Rio de Janeiro, sábado, 21 de outubro de 2017 - 19h13min
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Rua Ferrer 1º de maio de 1932


A equipe do Bangu que surpreendeu o Vasco no Dia do Trabalhador. Da esquerda para a direita: Newton, Plínio, Ladislau, Mário, Buza, Médio, Santana, Eduardo, Dininho, Plácido, Solon, Sá Pinto, Hilário e Sobral.

No início da década de 30, as comissões de operários já tinham espaço suficiente para negociar diretamente com a cúpula das fábricas. Em abril de 1932, um grupo de funcionários se reuniu com o gerente da Companhia Progresso Industrial do Brasil, José Alberto Guimarães, para pedir um favor. É que naquele ano, o feriado de 1º de maio – dia do trabalhador – cairia justamente em um domingo, quando a fábrica normalmente não funcionava. Os operários queriam que a folga fosse, então, concedida na segunda-feira, dia 2 de maio.

José Alberto Guimarães, que também era presidente do Bangu, disse que a fábrica não poderia fechar as portas numa segunda-feira e decidiu que os operários comemorariam o dia do trabalhador em 30 de abril, cancelando, assim, o meio expediente que todos eram obrigados a realizar aos sábados.

Assim foi feito, a Fábrica Bangu não funcionou nem no sábado, nem no domingo. Mas nem por isso, o bairro deixou de aglomerar trabalhadores neste fim de semana. É que no dia 1º de maio, no campo da Rua Ferrer, ocorreria a partida entre Bangu e Vasco, pela segunda rodada do Campeonato Carioca de 1932.

O confronto levou uma multidão ao “estadinho” da Rua Ferrer. Na ocasião, o Vasco era o 4º colocado, com 2 pontos, enquanto que o Bangu vinha em 7º lugar, com 1 ponto. As duas equipes figuravam entre as favoritas ao título, principalmente pela boa campanha de ambas no certame anterior. O Vasco tinha sido vice-campeão em 1931 e o Bangu chegara em terceiro lugar. Além disso, os vascaínos apresentavam um time de fazer inveja. Na zaga, tinham a dupla Brilhante e Itália – que participou da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1930 - e no ataque, havia a figura proeminente de Russinho – um dos melhores centroavantes do país.

Havia outros ingredientes para apimentar este jogo. O Bangu tinha perdido no início do ano o seu melhor jogador – o zagueiro Domingos da Guia – para o Vasco da Gama. Na época, a transferência de amadores (o futebol ainda não era profissional) exigia a “lei do estágio”, ou seja, o jogador que mudasse de clube tinha que ficar um ano sem atuar em partidas do time de cima, só jogando preliminares de segundos quadros.

Domingos, no entanto, nem fez questão de participar da preliminar, que terminou empatada em 2 a 2, frustrando assim milhares de torcedores que gostariam de vê-lo em ação.

Na partida principal, todo o equilíbrio esperado foi por água abaixo logo aos 15 minutos, quando Buza abriu o placar para o Bangu. Aos 17, o artilheiro Ladislau ampliou a contagem. O terceiro gol saiu aos 18 minutos, novamente com Ladislau, agora de cabeça. O Vasco reagiu. O ponta-esquerda Santana diminuiu para 3 a 1, aos 30. Alegria efêmera. Antes de terminar o 1º tempo, Buza ampliava para 4 a 1.

No 2º tempo, os times diminuíram o ritmo e o placar se manteve inalterado, até que Sobral fez o quinto e último gol, aos 30 minutos, selando uma goleada histórica por 5 x 1.

O resultado inimaginável foi a senha para uma grande festa pelas ruas do bairro, com direito a muita gozação aos portugueses que viviam em Bangu e com muita bebida durante a noite nos bares – cujos comerciantes só resolveram abrir as portas depois de saber o placar do prélio.

O presidente do clube, José Alberto Guimarães, contrário à folga na segunda-feira, acabou abrindo outra exceção: premiou os atletas que tinham participado da grande vitória e que eram operários da fábrica com o descanso de um dia após o jogo. Isso fez com que todos comparecessem a uma soirée dançante na sede do Bangu Club, onde foram alvos de muitas homenagens, como se tivessem ganho o título do campeonato.

Curiosamente, a folga na segunda-feira não serviu de nada para o atacante Buza – um dos destaques da partida, com dois gols. Militar, ele teve que se apresentar cedinho no quartel de Campinho e nem pode comparecer ao baile.


O Bangu ganha destaque nos jornais como sendo “o quadro que surpreendeu os esportistas cariocas”.

Campeonato Carioca 1932
     
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