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Rua Paysandu 30 de maio de 1926


Bola alta na área do Bangu, os jogadores se amontoam para impedir que o Vasco faça um gol.

Na época do futebol estritamente amador, alguns fatos que hoje poderiam soar aberrantes, eram perfeitamente aceitáveis. O Vasco – que ainda não tinha construído o estádio de São Januário – mandava seus jogos no campo do Flamengo, à Rua Paysandu; enquanto o Bangu aceitava pacificamente que um sócio do América apitasse seus jogos.

Foi isso que aconteceu no Campeonato Carioca de 1926, quando Vasco e Bangu se enfrentaram na Rua Paysandu, sob a arbitragem do americano Virgílio Fredrighi. A partida terminou em polêmica, irritando profundamente os banguenses e também alguns cronistas esportivos:
“Se não fosse a incompetência do juiz, sr. Virgílio Fredrighi, do América, a tarde esportiva de anteontem no campo da Rua Paysandu, entre as esquadras representativas dos clubes Bangu e Vasco, seria esplêndida. O sr. Virgílio Fredrighi foi o fato principal da vitória do Vasco e a derrota imerecida do Bangu. É preciso que a AMEA quando escolher juízes para arbitrar as partidas do Campeonato da cidade, faça recair esta escolha, naqueles cuja competência e técnica seja comprovada” – reclamou veementemente o jornal A Manhã.

Outro jornal relatou que uma assistência “colossal” compareceu à Rua Paysandu desde o meio-dia, quando os guichês para a venda de ingressos foram abertos, esgotando tanto as arquibancadas, que custavam 3$000, quanto às gerais, que saíam por 1$000.

Uma das raras imagens do jogo de 1926 mostra a defesa do Bangu trabalhando para evitar um gol.

Melhor no Campeonato, o Vasco começou bem e logo aos 15 minutos, o ex-banguense Claudionor fez, de cabeça, o primeiro gol do jogo. Impondo o ritmo, Paschoal ampliou para 2 x 0. O alvirrubro só conseguiu marcar quando Fausto invadiu a área e foi derrubado por Arthur. Pênalti claro que Plínio cobrou, diminuindo a vantagem para 2 x 1.

Mas foi no 2º tempo que o jogo ganhou em dramaticidade. Logo aos 2 minutos, Russinho fez o terceiro gol vascaíno. O Bangu, porém, começou uma reação incrível, anulando rapidamente a vantagem do rival. Aos 4 minutos, Bahiano fez o segundo gol. E aos 16 minutos, o mesmo Bahiano empatava a partida em 3 x 3.

A igualdade, porém, não ficaria no placar por muito tempo. Aos 18 minutos, um lance polêmico. Paschoal chutou. A bola passou pelo goleiro Pastor e, antes que entrasse na meta, o zagueiro Áureo cortou com a mão. O juiz Virgílio Fredrighi fez soar o apito. Era pênalti. Os banguenses pararam. Mas, o atacante Russinho não. Ele ainda chutou para as redes. Gol do Vasco!

O juiz, então, esqueceu o pênalti e resolveu validar o estranho gol. Os banguenses foram reclamar. O capitão Pastor tomou à frente. Mas, o árbitro estava decidido: era gol e pronto.

A resposta do Bangu veio nos minutos seguintes. Novamente Bahiano se incumbiu de empatar a partida, após receber belo passe de Ladislau: 4 x 4.

Mas, aquela tarde não era do Bangu. Aos 28 minutos, Milton marcou o quinto gol, que dava a dramática vitória aos vascaínos.

No dia seguinte, o próprio goleiro Américo Pastor escreveu uma carta à Associação Metropolitana de Esportes Atléticos reclamando da atuação do árbitro:

Na qualidade de capitão do 1º time do Bangu A.C., que em 30 do corrente, jogou com o Vasco da Gama, cumpre-me fazer o protesto abaixo, referente à decisão do juiz, sr. Virgílio Fredrighi, validando o 4º gol do Vasco da Gama.

É o caso que, tendo um back do Bangu, próximo ao seu gol, interceptado a trajetória da bola com as mãos, marcando o juiz com um apito, o respectivo pênalti, e tendo, logo após, arremessada pelo Vasco, a bola entrado no gol, o juiz desprezou a sua primeira decisão, para considerar válido esse ponto.

Fiz-lhe ver que assim fazendo não cumpria as regras sobre o pênalti e sua senhoria, apesar de comigo concordar, negou-se a receber o meu protesto, dizendo que o dirigisse à AMEA.

É o que faço para que fiquem salvos os direitos que, no caso, por ventura, caibam ao meu clube.

O árbitro acabou sendo chamado na sede da AMEA para prestar esclarecimentos à comissão executiva da entidade. O resultado do jogo, porém, não foi alterado.

A derrota injusta uniu ainda mais os banguenses. Os jogadores prometeram que, no 2º turno, quando o Vasco viesse jogar na Rua Ferrer, venceriam a qualquer custo.

Não deu outra...

Campeonato Carioca 1926
     
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