Time
do Bangu durante a disputa
da Copa Rio, no primeiro semestre
do ano.
Mais
um ano perdido na história
banguense. Quem pensou que o clube
poderia voltar à disputar
a primeira divisão do Campeonato
Carioca continuou se decepcionando.
A problemática parceria com
o Madureira também prosseguia.
Com isso, o alvirrubro ficava com
os jogadores que o tricolor suburbano
não tinha conseguido negociar
após a participação
no Campeonato Carioca.
E assim, com o que o Madureira tinha
de menos valorizado, o Bangu montou
sua primeira equipe do ano para
a disputa da ressuscitada Copa Rio,
um torneio que já ocorrera
entre 1990 e 1999, e que geralmente
terminava nas mãos do Volta
Redonda. Campeões em 1994,
1995 e 1999, o time da Cidade do
Aço repetiu o título
em 2007.
O Bangu conseguiu montar uma equipe
coesa para a Copa Rio, realizada
no primeiro semestre, e descobriu
no auxiliar-técnico do Madureira,
Gabriel Vieira, um excelente treinador
para o time. A campanha foi excelente:
em 16 jogos, 11 vitórias,
quatro empates e apenas uma derrota
(justamente para o Volta Redonda,
que nos eliminou na fase semifinal).
Destaque para a incrível
goleada sobre o América por
5 x 0 em Édson Passos no
dia 16 de junho. Em campo, Jéferson,
Daniel, Jádson, Alan Nicácio
e Everton; Tiago Costa, Wilson Lino,
Vitor Amaro e Michel; Derlei e Aperibé
conseguiram abrir uma vantagem sobre
o maior rival que o Bangu não
alcançava desde 1923. Entretanto,
nas semifinais, uma simples derrota
por 2 x 1 para o Volta Redonda,
em Moça Bonita, decretou
a eliminação do melhor
time da competição.
Depois desta boa campanha neste
torneio preparatório, esperava-se
que o Bangu realizasse também
um ótimo Campeonato Carioca
da 2ª Divisão. Melhor
ainda: a Federação
decidiu que cinco equipes seriam
promovidas à elite, inchando
em 16 o número de clubes
da primeira divisão.
Mas da Copa Rio para o Campeonato
Carioca muita coisa mudou. O técnico
Gabriel Vieira foi treinar o time
do Guanabara, e o Madureira não
fez a mínima questão
de mantê-lo para que o Bangu
pudesse aproveitar os seus serviços.
Com isso, Luiz Cláudio foi
improvisado na função.
Sem saber o que fazer, sem saber
como armar esquemas táticos,
os alvirrubros se perderam em campo.
A equipe também piorou muito.
Apesar de ainda contar com o bom
lateral-esquerdo Everton, o artilheiro
Derlei e os meias Wilson Lino, Tiago
Costa e Osmar, o fracasso foi inevitável.
Num grupo relativamente fácil,
que classificava quatro equipes
para a segunda fase, o Bangu conseguiu
ficar em quinto lugar, atrás
de Mesquita, Duque de Caxias, CFZ
e Bonsucesso. À frente apenas
do Angra dos Reis e do Rubro.
A desastrosa campanha incluiu duas
derrotas para o Mesquita, duas para
o Duque de Caxias, uma para o Angra
dos Reis e outra para o CFZ –
totalizando seis. Foram apenas quatro
vitórias e dois empates.
Por um momento, os banguenses chegaram
a achar que tinham se classificado
para a segunda fase.
No dia 19 de setembro, na Teixeira
de Castro, o árbitro Marcelo
de Lima Henrique deu a vitória
para o Bangu por WO. O motivo era
dos mais curiosos: dentro da ambulância
havia apenas um médico e
um enfermeiro, quando o Estatuto
do Torcedor diz que deve haver dois
enfermeiros em cada jogo. A decisão
dava os três pontos ao alvirrubro,
mas gerou inúmeros protestos.
Não foram poucos os que lembraram
que o presidente da Federação
era o mesmo Rubens Lopes, ex-dirigente
do próprio Bangu. Entretanto,
após vários mandatos
em Moça Bonita, nenhum torcedor
conseguia dizer uma só vez
em que Rubinho tinha realmente ajudado
o clube.
Por fim, a Federação
voltou atrás em sua decisão
e anulou a vitória banguense
por WO, remarcando o jogo contra
o Bonsucesso. Com isso, o Bangu
só passaria para a segunda
fase se vencesse este confronto.
O empate bastava para o time da
Zona da Leopoldina se classificar
em quarto lugar no grupo.
Quando Ciarelli, Schneider, Douglas
Assis, Marcílio e Everton;
Marcelo Mendes, Tiago Costa, Thiago
Brito e Paulo Victor; Derlei e Dionei
entraram em campo, os 33 torcedores
do Bangu nas arquibancadas do estádio
de Resende já temiam pelo
pior. Esta era, provavelmente, uma
das formações mais
fracas de toda história alvirrubra.
O resultado foi o pior possível:
empate em 1 x 1 e a eliminação
precoce. O Bonsucesso passava para
a segunda fase, mas sua campanha
também teria vida curta,
sendo logo eliminado.
Entre 24 equipes, o Bangu terminava
a Segunda Divisão carioca
em 17º lugar. Aproveitando-se
da vexatória campanha de
clubes tradicionais, os cinco classificados
para a primeira divisão foram
times do interior: Mesquita, Macaé,
Resende, Cardoso Moreira e Duque
de Caxias.
De positivo para o clube neste ano
de 2007, apenas o retorno da equipe
adulta de Futebol de Salão,
que fez boa campanha no Campeonato
Carioca, chegando até a segunda
fase, quando enfim foi eliminado
pelo Macaé.
Centenária
e destruída
Em
2007, a sede
social do Bangu
Atlético
Clube completou
cem anos, desde
a sua pomposa
inauguração
no dia 1º
de maio de 1907.
Na época,
sob a proteção
do Diretor-Gerente
da Fábrica,
João
Ferrer, o prédio
foi doado para
o uso do Casino
Bangu.
Infelizmente,
após
tantos anos,
a imponente
construção
de tijolinhos
vermelhos demonstrava
sinais de descaso.
O administrador
da sede, Ângelo
Marques, chegou
mesmo a sair
de lá
preso. O motivo
foram as “gambiarras”
feitas no sistema
de eletricidade
na tentativa
de economizar
energia. A fraude
foi descoberta
no mês
de outubro.
Pior que isso
só a
quebra do padrão
arquitetônico
da sede com
a abertura de
várias
lojas. De ótica
a cabeleireiro,
o Bangu abriu
diversas salas,
sem qualquer
planejamento,
para qualquer
comércio
que se propusesse
a pagar um aluguel
para o clube.
Sem falar no
péssimo
estado de conservação
do salão
nobre, do palco,
e de toda a
estrutura interna
e externa.