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ZÓZIMO
ALVES CALAZANS
Corria
o ano de 1932 quando ele nasceu. Para os mais
desavisados (que somos quase todos nós,
simples mortais) era mais um menino, dentre
tantos outros. Mas o tempo foi passando e o
menino se distinguia dos demais: bom de bola,
bom de escola, era a alegria de todos os que
com ele tomavam contato. Corria o ano de 1948
quando ele apareceu no São Cristóvão:
bom físico, bom nível cultural,
talhado para a posição de armador,
mistura de pensamento e ação,
cabeça e pé em harmonia para um
tratamento perfeito que a pelota merecia.
Quis o destino (e os nossos dirigentes) que
o Bangu passasse a ser o seu lar. Era então
o ano de 1950.
E o Brasil acordou para a sua genialidade. E
seu nome passou a ser uma constante, cada vez
que era necessário fazer a escolha dos
melhores. Em cada Seleção convocada,
invariavelmente estava o seu nome. Não
mais como armador, mas como quarto zagueiro,
posição a que tinha se dedicado.
Ao contrário da maioria dos jogadores
da época, o seu desenvolvimento não
se fazia apenas em relação aos
pés: desenvolvia-se culturalmente, ficava
tão alegre ao receber uma aprovação
nos diversos cursos que freqüentava quanto
ao receber os aplausos dos torcedores a cada
nova boa jogada. Elegante ao andar normalmente
pelas ruas, ao pelejar contra os adversários,
ao tratar da bola. Cabeça erguida sempre
(ou não é esta a marca registrada
dos que são seguros de si?).
Quando, em 1958, foi convocada a Seleção
Brasileira para a disputa da Copa do Mundo,
lá estava novamente na lista o seu nome.
Em nome de uma idéia que até hoje
é alvo de discussões, o técnico
colocou-o no banco de reservas. O titular seria
outro, por causa da sua maior vocação
para o jogo viril, de combate de corpos, como
se o futebol fosse um esporte de trombadas.
Talvez os responsáveis pela Seleção
não conhecessem o filósofo Neném
Prancha, que dizia: "Se físico ganhasse
jogo, o time dos estivadores seria campeão
todos os anos".
Ele voltou campeão do mundo. Mas não
realizado. E essa nova etapa do seu caminho
para a realização dar-se-ia em
1962, quando foi convocada a Seleção
que tentaria o bicampeonato.
Dessa vez ele seria o titular. Jogou todas as
partidas. Encheu os olhos do mundo com o seu
futebol vistoso, com sua elegância que
todos nós já conhecíamos.
Ultimamente, tinha como meta a formação
de novos jogadores. Talvez tentasse achar, dentre
as centenas de garotos que passavam pelas suas
mãos, alguém que tivesse o seu
estilo. Talvez ainda não tivesse atentado
para o fato de que estava à procura de
alguma coisa muito difícil de achar,
pois a reunião de tantas qualidades em
uma única pessoa não acontece
todos os dias: são exceções
que a natureza não teria fôlego
para fabricar em série. No dia 21 de
setembro de 1977 o destino o levou. O mundo
ficou menos elegante, o futebol ficou mais vazio
e a bola, mais uma vez, chora a sua orfandade.
O time do céu ganhou mais um reforço,
mais uma estrela a brilhar.
E, naquela parte do espaço onde tudo
é felicidade, entre arquibancadas de
nuvens e gramados de azul celeste, anjos e querubins
têm mais um motivo para sorrisos e aplausos:
acaba de entrar em campo, com seu futebol elegante
e ágil, Zózimo Alves Calazans.
Texto:
Paulo César Oliveira Santos.
Fonte: Revista Bimensal do Bangu Atlético Clube
de Novembro de 1977.
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