Rio de Janeiro, quinta-feira, 27 de novembro de 2014 - 19h38min
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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
1983
 
Da esquerda para a direita, fila de cima: Fernandes, Tião, Gílson Paulino, Tecão, Mococa e Lima. Fila de baixo: Marinho, Arturzinho, Fernando Macaé, Mário Marques e Ado.

Quando Castor de Andrade reassumiu o controle do Bangu em 1980 tinha como meta um futebol forte e um objetivo definido: ser campeão carioca em 1982.

Infelizmente, foi justamente neste certame que o Bangu fez sua pior campanha, terminando em oitavo lugar entre doze participantes.

Para 1983, o Grande Benemérito iniciou uma reformulação no clube. Ao invés de continuar investindo em jogadores veteranos, com muita fama, Castor resolveu apostar em uma equipe mais jovem, com promessas do futebol brasileiro.

A mudança começou com a tranqüila transmissão de cargo do presidente Antenor Corrêa para o ex-diretor de futebol profissional Rui Esteves das Dores Filho, que comandaria o clube no próximo triênio.

Conhecedor dos problemas que o time enfrentava, a primeira providência de Rui Esteves foi se reunir com Castor de Andrade para planejar o ano de 1983.

Convidaram o conhecido Carlinhos Maracanã, presidente de honra da Escola de Samba Portela, para ser o diretor de futebol profissional; contrataram o vitorioso técnico Jorge Vieira; reabilitaram o grande atacante Luisão e fizeram a contratação mais ambicionada pelos clubes brasileiros.

No pequeno América de São José do Rio Preto despontara um ponta-direita que chamou a atenção de diversos clubes do país. Seu nome: Mário José dos Reis Emiliano, conhecido em campo como Marinho. Iniciou sua carreira no Atlético Mineiro e tinha uma facilidade de drible jamais vista desde os tempos de Garrincha. Mas nenhum time conseguia tirá-lo do América paulista.

O problema era que o presidente do clube de São José do Rio Preto, o folclórico Birigüi, não vendia seu passe para ninguém, até aparecer por lá o Dr. Castor de Andrade.

Em uma negociação difícil, onde o tal Birigüi insistia em chamar Castor pelo epíteto de "Esquilo de Andrade", o Grande Benemérito banguense conteve a irritação e conseguiu trazer para Moça Bonita o craque Marinho.

Foi um tiro certo. Marinho tornou-se o último grande ídolo do Bangu e entre os anos de 1983 e 1987 foi a maior estrela do time de Castor de Andrade, chegando inclusive a jogar na Seleção Brasileira em 1986.

Por causa da péssima campanha no Campeonato Carioca de 1982, o Bangu não conseguiu obter vaga no Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão de 1983, tendo que disputar a Taça de Prata.

Jorge Vieira, treinador experiente, campeão carioca com o América em 1960, montou o melhor time da competição: Tião, Nei Dias, Tecão, Renê e Marco Antônio; Mococa, Arturzinho e Mário Marques; Marinho, Luisão e Ado. Tudo indicava que, recheado de craques, o Bangu era o favorito da Taça de Prata.

O sorteio nos colocou no Grupo C, ao lado de Americano, Fluminense de Feira de Santana, Guará (DF), Guarapari (ES) e Vitória da Bahia. O Bangu deu um verdadeiro baile em cinco jogos, principalmente o meio-campo Arturzinho, que marcou sete gols. O time se classificou em primeiro lugar, com três vitórias e dois empates, e ninguém duvidava que na segunda fase, em um grupo com Londrina e Botafogo de Ribeirão Preto, o alvirrubro teria qualquer dificuldade para voltar à primeira divisão.

Mas, a "zebra" entrou em campo. Jogando em Londrina, o Bangu perdeu para o time local por 1 a 0. A situação que era cômoda ficou crítica. Segundo o regulamento, após esta inesperada derrota, era preciso vencer o Botafogo em Moça Bonita para continuar na competição. Mais de 4 mil banguenses compareceram para prestigiar o time, entretanto nada adiantou: empatamos por 1 a 1 e ficamos em terceiro e último lugar no Grupo J - eliminados precocemente da Taça de Prata.

Diferentemente do habitual em times de futebol, quando ocorrem demissões na comissão técnica, a diretoria apenas negociou alguns jogadores, mas manteve o técnico Jorge Vieira e partiu para uma série de amistosos pelo país, entre os meses de março e maio.

Foi nesta turnée que Castor de Andrade percebeu que dificilmente teria chances de conquistar o Campeonato Carioca de 1983. Em oito jogos amistosos, o Bangu perdeu quatro vezes. Jorge Vieira deixou o cargo após três derrotas sucessivas para o CSA de Maceió, o ASA de Arapiraca e o Uberlândia.

Mas, a queda do treinador parecia já estar nos planos de Castor. Depois que encerrou sua carreira de jogador em 1982, o zagueiro Moisés continuou "visitando" as dependências do Bangu e era comum vê-lo na tribuna de honra nos dias de jogos ao lado de Castor. Por isso, não foi surpresa alguma quando o "xerife" Moisés teve seu nome indicado para ser técnico do Bangu no Campeonato Carioca.

Assim, como a contratação de Marinho foi uma aposta de sorte, Moisés tornou-se um dos melhores treinadores da história do clube, mesmo sem ter qualquer experiência no novo cargo. É bem verdade que durante o período que jogou no Bangu, de 1980 a 1982, sempre foi um líder dentro e fora de campo, mas nunca tinha sido técnico, pelo menos oficialmente.


Participação no Campeonato Carioca

Começava então a busca pelo título de campeão carioca, principalmente pelo ano de 1983 celebrar o cinqüentenário da primeira conquista do Bangu, em 1933.

Com Mococa, Rubens Feijão, Mário Marques, Marinho, Arturzinho e Ado no time, a tarefa do técnico Moisés deveria ser das mais fáceis. Porém nas seis primeiras rodadas, o Bangu não se encontrou em campo, obtendo apenas uma vitória, três empates e duas derrotas.

Após chegar ao entrosamento, o time não mais perdeu na disputa do primeiro turno. Mesmo sem chances de conquistar a Taça Guanabara, o Bangu apareceu no Campeonato a partir da sétima rodada, quando venceu o América - até então invicto - por 3 a 1, em exibição de gala de Arturzinho, que marcou os três gols.

Na seqüência, o alvirrubro continuou a sua trilha de vitórias: 2 a 0 sobre o São Cristóvão, 1 a 0 sobre o Goytacaz e, no feriado de 7 de setembro, no Maracanã, veio a exibição de gala contra o Flamengo.

O time rubro-negro era o atual bicampeão brasileiro e apesar de já ter vendido Zico para a Udinese da Itália, ainda tinha no elenco nomes como Leandro, Mozer, Andrade, Júnior e Adílio. O primeiro tempo terminou com a vantagem banguense por 1 a 0, gol de Arturzinho, cobrando pênalti.

Mas foi no segundo tempo que o massacre começou. Fernando Macaé ampliou para 2 a 0. Marinho fez 3 a 0. Júnior diminuiu para o Flamengo. Aos 28 minutos ocorreu o lance magistral: Arturzinho partiu de trás, em velocidade, surpreendendo toda a defesa do Flamengo, que se preparava para aplicar a tática do impedimento. Da intermediária, o craque banguense viu o goleiro Abelha sair da área para fechar o ângulo, e o encobriu. Um gol antológico, um dos mais belos já marcados no Maracanã. Bangu 4 a 1.

O jogo ainda não tinha acabado e Arturzinho, de cabeça, ampliou para 5 a 1. Robertinho aproveitou falha do goleiro Toinho e fez o segundo gol do Flamengo. No último minuto, o "Rei Artur" marcou pela quarta vez na partida e fechou a histórica goleada do Bangu por 6 a 2. Um feriado da Independência inesquecível para os 5 mil banguenses que compareceram ao Maracanã.

Castor de Andrade, enlouquecido de emoção, ampliou o "bicho" de 50 para 100 mil cruzeiros e mandou fazer uma camisa do Bangu bem pequenina para dar ao filho de Arturzinho, que viria a nascer no domingo, 11 de setembro.

No sábado, pela última rodada da Taça Guanabara, o Bangu tirou a invencibilidade do Botafogo vencendo por 1 a 0, com mais um gol de Arturzinho e terminou em terceiro lugar no primeiro turno, atrás apenas do Fluminense e do América.

Com o time embalado, o Bangu tornou-se o favorito para a conquista do segundo turno. De início, a briga era com o América e com o Flamengo, mas logo os rubros perderam as chances de conquistar a Taça Rio ao serem derrotados sucessivamente pelo Bangu (3 a 1) e pelo Flamengo (2 a 0). A partir de então, ficou o duelo entre banguenses e flamenguistas.

A torcida acreditava no título e vibrava com as exibições do time. Um dos momentos mais expressivos foi a goleada sobre o São Cristóvão em Moça Bonita por 7 a 0. A bandinha da Banluta, comandada pelo maestro Tutu deu o recado, em ritmo de carnaval: "Se a canoa não virar, olé, olé, olá, eu chego lá". "Chegar lá", obviamente, era ser campeão carioca de 1983.

Até a nona rodada, o Bangu era o líder com dois pontos à frente do Flamengo e poderia ser campeão se vencesse o time rubro-negro no dia 23 de novembro, no Maracanã.

Mais de 60 mil pessoas compareceram ao grande clássico, que terminou com a derrota dos banguenses por 3 a 1. Com isso, os dois times passaram a somar 16 pontos e a decisão ficaria para a 11ª e última rodada. O Bangu enfrentaria o Botafogo e o Flamengo toparia com o Vasco.

 
Bangu 1 x 0 Botafogo: agora era pegar o Flamengo na final da Taça Rio.

O Bangu fez sua parte, embora no sufoco, venceu o alvinegro por 1 a 0, gol de Fernandes no segundo tempo. O Flamengo goleou o Vasco por 3 a 0 e a Taça Rio ficou empatada. Ambos os clubes tinham 18 pontos.

No dia 1º de dezembro novamente rubro-negros e alvirrubros entrariam em campo na disputa pela Taça Rio, agora em um jogo-extra. O Bangu, por ter somado mais pontos nos dois turnos (33 ao total), já estava classificado para a final contra o Fluminense (campeão do primeiro turno). Se vencêssemos o Fla, entraríamos na decisão contra os tricolores com a vantagem do empate. Se perdêssemos o título do segundo turno, a decisão do campeonato viraria um triangular.

Desta vez, mais de 70 mil torcedores compareceram ao Maracanã para prestigiar a final. O Flamengo abriu o placar com um gol de Adílio logo no primeiro tempo e passou a jogar mais defensivamente. O Bangu viu o tempo correr e não conseguiu chegar ao gol de empate, desperdiçando a chance de ser campeão da Taça Rio ao perder por 1 a 0.

No vestiário banguense, decepção, lamentos e lágrimas. Tínhamos dois pontos de vantagem sobre o Flamengo e perdemos os dois jogos contra os rubro-negros, dando de presente a Taça Rio para os rivais. Agora, Fluminense, Flamengo e Bangu disputariam o Triangular Final para saber quem seria o campeão carioca de 1983.

O cronista esportivo Carlos Lima, no Jornal dos Sports, percebeu o clima de desânimo que pairou sobre Moça Bonita:

"Que o Bangu, porém, precisa se auto superar, não tenho a menor dúvida. Que a situação para o Bangu se complicou, também não tenho dúvida. Fluminense e Flamengo largam como favoritos. Menos pelos times, pelos elencos que possuem, tão bons quanto o do Bangu, muito mais, porém, pelo fator tradição que, para muita gente não significa nada, mas que é fundamental num caminho de chegada, nessas tais de finais".

Bangu e Fluminense iniciaram no dia 4 de dezembro o Triangular Final do Campeonato Carioca de 1983.

A estréia foi contra o Fluminense. Marinho fez 1 a 0 no primeiro tempo, mas o tricolor mostrou sua força e empatou a partida na etapa final, com um gol de Paulinho. A partir de então, cada equipe passou a jogar de forma mais cautelosa e o resultado final foi o empate de 1 a 1.

No segundo jogo do triangular, o Fluminense venceu o Flamengo por 1 a 0, com um gol no último minuto de Assis. O resultado afastou os rubro-negros do título e colocou os tricolores com a mão na taça.

O último jogo seria no dia 14 de dezembro, no Maracanã. Novamente, Bangu e Flamengo protagonizariam uma decisão. Bastava ao comandados de Moisés vencerem a partida para conquistar o Campeonato Carioca. Se terminasse empate ou a vitória fosse para o Fla, o título iria para o Fluminense, que já acumulava três pontos no Triangular Final.

Apesar de estar afastado da briga pelo título, os jogadores do Flamengo não estavam com a mínima vontade de colaborar para que o Bangu fosse campeão. Ao contrário, muitos deles ainda guardavam na memória a goleada de 6 a 2 do primeiro turno do campeonato e queriam acabar com a alegria da turma de Castor de Andrade.

O Bangu entrou em campo com: Tião, Gílson Paulino, Tecão, Fernandes e Tonho; Mococa, Arturzinho e Mário Marques; Marinho, Fernando Macaé e Ado, sob os olhares atentos do time do Fluminense, que assistia ao jogo da tribuna de honra do Maracanã.

Em campo, o Flamengo abriu o placar logo aos 3 minutos, com Adílio. Na etapa final, com o Bangu necessitando marcar dois gols para ficar com o título, abrimos espaço para os rápidos contra-ataques do adversário e Tita ampliou para 2 a 0. Era o fim. O Fluminense era o campeão, o Flamengo vice e o Bangu ficou com o terceiro lugar.

A final da Taça Rio de 1983 ainda está na lembrança de Marinho. A equipe tinha dois pontos de vantagem sobre o Flamengo e perdeu dois jogos seguidos - o segundo em um jogo-extra, por 1 a 0, gol de Adílio, e acabou entrando no triangular decisivo com "moral baixa":

"Ficamos sem a Taça Rio e sem o campeonato. E foi o que se viu depois: o Fluminense campeão em cima do Flamengo, com aquele gol de Assis".

Bangu vice-campeão da Taça Rio 1983.


Confusão no futebol feminino

Em 1983, o Bangu montou pela primeira vez um time de futebol feminino para disputar o respectivo campeonato da Federação. O time mostrou garra e conseguiu chegar à final contra o famoso time do Radar.

O jogo decisivo ocorreu em Moça Bonita no dia 12 de outubro. A torcida compareceu para empurrar as meninas banguenses, mas o Radar fez 1 a 0 com um gol de Valéria, no primeiro tempo.

Aos 35 minutos da etapa final ocorreu o lance fatal: numa bola centrada sobre a área do Radar, uma das zagueiras do time azul e amarelo cortou o passe com a mão, num pênalti claro, que o juiz Ricardo Ferreira Durans fingiu que não viu. Foi neste instante que o jogo virou uma confusão. As jogadoras do Bangu partiram para a briga com o árbitro, alguns torcedores invadiram o campo, e Castor de Andrade, auxiliado por seus "leões de chácara" também foi tirar satisfação pela penalidade não marcada.

O estádio de Moça Bonita virou uma verdadeira praça de guerra, enquanto o juiz Ricardo Durans era vítima de socos e pontapés dos seguranças de Castor, as jogadoras dos dois times também trocavam tapas. A meia-esquerda Rosa, do Radar, fraturou o maxilar inferior.

O trio de arbitragem acabou tendo que se refugiar dentro do vestiário e só pode deixar o estádio uma hora e meia depois do tumulto e ainda assim protegidos pela Polícia Militar. O ônibus do Radar foi apedrejado e totalmente destruído.

No dia seguinte, os jornais estamparam a manchete: "Novo nome do estádio de Moça Bonita: Coliseu"!

Outros, mais irônicos, disseram que Castor de Andrade levou tanto leão de chácara para o campo do Bangu, mas tanto leão, que mais parecia o "Simba Safári"...

Apesar da gravidade dos fatos, a pilheria da imprensa foi tanta que chegaram a dizer que o juiz que apitou Bangu e Radar jogou no bicho no dia 12 de outubro, botando 200 cruzeiros no leão. Uma pena, deu galo na cabeça... literalmente
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