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Rua Ferrer 24 de abril de 1921


Foi uma tarde festiva para o Bangu, que derrotou o campeão carioca de 1920. Da esquerda para a direita: Waldemiro, Nonô, Mattos, Pastor, Claudionor, Luiz Antônio, Joppert, Coquinho, Antenor, Leitão e Tatá.

É natural que muita coisa tenha mudado de 1921 até hoje, afinal foram muitas as transformações sociais, a evolução tecnológica, as novas descobertas nas mais diversas áreas.

Curioso notar que mudou também a forma de se escrever. Redigir um texto jornalístico em 1921 era algo parecido como escrever um romance. O cronista buscava as melhores palavras para florear a matéria. Por isso, quem lesse a chamada da partida entre Bangu x Flamengo, válida pelo Campeonato Carioca, teria a ideia de que ocorreria uma batalha “épica” no campo da Rua Ferrer:

“A luta promete ser magnífica, pois que as equipes principais dos digladiadores pisarão o gramado em magníficas condições de treino e organização. A equipe do Bangu, que ainda domingo último enfrentou com galhardia e venceu o Botafogo, está disposta a conquistar a palma da vitória na partida principal”.

Após tão rebuscada notícia, impressa nas páginas do Jornal do Brasil, natural que o público comparecesse em massa à Rua Ferrer para ver a “magnífica luta dos digladiadores”.

Na edição de segunda-feira, após o jogo, o cronista continuou com sua missão de transformar a notícia em um romance, o jogo em um duelo de titãs, os torcedores em uma platéia seleta.

“À bem instalada praça de desportos da estação de Bangu, como de hábito, acorreu considerável assistência, ávida de assistir à emocionante pugna que ia travar entre as já consagradas equipes do glorioso Bangu e do destemido Flamengo”.

O que se viu em campo foi realmente digno de uma crônica bem redigida. O “destemido” time rubro-negro abriu o placar com um minuto de jogo, graças a Nonô. A situação do Bangu piorou ainda mais, quando o mesmo Nonô, aos 3 minutos, ampliou para 2 x 0.

Se com 3 minutos, o Flamengo já tinha o jogo nas mãos, o mínimo que o torcedor banguense poderia esperar era uma goleada estrondosa. Mas o passar do tempo mostrou que o “glorioso” time alvirrubro soube se acalmar, enquanto os rubro-negros administravam a boa vantagem que tinham.

Aos 30 minutos, eis que Pastor, “sob delirantes aplausos”, conseguiu diminuir a vantagem para 2 a 1. Placar que encerrava o 1º tempo.

Vendo que o Flamengo não era tão imbatível quanto parecia, o Bangu voltou para os 40 minutos derradeiros (na época, os jogos tinham uma duração menor, apenas 80 minutos) buscando o empate. Logo aos 4 minutos, foi a vez do ponta-esquerda Antenor, “um destemido player”, deixar tudo igual: 2 a 2.

O empate permaneceu até os 27 minutos, quando Pastor conseguiu virar o jogo: 3 a 2. Era o inacreditável. A torcida na Rua Ferrer explodia de emoção. Seis minutos depois, aos 33, o Nonô banguense selou a vitória, marcando o quarto gol, ou como diria o Jornal do Brasil: “aninhando a pelota nas redes do posto de Kuntz”

Para “júbilo” do anônimo cronista, os torcedores tiveram um comportamento exemplar:

“Durante todo o desenrolar da peleja, a assistência não se cansou de aplaudir e encorajar os lutadores, que souberam corresponder aos que os vistoriavam, jogando com cavalheirismo, lisura e nobreza, como guardas avançados que são das regras do Association”.

Os campeões de 1920 estavam derrotados. Com uma virada inesquecível, que entrou para a história, o Bangu era o líder do Campeonato de 1921 após três rodadas, enquanto o Flamengo era apenas o quinto colocado.


O Nonô do Flamengo (Claudionor Gonçalves) fez dois gols relâmpagos naquele jogo, mas o Nonô do Bangu (Antenor Ferreira) fez o quarto gol e garantiu a vitória alvirrubra naquele duelo.

Campeonato Carioca 1921
     
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