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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1976
 
O Bangu novamente campeão posa com as faixas e a taça em Moça Bonita. Fila de cima: Sérgio Saraiva (vice-presidente de esportes profissionais), Hamilton, Serjão, Didinho, Sérgio Cosme, Ademir Batista e Luís Alberto. Fila de baixo: Gilberto, Edinho, Jorge Nunes, Luisão e Sidnei.

Dia 18 de dezembro de 1966, Maracanã. Bangu e Flamengo decidem o título de campeão carioca perante um público de 144 mil pessoas no maior estádio do mundo. O alvirrubro, recheado de craques como Ubirajara, Mário Tito, Ari Clemente, Ocimar, Cabralzinho, Paulo Borges e Aladim, conquista a taça vencendo o Fla por 3 a 0.

Dia 12 de dezembro de 1976, Barra do Piraí - cidade do interior do Rio de Janeiro a 108 quilômetros da Capital. Bangu e Central Sport Club decidem o título do esvaziado Torneio da Integração, no qual a maior renda não vinha das arquibancadas - praticamente vazias - mas do fato dos jogos estarem sendo financiados pela Loteria Esportiva. O Bangu vence por 2 a 0 e conquista a Taça Almirante Heleno de Barros Nunes.

Dez anos depois, em 1986, qualquer torcedor banguense conseguia lembrar do heróico título conquistado em 1966 no gramado do Maracanã, porém por mais que puxassem na memória, ninguém tinha conhecimento do título de 1976. O motivo? O Torneio da Integração reunia clubes pequenos da cidade do Rio de Janeiro e do interior do Estado e sequer era divulgado pelos principais jornais. Além disso, o time que o Bangu colocou em campo naquele ano era de qualidade duvidosa. Belisário, Valderi, Edinho, Gilberto, Sidnei, Didinho, foram nomes logo esquecidos pelos torcedores.

Na primeira fase do Torneio da Integração, o Bangu conseguiu três vitórias (Campo Grande, Portuguesa e Bonsucesso), dois empates em 0 a 0 (com Goytacaz e Olaria) e duas derrotas de 1 a 0 (para São Cristóvão e Madureira), classificando-se para o octogonal decisivo em quarto lugar.

No octogonal final, após perder a estréia para o Madureira por 1 a 0 e empatar com o Olaria em 0 a 0, o time do técnico Décio Leal embalou e obteve cinco vitórias sucessivas que o levaram ao título: São Cristóvão (3 a 1), Paraíso de Campos (1 a 0), Fluminense de Nova Friburgo (3 a 0), Goytacaz (2 a 0) e Central de Barra do Piraí (2 a 0). Éramos campeões novamente, após um jejum de quatro anos.

Fato curioso ocorreu no dia 5 de dezembro quando Bangu e Fluminense de Nova Friburgo (atual Friburguense) jogaram no Maracanã, na preliminar da semifinal do Campeonato Brasileiro entre Corinthians e Fluminense. A imensa torcida corintiana que dividiu o estádio com os tricolores, incentivou o Bangu o tempo todo, principalmente pelo fato do time de Nova Friburgo levar o nome do rival do jogo principal. Com o apoio de mais de 80 mil paulistas, ficou fácil vencer por 3 a 0.

A conquista do Torneio da Integração - Taça Almirante Heleno de Barros Nunes - foi uma salvação para um desacreditado time do Bangu, que durante o primeiro semestre de 1976 sequer conseguia vencer seus jogos.

De janeiro a julho, o Bangu chegou a ser comandado por cinco técnicos diferentes: Francisco Cônsul, que fracassou na disputa do Torneio Valdir Benevento; Moacir Bueno, craque banguense das décadas de 40 e 50, que não obteve sucesso algum durante o primeiro turno do Campeonato Carioca; Neco, auxiliar técnico; Ananias Cruz, dispensado após a goleada sofrida para o São Cristóvão por 5 a 1; e Décio Leal, que finalmente conseguiu armar um esquema para evitar novos vexames da equipe alvirrubra.

Durante este período nebuloso, o Bangu jogou 25 vezes, empatou nove partidas e perdeu 16. Vitórias? Nenhuma.

No dia 17 de julho, na Teixeira de Castro, pelo segundo turno do Campeonato Carioca, o Bangu venceu na sua 26ª tentativa: 1 a 0 sobre o Bonsucesso, gol de Luisão, um atacante desconhecido, contratado junto ao time amador do Flamengo de Volta Redonda.

A classificação do time no Campeonato Carioca não poderia ser pior: entre 15 equipes participantes, o Bangu terminou na última colocação, obtendo 14 pontos em 26 jogos: duas vitórias (sobre Bonsucesso e São Cristóvão), dez empates e catorze derrotas. Por sorte, não havia rebaixamento.

O time-base era formado por: Luís Alberto, Ademir Batista, Serjão, Sérgio Cosme e Belisário; Tião Tomé, Didinho e Ivo Sodré; João Francisco, Luisão e Hamilton.

P E R F I L
Luisão
De perna-de-pau a artilheiro de Moça Bonita

 

"Se botarem Luisão, vai sair gol meu irmão" - a paródia da famosa música "Pega Ladrão", de Bezerra da Silva, foi um cântico constantemente ecoado no Estádio Proletário no início dos anos 80 e homenageava o atacante banguense Sérgio Luís Tolentino de Carvalho, o popular Luisão.

Chegou ao Bangu no meio do Campeonato Carioca de 1976, depois de peregrinar por clubes amadores como o Lajes de Ipiraí, o Seropédica, o Flamengo de Volta Redonda e de ser reprovado em um teste para jogar no Campo Grande.

Não era um jogador técnico, ao contrário, valia-se do seu porte físico para ganhar as divididas, mas era eficiente. Atrapalhado, trombador, porém artilheiro. Tornou-se campeão e goleador do Torneio da Integração 1976 ao marcar nove gols em catorze jogos. Continuou no clube nas temporadas de 77, 78 e 79 (quando fez um excelente Campeonato Carioca, marcando sozinho mais da metade dos gols do Bangu).

Quando o Dr. Castor de Andrade assumiu o comando do futebol profissional em 1980, resolveu fazer a "limpa". Dispensou praticamente todos os atletas, mas não teve coragem de abrir mão do artilheiro de Moça Bonita.
Renovou o contrato de Luisão e este fez sua melhor partida com a camisa alvirrubra no dia 6 de abril de 1980, marcando dois gols em pleno Parque Antártica, quando o Bangu venceu o poderoso Palmeiras por 3 a 2.

Virou ídolo da torcida, graças aos seus gols e ao seu carisma. Em uma partida contra o Goytacaz, pelo Campeonato Carioca de 1980, Castor prometeu-lhe um carro caso marcasse um gol. Não parecia tarefa difícil para o artilheiro, mas a sorte não estava ao seu lado. Luisão fez de tudo, correu, deu cabeçada em beque, chutou a trave, mas não conseguiu marcar. Por isso, passou uma semana triste, inconsolável com o empate em 0 a 0. Comovido com o estado do companheiro, Carlos Roberto resolveu interceder junto ao "doutor". Alguns dias depois, o "crioulo" aparecia para o treino com um fusquinha novinho e com um enorme sorriso na cara.

Em 1981, foi emprestado ao Santos, mas não se adaptou à Vila Belmiro. Em uma visita aos seus ex-companheiros de Moça Bonita, fez questão de se encontrar com Castor de Andrade para queixar-se de sua condição de reserva, que não lhe rendia "bichos". O Patrono nem pestanejou: mandou que o centroavante passasse no caixa e recebesse o prêmio pela última vitória do Bangu no Campeonato Carioca...

Ultrapassou a marca de 70 gols com a camisa do Bangu e jogou de 1976 a 1984, quando já estava com 32 anos. Depois, aventurou-se pelo Tiradentes de Brasília, foi negociado com o CSA de Alagoas e encerrou sua carreira no Ceará em 1986.

Hoje, alguns torcedores ainda lembram desta figura folclórica do futebol carioca, de suas jogadas atrapalhadas e de sua tradicional simplicidade que conquistava a todos. Morador de Seropédica, município próximo a Itaguaí, no Rio de Janeiro, o ex-jogador guarda na memória a homenagem do compositor Marcos Damião, feita em 1980: "Se botarem Luisão, vai sair gol meu irmão...

          
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