Rio de Janeiro, terça-feira, 21 de outubro de 2014 - 08h18min
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Apresentação Agradecimentos  Prefácio

 
APRESENTAÇÃO
O grande literato do futebol brasileiro, Nelson Rodrigues, certa vez disse: "Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes da presente encarnação". No meu caso, eu diria o mesmo em relação ao Bangu, e ainda mais, com certeza serei banguense nas próximas encarnações.

Não sei exatamente quando surgiu este fanatismo pelo alvirrubro. Nasci em Bangu em 1979 e vivi no bairro até os meus 22 anos.

Lembro-me de que quando petiz, o médico me recomendou praticar natação para combater crises alérgicas. No bairro, existiam dois clubes, o Casino Bangu e o Bangu Atlético Clube. Obviamente, optei por nadar neste último, principalmente porque além da piscina, havia um time de futebol. Eu tinha apenas quatro anos, estávamos em 1984.

Apesar dos esforços do professor Elmo da Rocha Chaves (irmão de Ênio, atacante campeão em 1966), eu nunca fui um grande nadador. Mas a partir daí minha paixão pelo Bangu só aumentou.

Torcer por um clube, e não só pelo time de futebol, é algo inexplicável. Mário Filho, o fundador do Jornal dos Sports e que dá nome ao estádio do Maracanã, dizia que "é mais difícil deixar de amar um clube do que uma mulher". O que eu sinto pelo Bangu não se explica, a vontade de reconstruir toda sua história de cem anos também é um mistério, quando menos esperava, lá estava eu procurando informações em bibliotecas, escrevendo capítulos na tela do computador e cantarolando o hino do clube.

Nessas horas eu lembro de minha bisavó, D. Ophélia (isso mesmo, com "ph"). Nascida em novembro de 1903, meses antes da fundação do Bangu, tornou-se torcedora fanática. Minhas recordações dela são as melhores possíveis. Dia de jogo, dona Ophélia ia para a varanda da casa, isolava-se da família, e levava o radinho de pilha colado ao ouvido. Acompanhava nas ondas do rádio todas as partidas do Bangu. No fim de cada jogo, desligava o velho Philips e resmungava: "Droga. Perdeu de novo". E eu, com oito anos, ficava sabendo dos resultados através dela.

No dia 12 de março de 1990, D. Ophélia foi ouvir seus joguinhos ao lado de Deus. Na véspera, o Bangu jogou contra o Vasco, em São Januário, com transmissão ao vivo da extinta TV Manchete. Ela fez questão de assistir e, ao final do jogo, repetiu a frase de tantas outras vezes: "Droga. Perdeu de novo".

Fiquei com o seu legado. Continuei acompanhando a trajetória do Bangu e por três anos, de 1999 a 2001, fui Diretor de Patrimônio Histórico do clube na gestão do presidente Jorge Varela. Iniciei o projeto de construção desta verdadeira "Bíblia do Bangu", inauguramos uma nova sala para os troféus e arquivos do alvirrubro na Sede Social em 17 de abril de 2000, e por fim, ajudei com minhas pesquisas na conquista da Medalha Tiradentes, em 20 de novembro de 2001. Foi um período muito fértil.

Admito que a história aqui escrita não é só de minha autoria. Sem os fatos e as jogadas de tantos craques que vestiram o uniforme alvirrubro, como Fausto, Domingos, Ladislau, Plácido, Zizinho, Menezes, Nívio, Ademir da Guia, Zózimo, Parada, Ubirajara, Fidélis, Paulo Borges, Aladim, Moisés, Arturzinho, Cláudio Adão, Marinho, Mauro Galvão, entre outros, seria impossível escrever qualquer texto. Por isso, esta história pertence a eles e a todos os torcedores e dirigentes que contribuíram para o êxito do Bangu durante cem anos. Como em um revezamento, cada qual passa o bastão para outro e o clube continua vivo.

E, parafraseando o imortal Guilherme Pastor, o primeiro homem a escrever um esboço da história do Bangu, na revista publicada pelo clube em 1916, onde afirmava: "Informações colhidas em fontes fidedignas, podemos afirmar a completa veracidade de tudo quanto ficou escrito, muito embora admitamos que nos tenham escapado outros fatos de que a extensão do tempo consumiu os documentos respectivos."

Se doze anos após a fundação do Bangu já não existiam alguns documentos, imagine a árdua tarefa de resgatar toda a história do centenário alvirrubro nos dias atuais.

E é justamente este trabalho que temos o prazer de apresentá-lo agora.

Carlos Molinari

      
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