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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1935
 
Time do Bangu na temporada esportiva de 1935.

Novas brigas marcaram o futebol do Rio em 1935. A antiga Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA) adotou o profissionalismo e conseguiu atrair para o seu campeonato equipes de grande porte como o Bangu, o Vasco e o São Cristóvão, que se juntariam ao Botafogo e a mais quatro clubes menores na disputa do seu torneio.

A AMEA mudou de nome. Passou a se chamar Federação Metropolitana de Desportos (FMD) e logo se tornou o órgão oficial do futebol no Rio.

No Bangu também ocorreram mudanças significativas. José Alberto Guimarães deixava a presidência do clube para que o médico Miguel José Pedro assumisse o cargo.

Muito estimado no bairro, Miguel Pedro chegava ao posto máximo do Bangu após ser o chefe do departamento médico na histórica campanha de 33. Simultaneamente, era também o presidente do Casino Bangu. Seu vice-presidente era o conhecido advogado Guilherme Pastor.

O novo técnico do Bangu, Adhemar Pimenta, era um homem competente, mas não conseguiu fazer milagres com a equipe de 35. Três anos mais tarde ele seria o treinador da Seleção Brasileira presente à Copa do Mundo da França.

Realmente, o clube não prometia para o Campeonato de 1935: perdeu cinco jogadores fundamentais. Orlandinho, Plácido e Paiva foram para o América; Tião transferiu-se para o Vasco da Gama; e Sobral terminou jogando pelo Fluminense. Com tantos desfalques, pairavam dúvidas sobre a campanha do Bangu. Poucos acreditavam nas nossas chances.

Pelo menos, dois dos nossos jogadores ainda estavam em alta. Os irmãos Médio e Ladislau da Guia foram convocados para o Scratch Carioca da Federação Metropolitana de Desportos. Para Ladislau, principalmente, a convocação foi um mérito pelo seu esforço, afinal voltava de uma suspensão de seis meses imposta pela Liga Carioca de Futebol, após agredir o árbitro Jorge Marinho, na partida contra o Vasco, no dia 24 de junho de 1934.

Terminamos o Campeonato Carioca de 1935 em quarto lugar, atrás de Botafogo, Vasco e Andaraí, com um saldo de 6 vitórias, 6 empates e 8 derrotas em 20 jogos disputados. Foi, definitivamente, o último suspiro dos campeões de 33.

"Renovará a proeza de 33?" - Esta era a pergunta que os jornais faziam sobre o time do Bangu após as três primeiras rodadas do Campeonato Carioca.

"É interessante a história do Bangu. Atravessou um mau período, ameaçado seriamente de perder os seus melhores jogadores, dos quais três chegaram mesmo a voar: Tião, Sobral e Orlandinho. Nas vésperas de se iniciar o campeonato, o Bangu não sabia bem com que elementos poderia contar para o primeiro compromisso da tabela que lhe indicava o Andaraí para enfrentá-lo. Médio e Plácido já eram considerados desertores das fileiras alvirrubras. Havia um ambiente de descrédito em torno do grêmio suburbano. Veio a rodada inicial. Surpreendendo, colocou o Bangu em campo uma equipe perigosa, que dispunha do concurso de Médio e Plácido. A defesa era mais ou menos a antiga. Nas duas pontas, Luizinho e Vivi satisfizeram amplamente. Plácido deslocado com vantagem para o centro, cedeu a meia-esquerda para Julinho, um atacante perigoso, permanecendo o veterano Ladislau no posto em que se consagrou." - escreveu o Jornal dos Sports.

Nos três primeiros jogos, o Bangu empatou em 4 a 4 com o Andaraí jogando fora de casa. Empatou também com o Botafogo, na Rua Ferrer, em 3 a 3, em condições dramáticas, afinal perdia por 3 a 0 e graças aos esforços de Plácido e Ladislau chegou ao empate. E por fim, venceu o Vasco, também na Rua Ferrer, por 5 a 4. Era o suficiente para que a imprensa colocasse o Bangu como o grande favorito do ano.

No jogo seguinte, o Bangu goleou o Brasil por 6 a 2, na Rua Ferrer, em 9 de junho. Mas, como o time do Brasil abandonaria a competição alguns dias depois, todos os seus resultados seriam desconsiderados.

Continuamos o caminho pelas vitórias no dia 16 de junho, quando, em plena Figueira de Melo, goleamos o São Cristóvão por 7 a 2, em mais uma exibição história da dupla Plácido e Ladislau.

Depois, vieram mais dois resultados positivos. Contra o Madureira vencemos por 5 a 3; e contra o Olaria ganhamos por 3 a 1, ambos na Rua Ferrer.

Faltava apenas um jogo para terminar o primeiro turno. Vencer o Carioca na Rua Ferrer seria uma trivialidade que garantiria o título desta fase do campeonato. Como geralmente acontece com o Bangu em momentos decisivos, a equipe não jogou nada neste dia, deixou o Carioca marcar seus gols e foi derrotado por 3 a 1. Com isso, o Botafogo vencia o primeiro turno. Não é preciso dizer que houve revolta entre os torcedores banguenses no estádio, o que levou a Federação e até a Polícia a cobrarem maior eficiência por parte da nossa diretoria, que de nada tinha culpa.

A estréia no segundo turno foi contra o Botafogo. O jogo rumava para o empate em 1 a 1, porém a partida foi interrompida aos 25 minutos do segundo tempo por causa da validação do segundo gol botafoguense, marcado por Carvalho Leite em completo impedimento. Um conflito generalizado entre os jogadores fez com que a Federação decidisse anular a partida e remarcá-la para o dia 24 de novembro, quando o Botafogo venceu por 6 a 4, atuando na Figueira de Melo.

Depois deste incidente, o Bangu perdeu o rumo no Campeonato e só conseguiu obter mais duas vitórias até o final do ano, contra o Carioca (3 a 2) e o Madureira (4 a 2).

Por fim, no dia 26 de dezembro, quando enfrentaríamos o São Cristóvão, as diretorias dos clubes decidiram adiar o jogo para janeiro do ano seguinte e, obviamente, esta partida nunca foi realizada.

Se o título que parecia tão perto no início do ano, terminou tão longe da Rua Ferrer, e se uma das esperanças do time, o meio-campo Brilhante - que havia estreado pelo Bangu em 1923 e que retornou em 1935 para encerrar a carreira - também não vingou, o fato é que ao menos tínhamos o artilheiro da competição: Ladislau, que marcou 18 gols em 20 jogos.

          
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