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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1962
 
Antes da partida contra o Botafogo, no estádio Proletário, em 25 de julho de 1962, o Bangu formava com: Ananias, Ubirajara, Mário Tito, Romeu, Zózimo e Nilton dos Santos, na fila de cima. Pastinha (massagista), Correia, Durval, Vermelho, Roberto Pinto e Beto, na fila de baixo. O placar deste jogo foi 0 a 0.

Dentre tantos nomes de peso que passaram pelo Bangu, o defensor Zózimo foi quem mais conseguiu títulos importantes no cenário do futebol mundial. Em 1962, o grande atleta banguense consagrava-se bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, no mundial disputado no Chile. Ao lado de nomes como Pelé, Garrincha, Vavá, Zagallo, Nilton Santos, ele compunha a histórica equipe nacional, talvez a melhor de todos os tempos.

Quatro anos antes, em 1958, na Suécia, Zózimo era apenas um reserva de luxo no time que levantou o "caneco" pela primeira vez. Agora, no Chile, foi o titular absoluto da posição, atuando nas seis partidas que o Brasil disputou.

Encerrou sua carreira na Seleção ao final da partida contra a Tchecoslováquia, que nos deu o título. Foram dez anos vestindo a camisa amarela, desde sua primeira convocação para os Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, em 1952 até a Copa do Mundo de 1962. Neste período, atuou 38 vezes, tendo marcado 2 gols.

Para Zózimo Alves Calazans, o título de 1962 representava um inédito tricampeonato particular, já que depois de vencer em 1958 com a Seleção, vencera o Campeonato Mundial Interclubes em Nova York pelo Bangu em 1960. Tamanho feito coloca o craque na galeria de astros do futebol, não só do Rio de Janeiro, como também do Brasil.

O clube de Zózimo, diferentemente da laureada Seleção Brasileira, passava por momentos difíceis dentro dos campos de futebol. Com uma equipe, que segundo diziam, era basicamente a mesma desde 1958, alguns jogadores já demonstravam cansaço e desmotivação. Percebendo isto, o presidente Maurício César Buscácio fez algumas trocas e vendas. Joel foi para o Botafogo, Décio Esteves para o Campo Grande e Tiriça foi trocado por Roberto Pinto, do Vasco. Antoninho foi contratado junto ao América.

O técnico continuava o mesmo. Gradim, que assumira o cargo no ano anterior, permaneceu firme e ainda conquistou mais um título logo no início do ano em uma excursão a Belém do Pará. Disputando um Torneio Quadrangular, com a presença do Paysandu, do Remo e do Tuna Luso, o Bangu voltou com mais uma taça nas mãos.

A forte administração do Presidente Maurício César Buscácio, já em seu quarto ano, serviu para aumentar o patrimônio do clube. Depois da compra de um terreno próximo à sede social, começou a ser construído um ginásio coberto, aos moldes dos mais modernos complexos esportivos existentes na época. Para a realização desta obra, Buscácio iniciou a venda de títulos de sócio proprietário do clube. A série inicial foi um sucesso de vendas, o que ajudou na construção do grande objetivo do clube, que era oferecer um espaço digno aos eventos dos esportes amadores, como o vôlei, o basquete e o futebol de salão.

O bicampeão mundial, Zózimo Alves Calazans, uma das maiores glórias do Bangu em todos os tempos.
Foi também, ao final da administração de Buscácio, que se encerrou o processo de iluminação do Estádio Proletário. Os refletores finalmente acenderam no dia 14 de dezembro, na partida entre Bangu e Bonsucesso, pela última rodada Campeonato Carioca. Registre-se que se não fosse o empenho do ex-presidente Eugênio Barbosa Paixão e a grande influência do Patrono Guilherme da Silveira Filho, dificilmente, esta obra seria concluída ainda no ano de 1962.

Outro ponto alto do ano, e que já era uma tradição no bairro, embora não fosse um evento organizado pelo Bangu Atlético Clube e sim pela fábrica de tecidos, foi o desfile de 1º de maio no Estádio Proletário. O jornal O Globo esteve presente na festa e teceu a brilhante matéria:

"O dia 1º de maio deste ano foi comemorado em Bangu com uma demonstração festiva no estádio ali existente, organizada pelos trabalhadores da fábrica de tecidos da Companhia Progresso Industrial do Brasil. Assistiu-se a um espetáculo realmente brilhante e grandioso, ao qual compareceram cerca de 25 mil pessoas, enchendo literalmente as arquibancadas, animadas de um espírito saudável de alegria comunicativa que aplaudia com entusiasmo o desfilar do préstito que alguns imaginaram e realizaram para gozo de todos.

Na tribuna de honra encontravam-se as primeiras autoridades do Estado da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda, alguns secretários e deputados da Assembléia Legislativa, representantes do Parlamento Nacional, os diretores da famosa organização industrial de nosso país, todos na mais simples camaradagem, envergando trajes de uma verdadeira democracia tropical que enfrenta o trabalho e resolve seus eternos problemas, nivelando chefes e trabalhadores num sentimento coletivo de igualdade e de amizade recíproca.

O que mais impressionava à primeira vista, na policromia dos trajes daquela multidão, era o aspecto sadio das pessoas, homens, mulheres e crianças, confraternizan-do nos aplausos ao desfile e às suas alegorias, comemorando a festa que era deles, por eles planejada e realizada, com a colaboração de entidades do Estado, fornecendo viaturas, montarias e bandas de música que tocavam as peças de autores populares dos mais queridos.

Bangu cresceu e prosperou à sombra da fiação da Companhia Progresso Industrial do Brasil. Não importa matéria-prima, não importa mão-de-obra, exporta seus produtos que recomendam no estrangeiro o nome de nosso país. Sua população é aquela gente bem disposta, de corpo e de espírito, que enchia as arquibancadas do Estádio Guilherme da Silveira no dia 1º de maio, dando a impressão de uma grande família em festa.

E o mago dessa criação é o Dr. Manuel Guilherme da Silveira, um octogenário de espírito jovem, que, na tribuna de honra, ao lado do Governador, fazia as honras da casa aos convidados, identificado com suas obras patriótica e humana.

O que havia de notável no Estádio Guilherme da Silveira, a 1º de maio, em Bangu, era ser a festa entre os trabalhadores, por eles promovida e montada, naturalmente auxiliados pela direção da fábrica naquilo que dependia dela, realizada com independência e elevação, sem a preocupação de elogios aos superiores, presentes, aliás, como participantes e solidários. Seu elogio estava feito na grandeza da instituição.

A festa de Bangu deixou aos que a ela assistiram uma impressão de enlevo e alegria, de suave orgulho e de tranqüilidade para o Estado da Guanabara que se pode considerar um dos pioneiros na solução dos problemas que suscita o trabalho industrial de grandes massas de operários cujas reivindicações são nobremente amparadas pela compreensão dos patrões".

Saindo do campo social e entrando no setor de esportes profissionais, o Bangu passou os meses de fevereiro, março, abril e maio excursionando pela América do Sul. Foram disputadas partidas no Suriname, na Bolívia, na Colômbia e no Equador. Neste último país, disputando um Torneio Quadrangular, que contou com a presença do Barcelona de Guayaquil, do Emelec e até do São Cristóvão do Rio de Janeiro, o Bangu goleou todos os seus adversários e venceu mais um torneio internacional - o sétimo de sua história - no mesmo lugar onde em 1957 conquistávamos nossa primeira taça em terras estrangeiras.

Após 13 jogos, o Bangu regressava invicto e com um título na bagagem, uma campanha que merecia ser premiada com a Fita Azul, uma comenda oferecida pela C.B.D aos clubes que permaneciam invictos por mais de dez jogos em excursões ao exterior. Porém, ninguém se lembrou de premiar o grande feito banguense... Ao contrário, lembraram apenas de punir o Bangu com uma multa por ter jogado em Belém dois jogos em um intervalo inferior a 24 horas (contra o Tuna Luso no dia 3 de fevereiro e contra o Paysandu no dia 4).

Nos certames do Rio de Janeiro, o time não conseguiu se destacar. Foi eliminado logo na primeira rodada do Torneio Início pelo Fluminense, nas cobranças de pênaltis, e terminou o Campeonato Carioca em quinto lugar. A situação do técnico Gradim quase ficou insustentável após a derrota do dia 1º de setembro, quando, em pleno Maracanã, o Bangu vencia o Fluminense por 1 a 0 faltando apenas três minutos para o final. O tricolor conseguiu reverter o resultado e sair de campo com uma vitória por 2 a 1. O ex-banguense Calazans, inclusive, marcou o gol decisivo para o Flu. Foram levantadas insinuações de que os jogadores fizeram corpo mole e de que o técnico Gradim não soube "segurar" corretamente o resultado. Por fim, nada ficou provado.

No jogo seguinte, contra o Flamengo, realizado uma semana mais tarde, o Bangu mostrou não estar para brincadeiras: marcou seu gol logo no primeiro tempo, através de Luís Carlos, e soube segurar o resultado até o final
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