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Moça Bonita 28 de março de 1948
A inauguração de Moça Bonita

Na época em que não havia alambrado, a torcida se espremia, mas conseguia assistir aos clássicos no Estádio Proletário. Foi assim, no amistoso contra o Flamengo, em 1948.

Sobraram poucas fotos daquele dia, é verdade. Mas a memória de quem esteve presente ao Estádio Proletário em 28 de março de 1948 deve guardar até hoje, como num álbum, as diversas imagens do jogo que inaugurou oficialmente o campo do Bangu.

Oficialmente, porque antes, no dia 15 de novembro de 1947, o estádio já tinha sido aberto para uma festividade. Mas, o Dr. Silveirinha, cioso de o time fazer feio, não quis inaugurar a “nova praça de esportes” com um jogo de futebol. O time de 1947 era muito fraco e corria o risco de perder. Foi preciso esperar mais quatro meses até que o presidente reforçasse a equipe e, enfim, pudesse haver um jogo no gramado de Moça Bonita.

Em 1945, começaram as obras do novo estádio do Bangu, que viria a substituir o campo da Rua Ferrer. Com a perspectiva de ficar pronto no ano seguinte, o estádio estava sendo construído no local da antiga Fazenda da Viúva, conhecido como “Moça Bonita”, que ficava, em relação à Rua Ferrer, do outro lado da linha férrea. Era o início do projeto do Dr. Silveirinha para desenvolver esta parte do bairro, ainda pouco urbanizada.

Com previsão de comportar 15 mil torcedores, o novo estádio era uma necessidade, afinal, o local onde estava situado o campo da Rua Ferrer era justamente no centro de Bangu, área de alto valor comercial, que seria futuramente vendida pela Fábrica para tornar-se um espaço para lojas, bancos e restaurantes. Além disso, as pequenas arquibancadas de madeira e ferro já não comportavam o grande público que o futebol arrastava para os seus jogos. O campo de Moça Bonita, um projeto que há muito já se falava, era agora uma realidade.

No jogo de estreia, contra o Flamengo, uma multidão lotou as arquibancadas de cimento e um sem número de torcedores ficou à beira da linha lateral, sem, no entanto, invadir o campo. Com certeza, havia mais de 15 mil pessoas em Moça Bonita naquela tarde.

Os jornais, porém, não se preocuparam em divulgar o público do amistoso. Publicaram apenas a renda, que atingiu a marca colossal de 177 mil cruzeiros.

“O público esportivo carioca terá a satisfação de ver inaugurada mais uma praça de esportes, onde terá a oportunidade de, com conforto, assistir às partidas do seu esporte predileto. Trata-se em verdade, de uma das mais modernas construções do Brasil, o Estádio Proletário que se franqueia ao público, com a realização de um encontro sugestivo. Por isso mesmo, o dia é de festa para o desporto local, e particularmente para Bangu, a quem pertence o magnífico local de esportes a ser aberto ao público. Construindo esta magnífica praça de esportes, deu o Bangu ao esporte metropolitano, uma das suas melhores localidades para a prática do futebol e merece por isso mesmo, toda a admiração dos desportistas e deve servir de exemplo marcante, àqueles que se habituaram a marcar passo, sem nada fazer sequer pelo seu próprio engrandecimento. A fim de que a tarde fosse das mais felizes para o público torcedor, a direção do Bangu promoveu um amistoso com o Flamengo, aproveitando a oportunidade, para lançar no seu conjunto, Domingos da Guia, que há pouco retornou às fileiras do alvirrubro” - enalteceu o Jornal dos Sports.


Antes de a bola rolar, uma banda de música percorreu a antiga pista de terra que circundava o gramado.

Um jogaço!

Quando Mário Vianna apitou o início do jogo, a maior dúvida ficou por conta de “quem faria o primeiro gol no Estádio Proletário?”. O flamenguista Durval chegou a anotá-lo, por duas vezes, ambos anulados por impedimento. Na verdade, ninguém queria que o primeiro gol do estádio do Bangu fosse rubro-negro, ainda mais de um jogador obscuro, como Durval.

Por isso, a multidão vibrou quando o mineiro Joel marcou 1 x 0 para o Bangu, aos 41 minutos do 1º tempo. Joel era uma das novas contratações do Dr. Silveirinha. Tinha vindo do Metalusina, de Barão de Cocais, junto com o médio Pinguela e o treinador Ayrton Moreira.

Aos 42, foi a vez do ídolo da torcida, Moacir Bueno, ampliar para 2 x 0. Na etapa final, outra “prata da casa”, Menezes, anotava o terceiro gol. A inimaginável goleada se consolidou quando Moacir Bueno, aos 26 minutos, fez 4 x 0.

Para não ficar feio, o Flamengo reagiu, conseguindo marcar dois gols na, até então, inexpugnável barreira formada por Domingos da Guia. O veterano zagueiro, já com 37 anos, era o grande destaque do novo time do Bangu. “Cansado de glórias”, como chegou a dizer, Domingos tinha feito uma exigência ao Corinthians, seu clube anterior: “passe livre para o Bangu, exclusivamente para o Bangu”.

Perto de encerrar a carreira, o “velho” Da Guia recebeu 40 mil cruzeiros de luvas e passou a ganhar um salário de Cr$ 1.700 no alvirrubro.

Ao final do jogo, como não podia deixar de ser, a imprensa elegeu Domingos como o melhor em campo, seguido pelo goleiro Orlando e o meia Pinguela.

     
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