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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1953 
 
A delegação banguense perante o estádio lotado, quando de sua excursão ao México, em julho de 1953.

Assim como no ano anterior as alegrias dos banguenses não vieram de sua equipe de futebol profissional, mas sim de suas forças no esporte amador. Praticamente imbatível, o time de futebol Juvenil, inicialmente treinados por Tim, sagrou-se bicampeão carioca em dezembro, com a mesma base do ano anterior. A natação, também na categoria Juvenil, era o orgulho do clube, não passando um ano sequer sem conquistar um título importante. Em 1953, logo no dia 8 de fevereiro, durante o XII Campeonato Brasileiro, disputado em Porto Alegre, dois grandes nadadores sagraram-se campeões nacionais: Adelino Simeão da Motta (inclusive com recorde) e Ruben Trilles.

Estas foram as principais conquistas no campo desportivo, além de ter vencido, com a equipe mirim os jogos infantis do Jornal dos Sports; tenha sido campeão de adultos no torneio extra-oficial de natação, realizado na piscina do Tijuca Tênis Clube; e vencido um certame de futebol para atletas veteranos em fins de novembro.

No início do ano, foi eleita a nova diretoria para o biênio 1953/1954. Tendo conseguido a reeleição o Dr. José Ramos Penedo, que já administrara o clube nos biênios 1949/1950 e 1951/1952.

Após o Campeonato Carioca de 1952, o técnico uruguaio Ondino Vieira deixou o cargo, indo trabalhar no Palmeiras. Quem ocupou esta função, ainda que interinamente, foi o treinador dos Juvenis: Elba de Pádua Lima, o Tim. Sua primeira missão foi a disputa de duas partidas amistosas, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Perdemos para o Atlético Mineiro por 4 a 3 e vencemos o Ypiranga Baiano por 2 a 0. Mas, enquanto Tim armava sua nova equipe, a diretoria do Bangu já contratava outro treinador - Délio Neves - para a disputa dos campeonatos oficiais.
O primeiro compromisso de Délio Neves foi o Torneio Rio-São Paulo, com início em 21 de abril. Começamos perdendo para o Fluminense por 2 a 0. Depois viajamos até São Paulo para enfrentarmos o Santos, no dia 26, e a Portuguesa, em 2 de maio. Vencemos o time praiano por 5 a 2 e fomos derrotados no jogo seguinte por 3 a 2.

Atuando no Maracanã contra o Vasco, em 10 de maio, outro resultado desalentador: derrota de 5 a 0. No dia 14, no Pacaembu, mais um fracasso, o Corinthians venceu por 3 a 2 e a competência de Délio Neves já estava sendo posta em dúvida. Principalmente pelo fato de o time corintiano ter atuado com apenas oito jogadores, após três expulsões do árbitro Mário Vianna.

Porém, dois resultados vieram salvar a equipe. Ainda no Pacaembu, no dia 16, o Bangu surpreendeu o Palmeiras com uma vitória por 3 a 1. E, no dia 23, no Maracanã, foi a vez do São Paulo cair pelo mesmo placar.

Os dois últimos jogos, foram contra equipes cariocas. Perdemos para o Botafogo por 1 a 0 e vencemos o Flamengo por 2 a 1, classificando-se na sexta posição com oito pontos em nove jogos, quatro pontos atrás do campeão, o Corinthians.

Nos meses de junho e julho, o segundo desafio de Délio Neves seria no exterior. O Bangu foi excursionar no México. Foi o auge do time em 1953. Durante alguns dias, o alvirrubro foi destaque nos principais jornais da Cidade do México. Obtivemos quatro vitórias, dois empates e uma derrota.

Na estréia, em 21 de junho, empatamos com o Atlante em 2 a 2. Mas, logo no segundo jogo, o Bangu mostrou sua força goleando a Seleção Mexicana por 4 a 0. Em 28 de junho, foi a vez de passarmos fácil pelo Puebla, por 5 a 1. Outro empate veio contra o Zacatepec por 1 a 1. Perdemos para o Tampico por 5 a 3 e ganhamos do León por 4 a 0, antes de enfrentarmos, na despedida, novamente a Seleção Mexicana. No dia 12 de julho, o clima era de revanche, cobrava-se uma vitória do selecionado. Era a honra do futebol mexicano que estava em jogo. De nada adiantou o estádio lotado, o Bangu venceu novamente, agora por 2 a 1.

Mas depois deste grande momento, o verdadeiro pesadelo do Bangu começaria no Campeonato Carioca, que se iniciaria no dia 16 de julho, com o empate contra o Canto do Rio por 1 a 1, em Moça Bonita. Esse mal resultado na estréia já mostrava a dificuldade pela qual passaríamos durante todo o certame.

Depois de uma série de jogos, onde a equipe conseguira vencer apenas o São Cristóvão (2 a 0), o América (5 a 1) e o Olaria (1 a 0), tendo perdido praticamente todos os outros, o Bangu atravessava sua pior crise na década. A gota d'água veio após a derrota de 6 a 0 para o Botafogo, no Maracanã.

Faltavam apenas seis rodadas para o término do segundo turno do Campeonato, quando estourou a bomba em Moça Bonita. Era calamitosa a situação do time do Bangu na tabela. E como não podia deixar de ser, o técnico levou a culpa de tudo. Afastaram Délio Neves em 28 de outubro, e entregaram o time novamente a Tim. Exigiram um milagre do novo treinador. O Bangu estava colocado em sétimo lugar, oito pontos atrás do Madureira. Cabia a Tim levar o Bangu para o sexto lugar, a fim de que o time pudesse disputar o terceiro turno. Deu-se o milagre. Na primeira partida disputada sob a orientação de Tim, o Bangu venceu a Portuguesa por 8 a 1; a seguir, o São Cristóvão caiu por 2 a 0. Depois veio o Canto do Rio, que vendeu caro a sua derrota lá em Caio Martins: 3 a 2. Atravessou o caminho de Tim o forte time do Vasco.

O Bangu precisava muito daquela vitória. Mas quando terminou a primeira etapa, o placar marcava friamente: Vasco 3 a 2. O time vascaíno vinha marcando homem a homem, religiosamente e implacavelmente. Talvez o técnico vascaíno acreditasse que marcando dessa maneira aos dois homens-chaves do Bangu - Zizinho e Décio Esteves - o placar estivesse garantido. Tim havia anotado isso e percebera que Danilo e Mirim vinham se desentendendo em campo, um mais obediente às ordens do treinador e o outro querendo jogar o seu futebol.

No vestiário, Tim chamou os jogadores, botões na mesa e deu suas instruções:

- Décio e Zizinho, eu dependo totalmente de vocês dois para endireitar esse placar. Se vocês fizerem o que eu vou pedir, nós seremos capazes de empatar esse jogo, ou até mesmo de vencer. Vocês vão fazer o possível para carregar Danilo e Mirim para o lado esquerdo. Aquilo que vocês fazem habitualmente no meio campo, vão fazer do meio para a esquerda. Façam de contas que o campo encolheu. Joguem ali, o mais que puderem. Danilo e Mirim terão que seguir vocês, senão o meu plano não irá funcionar. O Nívio, sempre que vocês aparecerem lá por sua região, descambará para o miolo. É só servir ao Nívio: o resto é com ele.

Não deu outra coisa. Tudo se passou como fora previsto no vestiário. Nívio, se infiltrando pela boca da área marcou dois gols e o Bangu chegou ao placar de 4 a 3 a seu favor. Falou-se muito em sorte do Bangu e azar do Vasco, mas poucos sabiam que a sorte do Bangu havia sido estudada no intervalo da partida.

Bonsucesso e Madureira caíram depois por 2 a 0 e 4 a 0, respectivamente. Findara o segundo turno, e na classificação geral estava escrito: 6º lugar: Bangu com 23 pontos; 7º lugar: Madureira, com 20.

Neste ano, o time do Bangu não foi além dessa classificação no turno final do campeonato carioca. Mas, Tim havia conseguido um verdadeiro milagre. Recuperou o prestígio do time e o colocou entre os grandes que disputaram o turno final, após seis vitórias consecutivas.

 
O fortíssimo time do Bangu Bicampeão Carioca de Juvenis em 1953, ainda treinados por Tim. Fila de cima: Hilton Vaccari, Edelfo, Ubirajara, Haroldo, Silvinho e Jercy; fila de baixo: Lucas, Mário, Luís Carlos, Wilson e Calazans.
          
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