Ufa!
– acho que essa foi a primeira
palavra que eu disse quando terminei
de catalogar os mais de 3.600 jogos
da história do Bangu, num trabalho
longo de sete anos, de horas intermináveis
de pesquisa em revistas, em jornais
microfilmados, em bibliotecas, em arquivos.
Tudo isso para sanar minhas curiosidades.
Afinal, quem é o maior artilheiro
da história? quem fez mais gols
em um só jogo? quantos gols o
Bangu já fez? quantas vitórias
já teve? quantas vezes jogou
pelo Campeonato Carioca? quantas vezes
atuou em Moça Bonita? quem fez
mais jogos? Todas essas respostas, finalmente,
estão aqui.
Confesso que no início eu não
tinha a idéia de fazer essa,
digamos, “loucura”. Queria
apenas saber os jogos oficiais do Bangu,
depois comecei a coletar os amistosos
também. Achando pouco, quis conhecer
quem tinha feito cada gol. Por fim,
aceitando um conselho do meu amigo e
escritor Roberto Assaf (o pai do Almanaque
do Flamengo), comecei a recolher todas
as fichas técnicas do Bangu de
1904 até hoje, mesmo sabendo
que jamais conseguiria todas.
Sem muito espaço nos jornais
- principalmente nos dias de hoje -,
coletar esses dados foi um trabalho
típico de um arqueólogo.
Afinal, qual órgão da
imprensa se interessaria em cobrir um
amistoso do Bangu no interior do Estado
do Rio de Janeiro, já na fase
decadente do clube, por exemplo? Muitas
vezes nem o Jornal dos Sports ia, informando
no máximo, o resultado. Fora
essa falta de notícias, encontrei
também muitas dificuldades no
início do século XX, quando
os jornais eram muito imprecisos e raramente
informavam quem tinha feito os gols
das partidas. Os artilheiros pareciam
ser menos interessantes do que os comentários
sobre o público presente.
É claro que não consegui
todas essas fichas sozinho. Muitos amigos
pesquisadores me ajudaram, como o Alexandre
Mesquita, o Raymundo Quadros, o Pedro
Varanda, o Júlio Bovi Diogo,
o Cláudio Gioria, o Celso Unzelte,
o Marcos Ibrahim, o Alexandre Berwanger,
o João Alberto Machado, o Marcelo
Leme Arruda, entre muitos outros. Além
disso, com a internet, pude entrar em
contato com fanáticos por futebol
em diversas partes do mundo e através
deles, receber fichas técnicas
de jogos na Suíça, Colômbia,
Argentina, Uruguai, Guatemala, Estados
Unidos, Portugal, Itália, etc.
Somando tudo isso, no final do Almanaque,
o leitor ainda encontrará as
estatísticas completas de confrontos,
os jogadores recordistas, os artilheiros,
os técnicos, afinal todas as
curiosidades referentes a um dos clubes
mais tradicionais do país e também
um dos mais injustiçados ao longo
dos anos.
Deu trabalho, mas ficou bom. Foi cansativo,
mas prazeroso. É uma loucura,
mas vale a pena. Afinal, seguindo a
linha de outros almanaques de outros
clubes, como o do Corinthians, o do
Flamengo, do Palmeiras, o do São
Paulo e até da Seleção
Brasileira, o Bangu finalmente tem o
seu livro de jogos completinho, com
todas as escalações e
todos os gols que me foram possíveis
encontrar. O leitor irá ver que
algumas partidas recebem um pequeno
comentário, geralmente quando
são interrompidas ou suspensas
ou ainda, quando o jogo decide algum
título.
Incluí na relação
de jogos – os demais pesquisadores
que me perdoem -, as partidas do Torneio
Início, alguns amistosos contra
a Seleção Brasileira,
que muitos podem achar que foram simples
jogos-treinos, e as partidas que o Bangu
fez na Europa em 1951, quando formou
um Combinado com o São Paulo.
Não posso deixar de agradecer
aqui, o pessoal da Biblioteca da Câmara
dos Deputados, em Brasília, capitaneados
pelo genial Wilton Sidou Pimentel, que
sempre me tratou bem, compreendeu minha
ânsia em vasculhar aquele mundo
de microfilmes e abriu as portas da
seção como se eu fosse
um funcionário da casa.
Ah, tenho que agradecer os meus pais
– Silvia e Erivan -, que demoraram
para entender o porquê dessa loucura
toda, que estranhavam o fato desta busca
obsessiva por fichas técnicas
não acabar nunca, mas que foram,
aos poucos, achando normal eu passar
um bom tempo em bibliotecas e em frente
ao computador. Fiquem calmos. Agora
acabou. Eu juro!