|
Posso
dizer sem exagero que conheço Carlos
Molinari desde garoto, ainda que jamais
nos tenhamos visto pessoalmente. Mesmo
por carta, telefone e, depois, e-mail,
logo percebi estar tratando com uma pessoa
diferente das outras, e diferente para
melhor. Eu, já editor de "Placar",
à época uma revista mensal
e temática, que vivia das reminiscências
do futebol. Ele, já o banguense
apaixonado pelo clube e por sua história,
e que assim permanece até hoje.
Passaram-se alguns anos e eu lancei o
"Almanaque do Timão",
livro com todas as fichas técnicas
de jogos e biografias de atletas do Corinthians,
minha paixão de infância.
A partir daí, comecei a fazer uma
série de amizades por e-mail, que
por si já teriam compensado todo
o trabalho. No caso de Molinari, tratava-se
de uma amizade antiga e retomada.
Seguiram-se
entre nós várias correspondências
com trocas de informações.
Resultados de jogos do Bangu contra Ponte
Preta, Mogi Mirim ou Ferroviária
de Araraquara. Detalhes de uma derrota
para o Vasco por 4 a 3, em 21 de outubro
de 1944. O nome completo do Israel, que
jogou nos anos 80. Para a maioria dos
mortais, tudo isso pode parecer irrelevante
e descabido. Mas jamais para quem coloca
a paixão pela história do
futebol acima, até, daquela que
nutre por seu clube (e que, tenha você
certeza, é sempre enorme). Por
isso, identifiquei-me imediatamente com
o drama daquele rapaz. "Meu Deus",
pensei. "Se eu, para coletar dados
sobre o Corinthians, um clube desde sempre
badaladíssimo pela mídia,
penei para cachorro, que dirá o
Carlos em relação ao Bangu?
Aliás muito mais esquecido nos
dias de hoje que em décadas passadas".
Então, ajudá-lo no que pudesse
nessa empreitada passou a ser, para mim,
uma questão de honra.
Hoje, muito mais por seus méritos
que pelo pouco que eu e outros eventuais
abnegados possamos ter contribuído,
Carlos Molinari realiza um sonho, que
é seu e de uma enorme legião
de alvirrubros e fãs do futebol.
Os 100 anos do Bangu estão aqui,
e isso nenhuma má administração,
nenhuma omissão da mídia,
nenhum preconceito em relação
ao clube pode rasgar. Graças a
Carlos Molinari, mais do que nunca, o
Bangu tem também a sua história,
suas glórias, enchendo seus fãs
de alegria. Devidamente documentadas.
Celso
Unzelte
autor
do "Livro de Ouro do Futebol"
e "Almanaque do Timão". |