Rio de Janeiro, sexta-feira, 17 de novembro de 2017 - 15h34min
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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1904

Fundado em abril de 1904 na distante estação de mesmo nome, o Bangu, como outros clubes da cidade, teve também nos estrangeiros seus precursores. Chegados à cidade ainda em fins do século XIX para trabalhar para a Companhia Progresso Industrial do Brasil - que administraria a fábrica de tecidos fundada no bairro em 1889 - um grupo de técnicos ingleses logo começou ali a prática do novo esporte. A princípio, a direção da fábrica não parecia muito disposta a apoiar a iniciativa de seus empregados, que desejavam fundar um clube nos moldes daqueles que conheciam em seu país de origem. A imagem fidalga que clubes como o Fluminense iam construindo para o jogo parece, porém, ter mudado sua opinião. Foi assim que, no dia 17 de abril de 1904, reuniram-se em uma casa emprestada pela companhia dez rapazes que fundaram o Bangu Athletic Club. O apoio da direção da empresa já parecia, nesse momento, evidente. Além da sede por ela emprestada, decidiu-se nessa reunião que o Sr. Stark fosse encarregado de pedir ao diretor da fábrica, João Ferrer, o pano de cores branca e encarnada que seria usado no uniforme do time. Significativamente, era o mesmo João Ferrer o presidente honorário escolhido na eleição da diretoria do clube.

De início, o clube congregava parcelas muito restritas dos empregados da fábrica, compondo-se somente de trabalhadores especializados de origem estrangeira que ocupavam cargos de chefia - como Thomas Hellowell e James Hartley, diretores das seções de dobração e teares, e de alvejamento, respectivamente Tendo por fim a prática de esportes como o football, o cricket e o lawn tennis, todos de origem inglesa, o Bangu mostrava ter como um dos objetivos principais a diversão do numeroso contingente de trabalhadores britânicos da empresa. A redação de suas primeiras atas indicava, de forma cabal, a hegemonia estrangeira no novo clube: escritas com boa letra por John Stark, apresentam inúmeros erros de concordância e de ortografia - tais como "foram eleitos para servirão" e "quem quiser dará a sua nome" - evidenciando que o secretário escolhido na reunião tinha ainda dificuldades com o português.

Porém, a necessidade de apoio por parte da fábrica fez com que os fundadores do clube logo ampliassem esse impulso inicial, atendendo aos interesses da companhia. Já na reunião de fundação os participantes designaram um representante para convidar "os rapazes de entrar como sócios" - abrindo a possibilidade de aceitação de operários de outras origens. O próprio valor da mensalidade proposta - 2$000 como jóia para ingresso e 1$000 mensais, contra os 5$000 cobrados no Fluminense nesse período - abria a possibilidade de participação de trabalhadores menos especializados. Quando sua fundação é noticiada pela imprensa, afirma-se que o Bangu se destina à prática de "todos os sports tendentes a desenvolver o físico e o moral dos operários da companhia a que pertencem" - em uma indicação clara do interesse da fábrica de que o jogo fosse praticado também por outros grupos de operários. Desse modo, parecia normal que já na segunda assembléia do clube fossem aceitos como sócios, "operários" como Bernardino Brito, Roldão Maia, Antônio Bernardino e outros que não tinham mais os nomes ingleses da maior parte dos fundadores. Tendo como moeda de troca a possibilidade de levar aos funcionários da fábrica a distinção e o refinamento que os sócios do Fluminense iam atribuindo ao jogo, os funcionários da Companhia Progresso Industrial do Brasil conseguem o apoio da direção da fábrica na solidificação de seu clube.

Fonte: PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro - 1902 a 1938. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 2000, p. 32-33.

A RAZÃO DO VERMELHO E BRANCO

 

A razão de sua camisa vermelha e branca, uma das mais bonitas do país, tem versões contraditórias. Uns atribuem sua escolha aos ingleses que trabalhavam na Fábrica Bangu, uma homenagem a São Jorge, padroeiro da Inglaterra. Outros, acham que as cores são as mesmas do Southampton F.C., time antigo da Inglaterra, cujo brasão é representado por três rosas (duas vermelhas e uma branca).


DIRETORIA 1904

Presidente Honorário: João Ferrer
Presidente: William French
Vice-presidente: Thomas Donohoe
Secretário e tesoureiro: Andrew Procter
Conselho Fiscal: José Villas Boas, James Hartley e José Soares
Captain of Football: John Stark
Captain of Cricket: Thomas Hellowell
Captain of Lawn Tennis: Frederich Jacques.

WILLIAM FRENCH

 

O primeiro presidente do nosso clube foi William French, um inglês clássico que fumava cachimbo e falava pouco, quase taciturno e que nunca se familiarizou com a língua de nossa pátria, ao contrário do seu conterrâneo William Procter que se esqueceu por completo da língua materna, falando apenas a portuguesa.

Naquele longínquo 1904, em que a vida era muito mais difícil do que hoje, qualquer cidadão de ânimo fraco baquearia na direção de empreendimentos, por menores que fossem, que exigissem pertinácia e convicção para levá-los à frente e engrandecê-los. Só mesmo um inglês da têmpera do velho French seria capaz de enfrentar as borrascas que desabariam sobre o nosso Bangu quando despontava para a vida longa e gloriosa.

Fonte: GRANADO, Paschoal José. O primeiro e o mais. Rio de Janeiro. Revista do Bangu A.C., 1974, p.7.


 
Cruzamento entre as ruas Estevão (atual avenida Cônego de Vasconcelos) e Travessa da Fábrica (atual rua Professor Clemente Ferreira), no início do século XX. A casa assinalada era a residência do Sr. John Stark, onde o Bangu Athletic Club foi fundado em 17 de abril de 1904.

OS PRIMEIROS PASSOS

Para inaugurar o novo clube, a diretoria organizou uma festa no jardim da Fábrica Bangu, em 12 de junho. Este evento durou todo o dia e constou de diversas provas atléticas. Enfeitada com arcos, galhardetes, coretos e estandartes de todas as seções da Fábrica, a festa foi aberta aos moradores do bairro. Como era de prever, a Sociedade Musical Progresso de Bangu, sob a regência do maestro José Pedro deu o tom do acontecimento, executando belíssimas composições em um coreto.

Depois da refeição oferecida aos convidados, começaram as provas atléticas, valendo inúmeros prêmios, como álbuns, estatuetas, botinas, tinteiros, cinzeiros, talheres, vasos de plantas, sombrinhas de seda, jarras de porcelana, bengalas, estojos, carteiras, relógios, caixas de charutos e até mesmo uma original espada japonesa.

Eis a lista das provas e seus respectivos vencedores: corrida de 100m (João da Silva); corrida de 100m em sacos (Onofre Lages); corrida de 100m de costas (Clarence Hibbs); corrida de 200m com barril (John Stark); corrida de 200m para moças (Cecília Vidal); corrida de 200m em três pernas (Andrew Procter e William Procter); corrida de bicicletas (Ézio Pizzari); corrida de 100m equilibrando o ovo na colher (João Araújo); corrida de 500m (Sylvio Aldiguieri); corrida de 200m com obstáculos (João Araújo).

Realizou-se também uma prova de cabo de guerra, entre casados e solteiros, cabendo a vitória aos primeiros. Para terminar a festa, foi jogada uma partida de futebol: brancos contra vermelhos, tendo vencido o time branco por 2 a 0.

Faltava ao Bangu jogar uma partida oficial contra um outro clube, o que veio a acontecer no dia 24 de julho, por iniciativa do Rio Cricket & Athletic Association, de Niterói.

Nesta data, o Bangu já contava, inclusive, com um distintivo, o mesmo que ornamenta o clube até os dias de hoje. Desenhado pelo Sr. José Villas Boas, chefe da oficina de gravura da Fábrica, foi apresentado durante reunião da diretoria no dia 20 de julho.

A maratona para chegar até o campo do Rio Cricket começou às 9:30 da manhã, quando os bravos jogadores banguenses embarcaram no trem. Após descerem na Praça da República, os atletas tomaram um bonde até a Estação das Barcas, na Praça XV de Novembro, e atravessaram para o outro lado da baía. Chegando a Niterói, almoçaram próximo às barcas e foram de charrete até Icaraí para jogarem às 15:30h.

Do lado do Bangu estavam: Thomas Hellowell, James Hartley e John Stark; Luiz Gaspar de Oliveira, Clarence Hibbs e William Hellowell; Andrew Procter, William Procter, Thomas Donohoe, Frederich Jacques e Augusto Alvarenga. Como era de se esperar, o Rio Cricket, com maior experiência, conseguiu vencer a partida pelo placar de 5 a 0. Porém, é de justiça salientar no time do Bangu o capitão Stark, que mostrou ser um jogador de fibra, o defensor Hartley e o goleiro Hellowell. Todos, sem exceção, brigaram até o último instante, com uma tenacidade e uma firmeza admiráveis, sem sombra de desânimo, honrando as cores alvirrubras na primeira partida de futebol da história do Bangu.

Para o domingo seguinte, 31 de julho, já tínhamos um novo jogo agendado, desta vez contra o Andaraí. Agora, a partida seria realizada no campo dentro da Fábrica. Foi neste dia que saiu o primeiro gol da história do Bangu, marcado pelo capitão de lawn tennis Frederich Jacques, após uma substancial ajuda de Andrew Procter, que empurrou o goleiro do Andaraí para dentro do gol. Antes de se encerrar o primeiro tempo, o Bangu ainda marcou mais dois gols, um com Stark e outro com Donohoe. No segundo tempo, os banguenses conheceram também seu primeiro grande artilheiro, o atacante John Stark, que marcou três gols, totalizando quatro na partida, e acabou com o time do Andaraí por 6 a 0.

Houve ainda um segundo jogo entre Bangu e Andaraí, realizado no dia 21 de agosto, no campo da rua Paysandu, onde os jogadores banguenses venceram novamente, agora por 3 a 1.

Em 17 de setembro foi realizada a primeira festa social do clube, no salão da Sociedade Musical Progresso de Bangu, que colaborou ainda com a sua banda de música e corpo cênico. Foi uma festa de caráter beneficente e teve a presença das figuras mais representativas da sociedade banguense da época. Esta festa teve o seu início às 20:30h com a seguinte programação: 1ª parte: comédia intitulada "Idéia Genial", pela Escola Dramática de Bangu; 2ª parte: cançonetas e monólogos; 3ª parte: exibição de lanterna mágica, sob o título "Os Habitantes da Lua". A festa terminou com um grande baile.

É interessante lembrar o movimento financeiro desta festa. Receita: 513$000. Despesa: 100$400. Saldo: 412$600. Este resultado foi considerado lisonjeiro para o clube, que nesta época já contava com mais de 140 sócios.

Para encerrar suas atividades no ano de sua fundação, o Bangu realizou outra festa esportiva no jardim da Fábrica. Foi em um domingo, 16 de outubro. Como da primeira vez, estava tudo enfeitado com arcos, galhardetes, coretos e bandeiras de várias nações. Durante toda a festa, a banda de música da Sociedade Musical Progresso de Bangu, animou os presentes sob a magnífica regência do maestro Anacleto de Medeiros.

Como era de praxe, foram distribuídos diversos prêmios aos vitoriosos do clube. Desta vez o valor dos objetos era maior. Os vencedores levaram para casa: vaso de cristal, relógio de mesa, aparelho para chá, cinzeiro de porcelana, jarra para biscoitos, tinteiro de prata, guarda-chuva de seda, estojo para fumantes, caixa de música, xícaras e pires de porcelana, álbuns para retratos. Todos estes prêmios eram muito valiosos para a sociedade da época e extremamente disputados nos páreos das corridas.

Foram estas as provas, com os respectivos ganhadores: corrida de 100m (Frederich Jacques); arremesso de peso de 8kg (Thomas Donohoe); salto em altura (Justino Fortes); corrida de 100m em sacos (Dante Delocco); salto em distância (Frederich Jacques); corrida de 400m (João Araújo); corrida de 200m para meninos (Raphael Clavelli); corrida de 100m para meninas (Georgiana Bastos); corrida de 200m com obstáculos (João da Silva); corrida de 200m com três pernas (Francisco de Barros e Justino Fortes); corrida de 200m com barreiras (Carlos Aldiguieri) e corrida de 200m para músicos (Sylvio Aldiguiere).

Para terminar a festa, o Bangu e o Football and Athletic Club disputaram um jogo de futebol, tendo vencido o visitante por 2 a 1. Após a partida foi oferecido um jantar de 50 talheres aos diretores e sócios de ambos os clubes no salão da Sociedade Musicais Progresso de Bangu.


Festa de inauguração do Bangu, realizada em 12 de junho de 1904, no jardim da Fábrica.
          
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