Rio de Janeiro, sábado, 19 de agosto de 2017 - 06h26min
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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1931 
 
Time do Bangu antes da partida contra o Vasco, em São Januário, no dia 7 de junho de 1931. Da esquerda para a direita aparecem: Santana, Zé Maria, Buza, Ladislau, Domingos da Guia, Dininho, Médio, Eduardo Moura e Jaguarão. Abaixados: Zezé, Sá Pinto e a mascote Manô.

No início do ano de 1931, o Dr. Guilherme da Silveira, presidente da Fábrica Bangu, decide realizar uma mudança de comando no clube alvirrubro. Alguns pontos de divergência entre o Dr. Silveirão e o presidente do Bangu, Antônio Pedroso Reis, fizeram com que o primeiro apoiasse um novo homem para a presidência. O escolhido foi José Alberto Guimarães, gerente da fábrica. Para orientar o novo presidente, ficaria com o cargo de vice um dos fundadores do Bangu, o inglês William Hellowell.

Foi um ano bastante movimentado, tanto no âmbito interno quanto nos gramados do Rio de Janeiro. Como exemplo maior, no ano de 1931, o Bangu aceitou como sócios duas figuras importantíssimas dentro do bairro: Dr. Guilherme da Silveira Filho (Silveirinha) e Dr. Frederico Faulhaber.

Assim como o Bangu ganhava esses dois sócios de alto gabarito, também perdia um grande nome: o inglês James Schofield, presidente do clube de 1922 a 1928 veio a falecer no mês de abril, na cidade de Niterói, onde residia.

O Campeonato Carioca de 1931 atravessou nove meses, sendo paralisado entre junho e setembro para que o Vasco pudesse realizar sua excursão a Portugal e Espanha. O Bangu fez uma ótima campanha, terminando o ano em terceiro lugar, apenas quatro pontos atrás do América, o campeão, e três atrás do Vasco, o vice.

Podemos não ter sido campões, mas o time conseguiu obter seis vitórias nos seis primeiros jogos: 2 a 0 no América, 2 a 1 no Flamengo, 5 a 4 no Botafogo, 5 a 3 no Bonsucesso, 1 a 0 no Fluminense e 1 a 0 no São Cristóvão. Além desta seqüência, o alvirrubro brilhou também no segundo turno, vencendo o forte time do Vasco por 2 a 0, no estádio das Laranjeiras - resultado determinante para o título do América.

Este foi o campeonato em que brilhou a estrela de Domingos da Guia. Pela primeira vez o valoroso zagueiro do Bangu foi escalado para fazer parte da Seleção Brasileira, jogando duas partidas: contra o Ferencvaros, da Hungria, no dia 2 de julho; e no dia 6 de setembro contra o Uruguai, em São Januário, pela Copa Rio Branco. Era a consagração. O maior jogador de defesa de todos os tempos despontava plenamente. Por isso, a diretoria do Bangu passou a ser assediada constantemente pelos dirigentes vascaínos, que insistiam em levar Domingos.

No ano seguinte, Domingos já não mais estaria no Bangu, iria mesmo para o Vasco. Mas ele haveria de voltar um dia. Afinal, acima de tudo, era verdadeiramente banguense.

Enquanto a carreira de Domingos decolava, seu irmão mais velho, Luiz Antônio fazia sua despedida dos gramados. Na goleada por 5 a 1 sobre o Carioca, em 27 de setembro, o veterano zagueiro finalizava sua carreira de 20 anos ininterruptos defendendo o pavilhão alvirrubro. Neste dia, entrou no segundo tempo, substituindo justamente o "mano" mais novo.

O caso Domingos da Guia e o início do profissionalismo no futebol

O jovem Domingos da Guia.
No ano de 1931, o Vasco da Gama fez uma grande excursão à Europa e chegou a pedir a liberação de Domingos da Guia para que acompanhasse a sua delegação e atuasse em algumas partidas pelo time cruzmaltino. A diretoria do Bangu vetou tal proposta, mas nesse momento já era claro o interesse do Vasco pelo maior zagueiro da época. Nesta excursão, o Vasco regressou sem dois grandes atletas, Jaguaré e Fausto dos Santos (ex-Bangu), vendidos para os clubes europeus.

Um repórter de O Globo flagrou uma conversa entre Domingos, Zezé e Jaguarão, sobre a transferência de Fausto para a Espanha. Falava-se da sorte do Bangu por não ter Domingos viajado com o time vascaíno, como fora aventado - pois este fatalmente, segundo seus companheiros, sucumbiria frente a uma proposta como aquela recebida por Fausto. "Nada disso... Eu voltaria, sim", defendeu-se Domingos frente à "incredulidade geral". "Você voltaria, ò Domingos, com uma proposta daquelas? Há alguém, ò Domingos, que resista a uma cantata tão harmoniosamente entoada?" A resposta parecia evidente, e o próprio zagueiro do Bangu acabava reconhecendo que, frente a uma oferta como a recebida por Fausto, acabaria "não voltando". Ainda que no dia seguinte ele se apressasse em desmentir para o Jornal dos Sports a possibilidade de deixar o Bangu, afirmando ser "contra o profissionalismo que destrói o sentimento familiar e o patriotismo dos homens", colocava-se pela primeira vez frente à possibilidade de alcançar através do futebol uma condição de vida com a qual nunca sonhara. Parecia naquele momento tomar consciência das possibilidades que o jogo lhe oferecia, deixando de lado as convicções amadorísticas que ainda pudesse carregar, para se colocar como um profissional em busca de reconhecimento e remuneração condizentes com a fama que ia adquirindo.

Embora o próprio Domingos tenha ido aos jornais explicar ter declinado do convite do Vasco para não desagradar os irmãos, fiéis à equipe do Bangu - afirmando não ter recebido do clube "coisa alguma que pudesse importar em desabono" ao seu caráter - sua atitude era interpretada como a busca de vantagens financeiras ainda maiores em outra equipe. Como confirmação de tais suspeitas, no início de 1932, Domingos assinava sua ficha de inscrição no Vasco, acabando por ser eliminado do Bangu sob a acusação de estar pleiteando o ingresso em outras agremiações.
          
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