Rio de Janeiro, terça-feira, 21 de novembro de 2017 - 04h33min
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Rua Ferrer 22 de agosto de 1943


Onze homens que se superaram em 1943: João Alberto, Enéas, Otacílio, Baleiro, Paulo, Antônio, Souza, Nadinho, Moacir Bueno, Joaquim e Sonô formavam o time banguense que goleou o Fluminense, na Rua Ferrer.

O bairro inteiro de Bangu estava agitado naquele domingo de agosto de 1943. Haveria um grande jogo no estadinho da Rua Ferrer à tarde: os “Mulatinhos Rosados” iriam receber o vice-líder do Campeonato Carioca, o temível Fluminense.

A partida atraiu mais de 8 mil pagantes: era uma questão de honra apoiar os banguenses. Depois de um começo difícil, o time estava se erguendo na competição e poderia até surpreender.

Por isso, houve uma preparação cuidadosa, que incluiu um grande foguetório antes das equipes entrarem em campo.

“À entrada da equipe suburbana, espocaram no ar numerosos foguetões, espetáculo de entusiasmo semelhante ao de 1933, quando o Bangu para levantar o Campeonato tivera que passar pelo último obstáculo, o Fluminense, o que fez de forma nítida. A torcida delirava, como antegozando a vitória” – registrou o Diário da Noite.

Depois da queima de fogos, a apreensão. O Fluminense começou melhor e, aos 19 minutos, o atacante argentino Invernizzi, de cabeça, abriu a contagem para os tricolores.

Mas não houve nem tempo de comemorar. O Bangu partiu para o ataque e Sonô, aproveitando-se de uma furada de Afonsinho, igualou o placar.

O 1º tempo, porém, não estava bom para os banguenses. Invernizzi, novamente de cabeça, venceu o goleiro João Alberto e fez com que o Fluminense fosse para o intervalo com uma respeitável vantagem de 2 a 1.

Nesses quinze minutos, o técnico Zé Maria deu algumas instruções aos atletas, especialmente ao atacante Moacir Bueno, que estava apagado, recebendo as bolas de costas para o gol. Quando ia se virar, perdia o lance.

Pois foi assim, de costas, que Moacir Bueno recebeu um centro de Sonô, aos 7 minutos. Moacir matou no peito e virou uma linda bicicleta, que o goleiro Batatais, do Fluminense, nem teve como pular na bola. Era o empate: 2 a 2. Era o gol mais bonito da história da Rua Ferrer!

O golaço de Moacir Bueno agitou a torcida e deu nova vida ao jogador. Quatro minutos depois de sua apoteose, novamente ele balançou as redes, virando a partida: 3 a 2.

Com a vantagem e com o adversário desnorteado, Sonô fez o quarto gol. Outro golaço. Ele driblou três adversários e chutou de perna esquerda (apesar de ser destro), para desespero do goleiro Batatais: 4 a 2.

O Fluminense reagiu aos 42 minutos, com um gol de Russo e começou a pressionar em busca do empate no tempo que restava. Todo mundo foi à frente, o que abriu a chance do contra-ataque.

Assim, aos 44 minutos, em vez do Flu, foi o Bangu quem marcou: Moacir Bueno, agora de cabeça, fez o jogo virar goleada: 5 a 3.

Foi a senha para uma comemoração pelas ruas do bairro que foi até a noite. Os bares ficaram cheios, a torcida ainda soltava os últimos foguetes, muitos gritavam “Bangu! Bangu!”, como se o time tivesse conquistado um título. Na verdade, o time tinha se superado e conquistado um resultado improvável, graças ao apoio de cada um dos que foram até a Rua Ferrer naquela tarde.

Durante a semana, a alegria continuou. Os jornais alardearam: “Os banguenses nunca viram um bicho tão polpudo”. Isso porque além dos 900 cruzeiros pagos pelo clube, os torcedores organizaram uma espécie de “Caixa da Vitória” que angariou mais 4.500 cruzeiros para ser dividido entre os onze heróis.


Nadinho, Joaquim e Moacir Bueno comemoram mais um gol do Bangu. O centro-avante alvirrubro fez o gol mais bonito da história da Rua Ferrer, ao acertar uma bicicleta na meta do goleiro Batatais, do Fluminense.

Campeonato Carioca 1943
     
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