Da esquerda para a direita: Thiago Galhardo, Diego Padilha, Abílio, Cassiano, Somália e Thiago Lopes. Agachados: Fabiano, Tiano, Josiel, Pipico e Gedeílson.
Esse é o Bangu que fracassou em todas as competições de 2011.
Poderia ser um grande ano para o Bangu. Poderia. Não fosse mais uma vez os interesses por trás dos panos nos momentos cruciais da história do clube.
Classificado para a Copa do Brasil, o Bangu chamou a atenção dos empresários da bola e assim, seduzidos pela chance de terceirizar o futebol profissional, os dirigentes alvirrubros abriram mão da prata-da-casa, dos atletas que tinham feito tão boa campanha na Copa Rio de 2010 e lotaram o elenco com jogadores de categoria duvidosa, bancados pela empresa Champions Sports.
Foi assim que desembarcaram em Moça Bonita, de uma só vez, o goleiro Thiago Leal, o lateral Tiago Timbó, o zagueiro Diego Padilha, o volante Josiel, os meias Ricardinho e Alan Possato, os atacantes Charles Chad e Leandro Costa...
De todos esses, salvavam-se apenas o goleiro Thiago Leal e o volante Josiel. De resto, o Bangu tinha opções melhores no elenco de 2010.
Para piorar, o excelente e milagroso técnico Mazolinha foi excluído do projeto de 2011. Os empresários determinaram que Gabriel Vieira – que já comandara o clube em 2007 – fosse o novo treinador.
A reformulação não deu certo. O time até que começou bem, mas depois foi decaindo vexatoriamente.
No 1º turno do Campeonato Carioca, a equipe começou perdendo para o Fluminense – o campeão brasileiro de 2010 – por 1 a 0, mas se recuperou ganhando do Madureira e do Duque de Caxias, sempre por 1 a 0.
Ao término desta fase, o Bangu era o quarto colocado no Grupo B, atrás de Fluminense, Botafogo e Olaria. Com isso, conseguiu uma vaga nas semifinais da Taça Washington Rodrigues, sendo logo eliminado ao perder para o Resende nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal. Era o primeiro fracasso do ano.
Simultaneamente, o time começou a disputa da Copa do Brasil, em uma quarta-feira alegre em Moça Bonita. O adversário era a Portuguesa de Desportos.
Foi a melhor apresentação do time em 2011. Jogando o “fino da bola”, o Bangu fez 1 a 0 com Thiago Galhardo, mas a Portuguesa empatou no finalzinho do 1º tempo. Veio a etapa final e Pipico anotou um golaço. Para melhorar ainda mais, Thiago Galhardo cabeceou e o goleiro Juninho falhou feio: 3 a 1. Na partida do Canindé, o alvirrubro fez o suficiente para se classificar para a segunda fase: perdeu apenas por 1 a 0, alegrando os animados torcedores que se atreveram a ir até São Paulo.
Na sequência da Copa do Brasil, problemas extra-campo atrapalharam o rendimento da equipe. Primeiro, foi a exigência da TV Globo para que a partida fosse disputada em um estádio com refletores em funcionamento, para que o jogo contra o Náutico pudesse ser transmitido ao vivo para Recife. Com isso, Moça Bonita estava descartada e a TV levou a partida para Volta Redonda. Depois, ocorreu uma briga entre o meia Tiano e o técnico Gabriel Vieira no ônibus que levava o time à Cidade do Aço.
Tiano queria ser titular, estava jogando bem, mas o técnico mantinha como dono da camisa 10 o lento Ricardinho – numa nítida exigência dos empresários.
O resultado foi óbvio: o grupo ficou dividido entre os jogadores dos empresários e os atletas da casa. E o Bangu foi eliminado ao perder para o Náutico por 2 a 0, sem direito sequer ao jogo de volta.
Sem perspectivas, o time se arrastou durante o 2º turno do Campeonato Carioca. É verdade que foi “roubado” mais uma vez diante do Flamengo, ocasião em que o juiz Djalma Beltrami esticou a partida até os 51 minutos do 2º tempo, quando o rubro-negro conseguiu, enfim, marcar o gol da vitória.
Porém, nada justificou a apatia da equipe na derrota para o Resende por 1 a 0, em Moça Bonita. Com isso, era hora de Gabriel Vieira tomar o seu rumo. O problema era escolher um novo técnico faltando apenas quatro rodadas para o final do campeonato.
Como a opção por Mazolinha estava descartada pela diretoria e pelos empresários, o veterano Marcão decidiu encerrar sua carreira de jogador e começar a de treinador. Com mais de 200 partidas com a camisa alvirrubra, Marcão parecia ser o nome ideal. Ajudou a livrar o time de um remoto rebaixamento, mas também não agradou. Na última rodada, no dia do aniversário do clube, o Bangu perdeu em Moça Bonita para o Americano por 2 a 1.
Isso fez com que, pela primeira vez na história, o time terminasse o Campeonato na vexatória 13ª colocação.
Os titulares da má campanha de 2011 eram: Thiago Leal, China, Diego Padilha, Abílio, Fabiano, Josiel, André Barreto, Ricardinho, Thiago Galhardo, Pipico e Somália.
Mas, como o que importa para os dirigentes sempre é ganhar dinheiro com a venda de jogadores, os empresários ficaram com os passes dos dois únicos talentos da equipe – Thiago Galhardo e Pipico – e colocaram-nos no Botafogo e no Macaé, desfalcando o Bangu para a disputa da Copa Rio, no segundo semestre.
A Copa Rio foi o último desastre do ano. Entre os meses de setembro e novembro, o clube colocou em campo uma equipe fraca, sem receber salários, sem um técnico capacitado e o resultado final só poderia ser mais uma eliminação. Aos trancos, o Bangu ainda passou pela primeira e pela segunda fase, até cair para o Friburguense nas semifinais, perdendo os dois jogos, em Moça Bonita e no Eduardo Guinle, pelo mesmo placar: 2 a 1.
Os únicos destaques foram o zagueiro Carlos Renan – que retornava do futebol português – e o atacante Bruno Luiz, que também reaparecia em Moça Bonita, vindo do Macaé.
Para os torcedores, a única alegria veio no final do ano. O clube iniciou uma reforma no estádio para que as grandes partidas pudessem ser realizadas no próprio bairro. Assim, novas cabines para a imprensa, melhorias no gramado, nas sociais e, principalmente, nos refletores começaram a ser feitos visando 2012.
Menos mal, porque uma propalada obra anunciada por políticos e que seria bancada pela prefeitura – quando até uma maquete de um estádio mais moderno foi apresentada –, jamais passou de uma promessa eleitoreira.