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Santiago 14 de janeiro de 1950
Invictos no Chile


Lance confuso no Estádio Nacional de Santiago, onde o Bangu conseguiu amarrar a Seleção Chilena.

Depois de empatar com a Universidad Católica em 3 a 3, ganhar o Colo Colo por 2 a 1 e vencer a “revanche” contra a mesma Universidad Católica por 3 a 0, o Bangu teve pela frente o seu maior desafio no Estádio Nacional de Santiago naquele verão de 1950: iria enfrentar a Seleção Chilena, que se aprimorava para a disputa da Copa do Mundo, que se realizada no Brasil.

O orgulho do futebol deles estava arranhado, era preciso tirar a invencibilidade do Bangu no jogo de despedida. Diante de 30 mil torcedores num sábado à noite ocorreu algo inacreditável: o time de Aymoré Moreira arrancou um empate. Moacir Bueno fez 1 a 0 no 1º tempo, após receber um passe de Pinguela, fugir da falta e atirar forte para vencer Livingstone. O Chile só foi conseguir igualar na etapa final, com um gol do jovem Hormazabal, aos 15 minutos.

Por ter se destacado nas quatro partidas disputadas, o Bangu foi agraciado com uma bela taça pelo Departamento de Deportes do Chile.

Fato curioso é que, diferente do que se poderia pensar, o Bangu não ficou hospedado em Santiago. A delegação se alojou numa quinta, na área rural de Los Guindos, na cidadezinha de Melipilla, a 95 quilômetros da capital chilena, para ficar reclusa e em paz.

O que disseram os jornais chilenos

Os matutinos dizem que a última apresentação do Bangu, na noite de sábado, na qual ele empatou com o selecionado nacional, agradou o público, tendo havido, em geral, bom futebol de parte de ambas as equipes, destacando-se a atuação dos banguenses Luiz Borracha, Sula, Moacir Bueno, Ismael e Djalma.

La Nación assinala que o Bangu repetiu suas performances anteriores, manifestando um magnífico domínio da pelota, pertinácia, defesa e “efetividade”.

El Mercúrio dedica grande espaço a destacar a atuação do selecionado, dizendo que no 2º tempo a defesa brasileira fraquejou abertamente diante dos chilenos e “se os jogadores locais não tivessem dado provas da clássica imprecisão dos remates, o match poderia ter sido resolvido a favor dos nacionais”.

Diário Ilustrado assinala que o resultado da partida foi justo e merecido empate, embora o placar tenha favorecido os cariocas, de vez que os chilenos perderam duas magníficas oportunidades de marcar, acrescentando que o Bangu fez magnífica demonstração de futebol moderno e “deixará muitas gratas recordações e notáveis ensinamentos técnicos”.


Mirim, Pinguela, Sula, Luiz Borracha, Guálter e Rafanelli em pé. Agachados: Djalma, Menezes, Moacir Bueno, Ismael e Simões. Os onze atletas do Bangu que desafiaram a Seleção Chilena, em Santiago.



Recepção apoteótica

Segunda-feira à tarde chegaram a esta Capital os jogadores do Bangu que, depois de uma gloriosa campanha, retornaram ao Rio com um título sob todos os aspectos invejável: invictos em canchas chilenas.

Os rapazes dirigidos por Aymoré e Carlos Nascimento demonstraram, assim, uma fibra extraordinária, conseguindo mesmo em seu último compromisso contra o selecionado chileno um empate de 1 a 1.

A estação de hidros da Panair estava em festa com a chegada dos craques. Uma banda de música postada no jardim fronteiro tocava ora dobrados, ora marchas e sambas carnavalescos. Foguetes estouravam no ar e quando finalmente despontaram os jogadores, não chegavam para os abraços e para as perguntas.

O primeiro craque de quem nos aproximamos foi Djalma, um dos veteranos no Chile, pois já lá esteve duas vezes: “Fizemos uma boa campanha. Estou satisfeito com os resultados obtidos, pois todos sabem que vencer no Chile não é coisa fácil”.

Deixamos Djalma com sua família, abordamos Ismael. Ismael só tem uma queixa do Chile: “Os juízes chilenos são uma lástima. Protegem os clubes locais, prejudicando de todas as formas possíveis os visitantes”.

Finalmente, enquanto a multidão carregava em triunfo seus ídolos, conseguimos abordar Aymoré que, ao lado do presidente Silveirinha, procurava suas malas. O veterano técnico do Bangu foi lacônico: “Vencemos uma parada duríssima. Muita gente pensava que iríamos nos aventurar numa empreitada de que não nos poderíamos sair bem. No entanto, aí está o resultado. Saímos muito bem, graças a Deus!”

“E à fibra de vocês também” – ajuntou o presidente Guilherme da Silveira.

Vários caminhões acompanharam os craques até Bangu, onde tiveram eles recepção verdadeiramente apoteótica.

Fonte: Diário Carioca

     
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