Rio de Janeiro, quinta-feira, 21 de setembro de 2017 - 18h26min
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Laranjeiras 14 de maio de 1933


O Bangu vai até as Laranjeiras para o duelo contra o Fluminense. Da esquerda para a direita: Paiva, Sobral, Santana, Tião, Plácido, Ladislau, Sá Pinto, Euclides, Médio, Vivi e Mário.

No dia 23 de janeiro de 1933, América, Bangu, Fluminense e Vasco decidiram adotar o regime profissional. Ou seja, se até então os jogadores de futebol eram amadores, operários da fábrica, que tinham algumas regalias, como sair mais cedo para treinar, agora não precisavam mais dividir o tempo entre a bola e o tear.

Com isso, o Bangu, mesmo pagando salários modestos em comparação aos demais clubes, sabia que a partir de então, poderia cobrar mais de seus jogadores.

Em 1933, os “grandes” do Rio estavam convencidos de que o Bangu não ia fazer nada. Se o Bangu não levantara um Campeonato com o amadorismo, quanto mais com o profissionalismo. Um time que custava uma ninharia. Em luvas nem se falava. Ordenados de 300, de 400 mil réis no máximo. Mas para os do Bangu era muito, nunca tinham visto tanto dinheiro. Por isso, passaram a se dedicar ao máximo.

Além disso, a diretoria conseguiu para os atletas uma concentração “profissional”. O chalé dos ingleses, antiga moradia do administrador da fábrica, foi transformada na nova casa dos banguenses. De abril a dezembro de 1933, eles morariam ali, comeriam ali, dormiriam ali, treinariam ali. Uma organização como o Bangu nunca tinha visto.

O sistema era como de um quartel: às 7 da manhã todos tinham que estar de pé. Às 10 da noite, era o toque de recolher para o quarto. Era com essa disciplina que o Tenente Jayme Mathias Ricão - um instrutor de educação física, que fazia às vezes de técnico – almejava surpreender no Campeonato de 1933.

O primeiro grande teste seria contra o Fluminense, nas Laranjeiras, pela 2ª rodada. Na estreia, o Flu tinha batido o Vasco por 3 a 1, enquanto os banguenses golearam o América por 6 a 2, em Campos Sales.
“Apresentavam-se os locais como os prováveis vencedores. O Bangu era visto como um quadro bom, mas incapaz de bater o Fluminense. O ‘Papão Suburbano’ não intimidava aos dirigidos de Luiz Vinhaes. Findo o prélio de amadores, em que o Flu venceu por 3 a 1, defrontaram-se os comandados de Tião e Sinhô. O ‘bando’ alvirrubro firmou-se logo. Defesa segura, ataque combinado. Os locais não faziam o mesmo: a sua defesa não pôde conter a vanguarda contrária” – registrou o Diário Carioca, em sua página esportiva.

Foi assim que o atacante Tião, uma jovem revelação contratada ao Del Castilho F.C., pegou a bola e partiu para a área, sendo derrubado pelo zagueiro Nariz. O próprio Tião cobrou a falta, marcando 1 a 0 para os banguenses, aos 12 minutos de jogo. Gol que foi descrito assim pela crônica de A Noite:
“Em dado momento, o center suburbano, que vinha prestigiando o bom conceito, ameaçou o reduto contrário. Nariz foi-lhe ao encalço e aplicou-lhe violenta carga a uns três metros da área penal. Tião tombou em campo. Levantou-se, esticou os músculos, mancou um pouco e quis, ele mesmo, bater a falta. Foi o kick da raiva. Tião cobrou caro a falta contra ele cometida: recuou, preparou o golpe e pum! Violentíssimo tiro! Um relâmpago! Bola na rede!”

O Fluminense tentou reagir. O centroavante Sinhô chutou livre, mas a bola bateu na trave de Euclides. Tião fez questão de responder esse lance de perigo à altura.

Aos 23 minutos, ele aproveitou cruzamento de Sobral, ponta-direita vindo do América, e marcou, de carrinho, o segundo gol, num lance registrado pelos fotógrafos.


Tião se esforça, atirando-se ao chão, para marcar o segundo gol do Bangu, em pleno estádio das Laranjeiras.

No intervalo, o técnico Jayme Mathias Ricão alertou os banguenses: “Não deixem o Flu marcar o primeiro gol, porque aí a pressão vai aumentar. Mantenham os tricolores longe da nossa área”.

E assim foi feito. O Fluminense até que assustou o gol de Euclides, em um lance de Benedicto, que pegou novamente na trave.

O Bangu soube fazer o tempo passar, Tião ainda perdeu a chance de marcar o terceiro gol, acertando a trave de Chiquito. O tempo se esgotou e estava garantida uma vitória importantíssima, que colocava o time na liderança do Campeonato de 1933


O Diário da Noite rende elogios ao “Titan da Rua Ferrer” e enaltece a linha ofensiva, formada por Sobral, Ladislau, Tião, Plácido e Vivi, que venceu o Fluminense dentro das Laranjeiras por 2 a 0.

Campeonato Carioca 1933
     
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