Fundado em 17 de abril de 1904
Clube
História
Estádios
Símbolos
Presidentes
Futebol
Jogos
Títulos
Atletas
Técnicos
Competições
Informação
Livros
Crônicas
Reportagens
Por onde anda?
Estatísticas
Gerais
Confrontos
Campanhas
Ranking CBF
Competições
Multimídia
Fotos
Áudios
Vídeos

» 1ª Página » Informação » Livros » Nós é que somos banguenses
 
Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1952
 
O timaço do Bangu em 1952. Fila do alto: Ruy Campos, Mirim, Mendonça, Oswaldo Topete, Ramón Rafanelli e Torbis. Fila de baixo: Djalma, Vermelho, Zizinho, Moacir Bueno e Nívio.

Poucos clubes podiam se orgulhar em ter uma estrutura como a do Bangu. Neste início de anos 50, o alvirrubro contava com o que de melhor havia em termos de patrimônio e condições para os associados, que podiam desfrutar dos melhores bailes na Sede Social e aproveitar as novas instalações, como o Estádio Proletário, a Sede Aquática, o Ginásio de Esportes e a Vila Hípica, situada na Estrada do Engenho, e que servia de concentração para os jogadores de futebol. O Bangu completava 48 anos com uma saúde invejável.

Ainda contando com o respaldo da Companhia Progresso Industrial do Brasil, a meta era desenvolver a marca Bangu em diversas áreas esportivas além do futebol. Para isso, foi criada uma equipe de vôlei feminino - pela primeira vez o clube participaria de um esporte coletivo para mulheres - e reforçou a sua equipe de basquete masculino. Ambos esportes tinham a coordenação do conhecido Vivi, que com sua simpatia, progressivamente foi aumentando o público nos dias de jogos no ginásio.

O Bangu publicou no mês de seu aniversário uma revista comemorativa, contendo crônicas, fotos e um pouco da história desses 48 anos de vida. Foi a segunda vez que o clube lançou uma publicação, a primeira tinha sido impressa no longínquo ano de 1916...

E foi nesta revista que o grande diretor Guilherme Pastor escreveu sua última homenagem ao Bangu. Vindo a falecer em 30 de outubro de 1952, o ilustre advogado era a pessoa que mais vivera a história do Bangu. Dentro do clube desde 1910, quando começou a atuar como jogador do time reserva, Pastor participou de quase todas as diretorias de 1911 em diante. Por diversas vezes, Guilherme Pastor substituiu os presidentes, em seus eventuais impedimentos.

Em 1914, assumiu o cargo interinamente por causa da morte de James Hartley. No ano seguinte, voltou a comandar o clube, após a renúncia de Noel de Carvalho. Em 1927 e 1928, devido às ausências de James Schofield, a responsabilidade ficou novamente em suas mãos. E, por fim, soube presidir maravilhosamente o clube nas viagens de José Ramos Penedo, durante os anos de 1950 e 1951. Impecável ao se vestir, sempre com ternos brancos de linho, morador vizinho à Sede Social, Guilherme Pastor fez de tudo pelo Bangu, foi um dos maiores apaixonados pelo alvirrubro em todos os tempos. Foram 42 anos de dedicação ininterruptas. Em seu respeito, durante todo o mês de novembro, o clube esteve de luto e todos os bailes foram cancelados.

Em termos esportivos, as grandes conquistas do Bangu vieram de atletas amadores. A natação, que desde 1950 vinha alcançando posições no cenário do Rio de Janeiro conquistando diversas provas individuais, além do vice-campeonato geral no ano anterior, teve, finalmente, o seu primeiro grande título ao conquistar o Campeonato Carioca na categoria Infanto-Juvenil. Um dos grandes nomes nesta campanha foi Rubem Trilles, que conseguiu quebrar recordes nacionais importantes. Ao lado de Adelino Simeão Motta levaram a equipe à conquista de seu primeiro triunfo.

Nos campos de futebol a situação não era diferente, o time de Juvenis conquistou, sob o comando técnico de Elba de Pádua Lima, o Tim, o Torneio Início da sua categoria e ao final do ano venceu o Campeonato Carioca. Tim vinha comandando esta garotada desde 1951 quando foi indicado por Ondino Vieira, e continuaria no ano seguinte, para chegar ao bicampeonato de Juvenis. O destaque era José Alves Calazans, irmão mais novo de um outro talento que começava a despontar nesta temporada na equipe principal: Zózimo Alves Calazans.

Atuando como meia defensivo, Zózimo destacou-se de tal forma, que conseguiu ser convocado para integrar a Seleção Brasileira, que disputaria, com uma equipe formada apenas por jogadores amadores, os Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia. Atleta de raro talento, atuou três vezes nesta Olimpíada. Ajudou a Seleção a vencer a Holanda por 5 a 1; Luxemburgo por 2 a 1; mas não teve forças, apesar de ter marcado um gol, para eliminar a Alemanha Ocidental, que nos derrotou por 4 a 2.

Durante o ano, revezou a posição no time principal do Bangu com Pinguela, meia que estava no clube desde 1948. Eram os primeiros passos de um dos maiores orgulhos da história do clube.

 
Capa da revista publicada pelo Bangu em comemoração aos 48 anos de fundação.

O time profissional do Bangu teria três compromissos durante o ano: participar do Torneio Rio-São Paulo, direito obtido após o vice-campeonato de 1951; atuar no Torneio Carlos Martins da Rocha (antigo Torneio Municipal) e, por fim, tentar superar a campanha de 51 e sagrar-se campeão carioca.

O Bangu não fez grande figura no Torneio Rio-São Paulo, apesar de ter se mantido invicto após cinco rodadas. A equipe perdeu o rumo das vitórias durante o mês de março e terminou em nono lugar entre dez concorrentes, ficando à frente apenas do Flamengo.

Outro campeonato que não nos trouxe alegrias foi o Torneio Carlos Martins da Rocha, uma homenagem póstuma ao grande botafoguense Carlito Rocha. Os doze clubes foram divididos em duas chaves, com o Bangu ficando ao lado de América, Flamengo, São Cristóvão, Madureira e do time amador do Oriente. Representado por atletas reservas, o alvirrubro sequer passou da primeira fase, perdendo para o orientais e americanos.

No Campeonato Carioca, a equipe portou-se bem, porém sem a mesma força do ano de 1951. Chegamos em quarto lugar, atrás de Vasco, Flamengo e Fluminense. Conseguimos um feito inédito: Zizinho e Menezes, nossos melhores atacantes, igualaram-se na artilharia do certame, cada um com 19 gols. Apesar deste feito e de ter obtido o ataque mais positivo com 62 gols em vinte jogos, o Bangu em nenhum momento teve condições de ameaçar a campanha do Vasco ou do Flamengo, o que fez o técnico uruguaio Ondino Vieira, ao final da competição, em janeiro de 1953, abandonar o cargo que ocupava desde 1950.

O clube terminava o ano longe das conquistas almejadas pela diretoria. A imagem de um time vencedor formado pela Companhia Progresso Industrial do Brasil continuava, porém sem conseguir chegar a um título que o consagrasse. O grande momento havia passado, a decisão de 1951, marcada por erros de arbitragem e uma sucessão de azares, tornou-se o momento mais alto e dramático desta geração, que não mais voltaria a ter chances de conquistar um Campeonato como naquele ano, apesar de realizar campanhas memoráveis durante todos os anos da década de 50 e vencer diversos títulos em torneios ao longo dos anos.

 
O time do Bangu Campeão Carioca de Juvenis em 1952, treinados por Tim. Fila de cima: Hilton Vaccari, Waldir, Ubirajara, Haroldo, Áureo e Nilton dos Santos. Fila de baixo: Tarciso, Xavier, Luís Carlos, Wilson Macaco e Calazans.

O novo grande do football carioca
Mário Rodrigues Filho

Há quem não queira ver o Bangu grande. Sabendo, inclusive, que não adianta, que o Bangu já é grande.

No fundo é aquela velha resistência à nobreza nova. Os condes e barões mais antigos achando que devem ser os únicos condes e barões. E mesmo os plebeus torcendo o nariz. Por tradição aceitamos os antigos condes e barões que sempre conheceram como condes e barões, mas não aceitando os novos, resistindo a ter neles nobres. Sobretudo porque esses novos nobres foram como eles. Plebeus como eles. O Bangu, embora sempre clube de fábrica, tem um direito, que por assim dizer nasceu com ele, de um título de nobreza do football carioca. O football carioca não tem quatrocentos anos, como certos troncos de nobreza brasileira. Não se pode usar em football carioca ou brasileiro a expressão que enche a boca de muito portador de nome de aristocracia bandeirante: paulista de quatrocentos anos. O Fluminense que foi a origem do football carioca vai agora completar o cinqüentenário. O Fluminense nasceu com o football carioca e não de maior título de nobreza no football carioca. Mas dos que ficaram o Bangu é o segundo. Tem alguns meses mais do que o Botafogo. É verdade que outros, a partir do patriarca do football carioca, cresceram mais. São grandes há mais tempo. Em football porém, a grandeza nada tem que ver com idade.

A grandeza do Vasco em football data de 1923. E em 23 ninguém acreditava que pudesse aparecer mais nenhum grande. Tanto que o Bangu repete o Vasco. É negado e combatido como foi o Vasco. Fala-se do dinheiro do Bangu como se falou no dinheiro do Vasco. No dinheiro dos Silveirinhas - o Guilherme e o Joaquim - como se falou no dinheiro do português. E a conseqüência vem sendo a mesma. O Vasco tornou-se maior por necessidade. Foi de um certo modo obrigado a ser orgulhoso. A ostentar grandeza. Quando se ridicularizava o Vasco, "entra Basco que o meu marido é sócio", o que se queira era assustar o português. Para que o português desistisse de fazer o Vasco. O português tomou o pião na unha, tratou de empurrar mais o Vasco para frente. Hoje o Vasco não é conde nem barão: é duque do football carioca.

Quando se fala no dinheiro dos Silveirinhas - do Guilherme e do Joaquim - o que se quer é assustá-los. Fazê-los arrepiar carreira. Mas o ideal é de tornar o Bangu grande não por um capricho de moços ricos. O Bangu que não tem os cinqüenta anos do Fluminense, tem quarenta e oito, que nasceu logo depois de nascer o football carioca, merecia ser grande. Nobre já era. Só que era do subúrbio, um clube de fábrica, como se dizia. Vários clubes foram de fábrica mas só o Bangu continuou para poder ser grande agora. Para ser grande agora. Com um pouco mais ninguém estranhará mais em ver o Bangu grande, por mais que o Bangu cresça. Os pequenos deixarão de olhar o Bangu como um trânsfuga e os grandes deixarão de olhar o Bangu como um arrivista. O Bangu nunca foi uma coisa nem outra. Clube algum se tornou grande sem um Silveirinha, com mais ou menos dinheiro. Clubes houve que tiveram vários Silveirinhas. Só que não precisaram dar tanto, já que os Silveirinhas se sucediam, um passando o bastão a outro. A diferença está apenas em que os Silveirinhas do Bangu chegaram depois. E são dois somente. Mas são Bangu. Dizem - e esta a maior acusação que lhes fazem - que dão demais. Como se alguém pudesse dar demais pelo esporte. Pelo esporte dá-se o que se pode. E se os Silveirinhas podem dar ao Bangu o que dão, mais do que o Bangu, quem lucra com isso é o esporte.

Obs: Crônica escrita pelo jornalista Mário Rodrigues Filho no aniversário de 48 anos do Bangu, em 1952, analisando o momento que vivia o clube e as glórias que colecionava graças ao empenho do nosso Patrono Guilherme da Silveira Filho e do Benemérito Joaquim Guilherme da Silveira.

          
Livros
 
Estatísticas
 
Jogos 4.116
Vitórias 1.713
Empates 980
Derrotas 1.423
Gols Pró 7.267
Gols Contra 6.306
Saldo de Gols 961
Artilheiros
 
Ladislau 229
Moacir Bueno 202
Nívio 152
Menezes 138
Zizinho 124
Luís Carlos 119
Paulo Borges 109
Décio Esteves 97
Arturzinho 93
Marinho 83