Rio de Janeiro, sábado, 21 de outubro de 2017 - 19h13min
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Rua Ferrer 27 de abril de 1930


Ladislau, Buza, Santana, Médio, Nicanor, Viola, Zezé, Eduardo, Dininho, Sá Pinto, Jaguarão e Domingos da Guia posam para a foto com a mascote Manô. Na Rua Ferrer, o Bangu goleou o Flamengo por 4 a 2.

Pela 4ª rodada do Campeonato Carioca de 1930, o Bangu recebeu o Flamengo na Rua Ferrer. Na ocasião, o favoritismo era todo da equipe suburbana, que estava em 3º lugar na classificação, enquanto o rubro-negro ocupava apenas a 9ª colocação entre 11 participantes.

As apostas em um sucesso alvirrubro aumentaram após duas épicas vitórias sobre o Fluminense por 3 a 2 e sobre o Botafogo por 4 a 3, ambas fora de casa. Acrescente a isto, a péssima fase que atravessava o Flamengo, vindo de duas derrotas: para o São Cristóvão e para o Syrio Libanez, por inacreditáveis 6 a 1.

Por isso, o público compareceu em massa para ver como o Bangu lidaria com a responsabilidade da vitória.

Mal os torcedores tinham achado um lugar nas arquibancadas e logo aos 4 minutos o Flamengo abriu a contagem. Aproveitando-se de uma confusão na área do Bangu, o atacante Flávio marcou o primeiro gol dos visitantes.

Mas aquele time do Bangu não era de se assustar facilmente. Dada nova saída, a bola foi passada para o ídolo Ladislau que, de fora da área, arriscou um forte chute (as famosas “tijoladas”, que lhe eram comuns). O goleiro Floriano pulou para o canto certo, mas no meio do caminho, o “míssil” é desviado pelo zagueiro Hélcio e foi parar no fundo das redes. Era o empate, aos 5 minutos do 1º tempo.

Agora era a vez de o Flamengo dar nova saída, mas logo perdeu a bola. O Bangu atacou e Ladislau novamente aproveitou a oportunidade para virar o placar: 2 a 1, aos 12 minutos. A torcida da Rua Ferrer delirava. Em apenas dois lances, o “Tijoleiro” tinha “consertado” o marcador.

O terceiro gol só foi sair aos 35 minutos, quando o centroavante Nicanor recebeu na área, driblou o zagueiro Hermínio e ampliou a vantagem alvirrubra: 3 a 1. A vitória parecia garantida.

No 2º tempo, o Flamengo voltou revigorado do vestiário. Logo aos 6 minutos, os rubro-negros conseguiram diminuir a vantagem. Angenor chutou de longe, Zezé espalmou para frente e Moderato pegou o rebote: 3 a 2.

A pressão aumentou. Os flamenguistas tentavam o empate. Moderato apareceu livre na frente de Zezé e o juiz Edgard Gonçalves - sócio do Bonsucesso - marcou impedimento. O ponta-esquerda perdeu o controle dos nervos, gesticulou e reclamou excessivamente, sendo advertido.

Pouco depois, na ânsia de marcar o gol, Moderato atingiu violentamente o goleiro Zezé. Desta vez não houve jeito. O árbitro expulsou de campo o melhor jogador do Flamengo na partida. Era o alívio que os banguenses precisavam.

Fato curioso é que foi preciso o presidente de Associação Metropolitana de Esportes Atléticos, Dr. Afrânio Costa, entrar em campo para confirmar a decisão do árbitro e só depois disso é que o ponta-esquerda do Flamengo foi retirado de campo...

Com um a mais, aos 28 minutos, Plínio cruzou e Ladislau deu números finais ao clássico: Bangu 4 a 2. Médio ainda marcaria o quinto gol, mas o juiz achou que era demais para as contas rubro-negras e anulou, considerando impedimento. Mesmo assim, foi uma vitória maiúscula dos “Mulatinhos Rosados” na Rua Ferrer.

O resultado levava o Bangu à vice-liderança do Campeonato Carioca, dois pontos atrás do Vasco, enquanto o Flamengo continuava em nono e antepenúltimo lugar.

“O Bangu está com um excelente team. Forte, de homens robustos, rápidos e que jogam football orientados por uma técnica, em todos os pontos, elogiáveis. Está jogando cada vez melhor o team do Bangu, é só apurar um pouco mais, como é natural que suceda com a sequência de jogos, e virá a ser um candidato muito sério ao Campeonato de 1930” – prognosticava o Correio da Manhã.

Se o Bangu não iria chegar ao título naquele ano, o “Tijoleiro” Ladislau já acumulava 6 gols em quatro jogos, rumando firme à conquista da artilharia máxima do Campeonato, ganhando os elogios dos jornais:

“Mereceu um registro especial, no entanto, a forma por que agiu o impetuoso meia-direita Ladislau, que progride a olhos vistos. Tem mais rapidez nos seus movimentos, já não aguarda tempo para desferir seus terríveis ‘tijolos quentes’, que tanto fazem tremer os guardiões adversários, e sobretudo, já cuida da distribuição do jogo, dando passes magníficos. Parece mesmo que ‘seu Ladislau’ quer ir para o Scratch” – avaliou A Batalha.

Campeonato Carioca 1930
     
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