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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1907
 
O prédio do Casino Bangu foi inaugurado em 1º de maio de 1907 com uma brilhante festa.
Este mesmo teatro é hoje a sede social do Bangu Atlético Clube, situado na Avenida Cônego Vasconcelos.

"Comunico-vos que a diretoria da Liga, em sessão de hoje, resolveu por unanimidade de votos que não serão registrados como amadores nesta Liga as pessoas de cor. Para os fins convenientes ficou deliberado que a todos os clubes filiados se oficiasse nesse sentido a fim de que cientes dessa resolução de acordo com ela possam proceder."

A preconceituosa nota acima foi publicada na Gazeta de Notícias do dia 18 de maio de 1907 e exprimia todo o desejo de expulsar dos quadros da Liga atletas como os banguenses Manoel Maia e Francisco Carregal, que muito se destacaram no Campeonato Carioca de 1906, e que, para a elite da Liga, não mais deveriam vestir a camisa do Bangu pelo simples fato de serem negros.

O perfil estrangeiro entre os sócios do Bangu tornava-se cada vez menos acentuado. Sentindo-se ofendido com a decisão, o clube remetia à Liga Metropolitana um ofício desligando-se de seus quadros, deixando com isso de tomar parte do campeonato de 1907. Embora já estivesse, como o Rio Cricket, descontente com as recentes alterações de seus estatutos, aparecendo na imprensa boatos sobre a possibilidade de seu desligamento, a proibição à participação de negros parecia ser, para os operários que compunham seus quadros, a gota d'água. Desde sua fundação, em 1904, o Bangu ia passando por um processo de proletarização de seus quadros. Embora fosse ainda dirigido pelos imigrantes ingleses, o clube abria-se cada vez mais intensamente para sócios das mais diferentes origens. Compondo 1.417 dos pouco mais de seis mil moradores do "não pequenino arraial", os operários da fábrica passavam a ter com ele uma relação mais próxima, comparecendo aos jogos e torcendo fervorosamente por seu time - transformando-o em 1906, segundo o relato de um cronista do jornal O Paiz que visitava o bairro, o divertimento "que mais entusiasmo" despertava entre eles. Não era de se estranhar, portanto, a presença de jogadores negros em seu time - evidenciada em algumas fotos de 1905 e 1906.

Ainda que fosse uma presença solitária em meio a um time maciçamente composto por estrangeiros, o fato de que um jogador negro pudesse fazer parte da equipe principal explicitava a grande diferença que separava o Bangu de outros clubes. Trazendo para o seio da associação a incômoda presença desses trabalhadores, o clube parecia ser então o principal alvo das novas regras determinadas pela Liga, que impediriam alguns de seus jogadores de continuar como seus sócios.

A diretoria do Bangu, em reunião realizada no dia 4 de maio de 1907 decidiu abandonar a Liga e desistir de participar do Campeonato Carioca, em vista do preconceito e das deliberações que iam contra os princípios éticos do Bangu Athletic Club.

O mal-estar crescente dos membros de clubes mais refinados com a presença dos operários do Bangu na Liga não era, entretanto, uma novidade. Ao longo do campeonato de 1906, várias foram as vezes que apareciam nos jornais reclamações contra "a muita distância que separa o Bangu do centro da cidade", o que obrigava os jovens estudantes do time adversário a saírem no trem do meio-dia para seus jogos, perdendo seu dia de folga. Os convites para jogos amistosos em seu campo eram freqüentemente recusados pelos sócios de clubes como o Botafogo que, unanimemente, aprovavam a desistência de se disputarem jogos no distante subúrbio. Além da distância, as queixas atingiam muitas vezes o procedimento da torcida local. Foi o que aconteceu, segundo um cronista, no jogo contra o Riachuelo: em uma atitude "deveras triste", os torcedores ter-se-iam excedido nas críticas ao adversário - o que, não estando de acordo com as normas de comportamento esperadas de verdadeiros sportmen, teria levado os jogadores do Riachuelo a se retirar de campo.

Sem compartilhar dos sentidos nobres atribuídos ao esporte, os componentes do Bangu apareciam, para os sócios dos outros clubes, como um corpo estranho no seio da Liga. A lógica da exclusão expressa na proibição da presença negra nos clubes filiados serviu assim não só como meio de evitar a convivência nas associações esportivas com esses trabalhadores indesejáveis, mas também como forma de excluir o clube que apresentava de maneira mais ostensiva esse tipo de pessoa em seus quadros. Defendendo seus sócios, o Bangu desligava-se definitivamente da Liga Metropolitana, afirmando aos jornais por intermédio de seu secretário Andrew Procter estar "muito feliz por haver saído de tal agremiação".

Fonte: PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro - 1902 a 1938. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 2000, p. 66-69.


A diretoria de 1907 teve poucas alterações em relação ao ano anterior, mas na ausência do presidente William French, que passou a maior parte do ano na Inglaterra, tratando da saúde de seu pai, o Bangu teve como seu principal representante o vice-presidente James McGregor. French ainda estava no Brasil para a reunião mais importante do ano, realizada no dia 4 de maio, quando ficou decidido abandonar a Liga e desistir de participar do Campeonato Carioca, em vista do preconceito e das deliberações que iam contra os princípios éticos do Bangu.

Estava presente nesta reunião o Diretor-Gerente da Fábrica e Presidente Honorário do clube, o espanhol João Ferrer, que propôs a realização de um campeonato paralelo ao da Liga Metropolitana, convidando diversos clubes desta capital.

O Campeonato Carioca começou no dia seguinte com a participação de apenas quatro times (Fluminense, Botafogo, Paysandu e Internacional), enquanto que o torneio promovido por João Ferrer somente iria ter início no dia 26 de maio, também com a presença de quatro equipes (Bangu, Esperança F.C., Brasil A.C. e Cascadura F.C.). Com exceção do Cascadura, todos os outros clubes participantes da Taça Bangu eram compostos por jogadores do bairro.

Porém, o grande evento do ano ocorreu no dia 1º de maio e não teve relação com o futebol. Foi neste dia que ocorreu a inauguração do prédio do Casino Bangu, onde hoje está instalada a sede social do Bangu Atlético Clube, na Avenida Cônego Vasconcelos. A idéia de construção deste magnífico prédio foi do Sr. João Ferrer, e a sugestão de mudar o nome da Sociedade Musical Progresso de Bangu para Casino Bangu foi também do notável espanhol. Neste dia, o bairro viveu uma noite de festa, com as maiores personalidades estando presentes. O jornal Gazeta de Notícias veio a Bangu e teceu brilhante matéria sobre o fato:

"O dia 1º de maio, consagrado à festa do trabalho, não podia ter mais brilhante comemoração do que aquela que fizeram os operários da Fábrica de Tecidos de Bangu. Por lá o dia foi todo de uma festividade encantadora. A Fábrica não trabalhou.

As flores, as formosíssimas flores do formoso jardim que enfeita aquela colmeia, tinham um perfume mais suave. As montanhas que ondulam longe, por trás do grande edifício da Fábrica, eram de um azul mais intenso. O sol tinha mais brilho, e a alegria pairava por todo aquele recanto, onde impera o trabalho, onde a atividade tem o seu altar.

Começava a escurecer quando os Srs. Comendadores Costa Pereira e João Ferrer chegaram ao vasto edifício do Casino, que ia ser inaugurado. O Casino é o teatro de Bangu. Construído pelos próprios operários da Fábrica, ele representa o maior esforço que se pode imaginar daquela gente ativa e boa. O Casino é positivamente um excelente teatro, que obedece rigorosamente as construções modernas, cheio de conforto e de luz. O seu velarium de veludo negro-rubro esconde um palco chique em que se ostentam cenários do inteligente e hábil artista Dumiense. Toda a decoração foi inteligente e lindamente feita pelo Sr. José Villas Boas, gravador da Fábrica de tecidos.

Foi aí, nesse belíssimo teatro, que se celebrou a solenidade de inauguração. O Professor Jacintho Alcides pronunciou um discurso alusivo ao ato, mostrando com aquele exemplo vivo o quanto podem a união e a amizade que reinam entre os operários.

Para inaugurar o teatro foi representada às 9 horas da noite, a comédia Manuel Mendes, cujos papéis foram desempenhados pelos inteligentes amadores José Villas Boas, José Luiz, Jorge Dias, Sabino Daniel, José de Souza, Joseph Pellegrine, Leonor Bastos e Cecília Vidal. Depois tiveram lugar as danças. As bandas da Fábrica e dos Bombeiros tocavam sem cessar e no vasto salão do Casino era enorme a concorrência. Correu o baile no maior entusiasmo e as danças se prolongaram até alta madrugada.

E foi assim, com essa encantadora festa, que os operários da Fábrica de Tecidos de Bangu comemoraram a festa do trabalho."

Deixando de lado as celebrações e voltando ao futebol, o torneio idealizado pelo Presidente Honorário do clube, João Ferrer, passou a ser chamado pela imprensa de Taça Bangu e constituía uma resposta do alvirrubro à preconceituosa Liga Metropolitana.

Ficou decidido que todas as partidas seriam no campo da Rua Ferrer, e assim iniciou-se a competição no dia 2 de junho, com o jogo entre o Bangu e o Brasil Atlético Clube, um time das redondezas. Neste dia, os banguenses venceram o alviverde por 10 a 0, dando o primeiro passso para a conquista do campeonato.

O segundo adversário seria o Esperança do Marco Seis, que havia vencido o Cascadura na primeira rodada por 8 a 0. O Bangu demonstrou não ter adversários e conquistou sua segunda vitória, desta vez por 5 a 0, no dia 9 de junho. Fechando a rodada, o Brasil bateu o fraco time do Cascadura por 4 a 1, no dia 16.

Na seqüência da competição, os banguenses continuaram goleando seus adversários, passando por cima do Cascadura (14 a 0), no dia 21 de julho; vencendo o Brasil (3 a 0), no dia 28 do mesmo mês; até chegar à final contra o Esperança.

Antes, porém, foi realizada no dia 8 de setembro uma festa esportiva, nos moldes das realizadas em outros anos. Às 11 horas teve início a série de certames que terminaria às 16 horas, dando-se logo em seguida a entrega dos prêmios, gentilmente feitos pela esposa do Sr. João Ferrer, D. Georgeana Ferrer. Foram as seguintes provas disputadas, com os respectivos campeões: Arremesso de peso de 8 quilos (Roldão Maia); Salto em altura (Victor Villas Boas); Corrida de sacos (Dante Delocco); Corrida de velocidade (Francisco Carregal); Corrida para meninas (Maria); Corrida para meninos (Carlos); Corrida de agulhas e fios (Juventino Oliveira); Corrida com barreiras (Carlos Aldigueire); Corrida de caçambas e batatas (Roldão Maia); Corrida rasa de 100 metros (Francisco Carregal); Corrida de soprar a bola (Ézio Pizzari); Corrida para os músicos (Oscar Lemos).

Na decisão da Taça Bangu, nossa equipe sagrou-se campeã no dia 22 de setembro, quando goleou o Esperança por 4 a 1, ganhando inclusive elogios da Gazeta de Notícias: "Domingo, 22 do corrente foi jogado o 10º match entre os 1º e 2º teams dos acima citados para a conquista da Taça Bangu, cabendo a vitória em ambos os teams ao Bangu, nos primeiros por 4 a 1, e nos segundos por 4 a 2. Sobre a vitória dos 1º teams era de prever que fosse do Bangu, pois este tem sabido mostrar a sua superioridade e segundo a sua qualificação no torneio é o campeão de 1907."

Com a conquista, o Bangu alcançava o primeiro título de sua história, sendo o único grande campeão do ano. Por causa das confusões que ocorreram no campeonato da Liga Metropolitana, o Campeonato Carioca de 1907 não chegou ao final, pois os times do Fluminense e do Botafogo terminaram empatados em número de pontos e não chegaram a uma decisão sobre como decidiriam o título. E se não fosse o Bangu, vencedor do certame entre os clubes não filiados à Liga, a cidade terminaria o ano sem nenhum campeão. Por isso, brigas entre Fluminense e Botafogo à parte, o fato é que somente o Bangu teve competência suficiente para organizar-se e conquistar um título neste ano.

Além disso, qualquer dúvida sobre a qualidade da equipe banguense pode ser resolvida analisando dois resultados obtidos contra o Botafogo, um dos líderes do infeliz campeonato da Liga. No dia 1º de setembro, o Bangu goleou o alvinegro por 4 a 1 e, em 20 de outubro, o mesmo resultado se repetiu em outro confronto na Rua Ferrer. Isto mostrava cabalmente a força do alvirrubro, que era o melhor time do Rio de Janeiro, campeão em qualquer torneio que disputasse. Destaquemos além dos bravos atletas banguenses, o comando forte do Ground Committee, composto pelos britânicos Thomas Hellowell, Thomas Donohoe, William Hellowell e o brasileiro Oscar Lemos.

 

O Comendador Costa Pereira chega ao prédio do Casino Bangu para inaugurá-lo no dia do trabalho de 1907.

Time do Bangu que disputou o primeiro Campeonato Carioca em 1906.
Da esquerda para a direita, última fila: o inglês William Hellowell, o goleiro brasileiro Manoel Maia e o britânico James Hartley. Fila do meio: o brasileiro Raul Maranhão e os ingleses John Farrington e Tom Harrison. Fila da frente: o brasileiro Guedes de Mello, os britânicos Alexander Leigh, Robert Cross e Charles Hill e o italiano Dante Delocco.

Em 1906 seria realizado o primeiro Campeonato Carioca, tendo início no mês de maio, e contaria com a presença de seis equipes: Bangu, Fluminense, Botafogo, Rio Cricket, Paysandu e Football and Athletic.

O único problema do Bangu era a falta de um campo para disputar os jogos programados, pois o que usara até então, para os seus amistosos, era dentro dos jardins fábrica. Quem veio nos salvar foi o Presidente Honorário João Ferrer. Figura das mais influentes no bairro, ele mandou fazer um novo gramado, com grama inglesa, tirada dos próprios jardins da Fábrica. Localizado em linha paralela com a Rua Ferrer, o gramado ficou pronto no tempo recorde de três meses, o suficiente para que o nosso clube pudesse disputar o primeiro campeonato de futebol aqui realizado.

A diretoria eleita para o mandato de um ano era composta pelo presidente William French, o vice-presidente James Hartley, o secretário Andrew Procter e o tesoureiro Clarence Hibbs. José Villas Boas, presidente do clube em 1905, tornou-se membro do Conselho Fiscal.

Nos campos de futebol, o último teste antes do campeonato foi um amistoso contra o Riachuelo, na inauguração do novo gramado da Rua Ferrer, em 13 de maio. Coube a vitória ao Bangu por 2 a 0, porém os jornais não pouparam críticas à torcida banguense, como esta do jornal Gazeta de Notícias:

"Os jornais à semana passada, verberaram um fato, que sendo verdadeiro é digno de lástima. No match de football ultimamente jogado entre os clubes Riachuelo e Bangu, sócios deste clube, como espectadores, vaiaram os jogadores.

Seja-nos permitido dizer que estes espectadores não são sportsmen e apelamos para a diretoria do seu clube para que fatos iguais não se repitam. O verdadeiro sportman deve primar pela lhaneza, pela cortesia, pela lealdade e pela educação. Não acham os vaiadores que fariam figura muito mais bonita, mais cavalheirosa se dessem palmas aos vencidos? O menos que lhes adviria era a gratidão dos derrotados. Não se lembram eles que amanhã também podem ser vencidos? Absolutamente não culpamos o Bangu Athletic Club, nem a sua diretoria, mas achamos que, quanto antes, devem eliminar do seu seio esses vaiadores, que constituem elemento de discórdia, pernicioso e de muito mau efeito.

Estamos certos que eles a esta hora acham-se arrependidos do ato que praticaram, porém, a nódoa ficou e, como eles não são conhecidos, ela recairá na coletividade, trazendo portanto vexames para os sócios do mesmo clube, que tem fina educação. Censurando estes fatos que constituem anomalia, estamos certos que não se repetirão".

Protestos da torcida à parte, a diretoria do Bangu estava mais temerosa de que algo ocorresse com seus jogadores. Por isso convidou o médico da Fábrica, Francisco Borges Ramos, para comparecer ao campo nos dias de jogos, a fim de prestar os seus serviços profissionais em caso de algum acidente.

A estréia vencedora do Bangu em Campeonatos Cariocas ocorreu no dia 20 de maio, na Rua Ferrer, derrotando o Football and Athletic por 3 a 1, com a seguinte equipe: Manoel Maia, James Hartley e William Hellowell; Raul Maranhão, John Farrington e Dante Delocco; Tom Harrison, Alfredo Victor Guedes de Mello, Alexander Leigh, Charles Hill e Robert Cross.

Consta da crônica do jornal Gazeta de Notícias que o nosso adversário apresentou-se tão desfalcado para o jogo, que até mesmo o seu presidente, José da Rocha Gomes, que nunca havia jogado futebol, se viu obrigado a entrar em campo na posição de atacante.

No compromisso seguinte, contra o Botafogo, o Bangu conheceu sua primeira derrota em jogos oficiais. A Gazeta de Notícias, esquecendo-se da partida, ressalta a presença feminina nas arquibancadas das Laranjeiras como um ponto positivo do jogo: "As arquibancadas achavam-se repletas de gentis senhoritas da nossa sede social. Muitas destas trazendo em seus elegantes chapéus fitas com as cores do clube predileto, provando assim que o football é bem visto e apreciado pelo nosso belo sexo."

No terceiro jogo, o Bangu foi goleado pelo Fluminense, na Rua Ferrer, por 4 a 0. Já na quarta partida, entre Bangu e Paysandu, também na Rua Ferrer, ocorreu algo inesperado: o árbitro designado pela Liga Metropolitana faltou. Para ocupar o lugar vago foi escolhido um sócio do Paysandu, que deixou o amor pelo seu clube falar mais alto e apitou a partida parcialmente, concluindo com a vitória da sociedade inglesa por 3 a 0. No dia seguinte, o Bangu enviava à Liga um ofício pedindo a anulação do jogo, o que não foi conseguido.

Após três derrotas seguidas, para Botafogo, Fluminense e Paysandu, e tentando melhorar a situação do Bangu no campeonato, o presidente William French, em 9 de julho, propôs a nomeação de um Ground Committee, que seria uma comissão esportiva para tratar dos negócios pertencentes aos jogos, aos times e ao campo. Na época, a função de técnico de futebol ainda não havia sido criada. Os membros dessa comissão eram José Villas Boas, Thomas Hellowell, James McGregor, Thomas Donohoe e James Hartley, sob a presidência deste último.

Para o jogo contra o Botafogo, em 15 de julho, na Rua Ferrer, o Correio da Manhã designou o cronista Zé Cosme para acompanhar a partida, que revelou candidamente ser apenas um curioso do que um verdadeiro conhecedor de futebol: "Dizem os que entendem mais da matéria do que este vosso criado, que o match tecnicamente não foi bom, mas eu achei-o excelente, pois gosto é de vê-los, os alegres rapazes, a saltarem de um para outro lado do campo, em perseguição da bola doidivanas, para depois de tanto trabalho, lhe prepararem a entrada triunfal no gol inimigo". Para alegria do desconhecido Zé Cosme, o jogo teve muitos gols. Para nossa sorte, o Bangu fez a bola entrar mais vezes no gol adversário do que o Botafogo, vencendo por 3 a 2. Alexander Leigh foi o destaque ao marcar os três gols.

Na seqüência, o Bangu perdeu para o Rio Cricket, em Niterói, por 1 a 0, e goleou o Football and Athletic, na Rua Paysandu, por 7 a 0. Neste jogo, o atacante J. McPhail foi o grande nome do time, marcando quatro gols.

No dia 16 de setembro estava marcado o oitavo jogo do Bangu no campeonato, contra o Paysandu, nas Laranjeiras. Porém, como seis atletas nossos estavam enfermos (Alexander Leigh, William Hall, Charles Hill, Francisco Colston, William Hellowell e Raul Maranhão) e a Liga não quis transferir a data da partida, fomos penalizados com uma derrota por não comparecer ao campo de jogo, perdendo por W.O. (walk-over).

Contra o Rio Cricket, em 23 de setembro, na Rua Ferrer, o árbitro oficial também não compareceu, sendo designado o Sr. Nicholas, sócio do clube niteroiense para apitar o encontro. Como era de se prever, foi parcial com o seu time, inclusive assinalando um pênalti que foi defendido pelo goleiro banguense Manoel Maia. No fim, o Rio Cricket venceu pelo largo placar de 4 a 0, o que não ocorreria em situações normais.

O último jogo, no dia 21 de outubro, nas Laranjeiras, contra o Fluminense, foi disputado em clima de festa - afinal o time tricolor já tinha conquistado o título de primeiro campeão carioca com uma rodada de antecedência. Mas o Bangu voltou a perder: 2 a 0, terminando em quinto lugar na competição, que contava com seis participantes.

A Liga Metropolitana, além do Campeonato Carioca propriamente dito, instituiu também uma Taça para os times reservas de cada clube. O Botafogo foi o campeão e o Bangu chegou em quarto lugar neste certame. Nosso time era composto pelos seguintes atletas: Ernest Coggin, Roldão Maia e Justino Fortes; Oscar de Lemos, Segundo Maffeu e Oscar Villas Boas; César Bochialini, William Procter, Andrew Procter, Francisco Carregal e Francisco de Barros.

 

Time reserva do Bangu. Fila de cima: Roldão Maia, Ernest Coggin e Justino Fortes.
Fila do meio: Oscar Lemos, Segundo Maffeu e Oscar Villas Boas.
Fila de baixo: César Bochialini, William Procter, Andrew Procter, Francisco Carregal e Francisco de Barros.

          
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