que conhecera na sua juventude, toda ela vivida em Bangu. Deu ao nosso Clube prestígio e respeito. Mas...

O primeiro carioca, e presidente de mandato mais longo, foi o Dr. Guilherme da Silveira Filho, nosso Patrono. Até hoje é o homem decisivo na vida do Clube. A sua jornada, na Presidência, não sofreu solução de continuidade, praticamente. Está hoje em 1973, como se estivéssemos em 1937, enfrentando galhardamente as dificuldades que o Clube atravessa, sem queixas e sem azedumes. É o nosso bastião... Entretanto...

O primeiro banguense, isto é, o primeiro homem nascido em Bangu, a ocupar a presidência do Clube foi o Dr. José Vital, que deixou o posto recentemente por término de mandato. Custou a vir mas veio bem...

O Bangu, que foi fundado à 17 de Abril de 1904, só viria a ter um presidente filho de suas terras em 9 de novembro de 1971, ou seja, 67 anos depois.

Foi o homem providencial. Quando o Bangu, mergulhado numa das suas maiores crises, maior mesmo que as de 1907 e 1917, procurou-o para gerir os seus destinos, José Vital nem pestanejou. Estava em jogo o Clube do seu coração. Viver ou morrer era o dilema de fogo a ser enfrentado. E José Vital fez a opção:
 
- Viver, sim... Enquanto houver um banguense da minha estirpe o Bangu não morrerá...
 
E desandou a trabalhar, pois sem o trabalho nada se constroe. Ele e, agora, a sua famosa equipe e alma à luta que lhe exigia a presidência do Bangu. Não parou enquanto não viu debelada a terrível crise que chamaremos, daqui para diante, a de 1917.

E, apesar de sua atividade de médico muito solicitado, entregou-se de corpo.
 
Abrindo-se um curioso parênteses: SETE é um número fatal para o Bangu.
 
Ele aparece três vezes marcando situações anormais na nossa vida. Em 1907, a célebre questão dos ingleses que chegou a provocar a sua desfiliação da Liga Metropolitana. Salvou-se o inesquecível Andrew Procter, a quem o Bangu trabalhando o resto da sua vida não, não vai pagar, em amor e dedicação, o que lhe deve.

Em 1917, foi a ajuda da Fábrica que não o deixou sossobrar, dando-lhe a admirável administração de Firmino de Carvalho. E em 1971, que está quente ainda, foi José Vital quem o tirou de um rebaixamento inexplicável. Em todo estes anos, porém, o número SETE não deixou de marcar a sua indesejável presença. E, por outro lado, o Bangu foi campeão em 1911 e 1914, na segunda divisão e campeão em 1933 e 1966, já na era profissionalista, e em nenhum dos anos citados aparece o número SETE. Influência negativa do número SETE ou simples coincidência?

Agora, entretanto,a crise de 1971 está vencida. José Vital, cujo nome significa o que dá e conserva vida, se encarregou de colocar tudo em seus lugares. E o fez com a sabedoria a grandeza d'alma que Deus lhe deu.

Texto: Paschoal José Granado.
     
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