Rio de Janeiro, quinta-feira, 23 de março de 2017 - 07h17min
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Maracanã 13 de janeiro de 1952


Rafanelli, Mário Vianna e Píndaro. O triplo aperto de mão antes do jogo escondia o que realmente iria ocorrer.

Mais de 60 mil pessoas foram ao Maracanã naquela tarde de domingo de 1952. Começaria a ser decidido o Campeonato Carioca de 1951 entre Bangu e Fluminense. O Bangu querendo recuperar um título que não via há 18 anos e, coincidentemente, enfrentando o mesmo rival da final de 1933.

Muitos dos banguenses que estavam no Maracanã em 1952, tinham estado também nas Laranjeiras em 1933 e esperavam que a vitória pendesse para o lado dos “Mulatinhos Rosados”, agora re-apelidados de “Milionários de Moça Bonita”.

O jogo, do qual se esperava muito, rendeu pouco. O cronista Luiz Mendes, escrevendo para a revista Esporte Ilustrado, sintetizou o que foi o encontro:

“Foi um espetáculo deprimente, verdadeiramente horrível, sem técnica, sem brilho, sem coisa nenhuma que pudesse ser considerado como futebol. Era a violência a se misturar com passes errados, com as bolas a esmo, com deslealdade. Nunca se viu dois times jogarem assim, tão mal, a ponto de não se compreender como equipes que chegaram tão alto, podiam rastejar tanto dentro de uma peleja”.

Logo aos 6 minutos de partida, o atacante Didi entra duro no zagueiro Mendonça, do Bangu. Falta gravíssima. O banguense fica estendido no gramado. A lesão era séria. Na época, não eram permitidas substituições. Mendonça sai de maca e o médico Hilton Gosling constata logo: fratura na perna.

Diante de tal quadro, o que fez o árbitro Mário Vianna? Nada. Na época não existiam os cartões amarelo e vermelho, mas já se fazia uso das expulsões de campo. Pois, enquanto todo o estádio ouvia o estalar da perna de Mendonça, Mário Vianna fazia “ouvidos de mercador” e mantinha Didi em campo e deixava o Bangu com um jogador a menos.

Como o lance foi próximo à linha lateral, o técnico banguense Ondino Viera observou atentamente a entrada criminosa:

“Não pode haver dúvida, o foul de Didi foi proposital. Isso não é coisa que se faça com um colega de profissão. Agora Mendonça poderá ficar inutilizado para a prática do futebol. O que no campo se faz, no campo se paga”.


O zagueiro Mendonça, já com a perna gessada, na enfermaria do Maracanã.

E foi nesse clima de revanchismo que o jogo continuou. Para formar a parelha de zaga com Rafanelli, Ondino recuou o ponta-direita Djalma, acabando com uma ótima jogada de ataque do Bangu, mas refazendo seu sistema defensivo.

O Fluminense chegou ao seu gol com Orlando “Pingo D´Ouro”, aos 26 minutos do 1º tempo. A partida era uma guerra.

Na etapa final, disposto a empatar, o Bangu esqueceu até mesmo que tinha um jogador a menos. Pena que, aos 18 minutos, num choque com Telê, o outro zagueiro banguense, o argentino Rafanelli, tenha se contundido. Não foi uma lesão tão grave quanto a que praticamente inutilizou Mendonça para o futebol. Mas, impossibilitou o banguense de continuar na partida. Ondino, desesperado, mandou o argentino continuar em campo, deslocado para a ponta-direita, aonde iria simplesmente fazer “número”. Para recompor novamente a zaga, o médio Ruy Campos foi ajudar Djalma.

Tínhamos 11 tricolores em campo e nove banguenses inteiros disputando a partida. Mesmo assim, o alvirrubro pressionou mais, atacou perigosamente e por pouco, não empatou a partida. Irritado com aquela sensação de que estava sendo prejudicado tanto pelo árbitro, quanto pela sorte, o médio Mirim deu um pontapé em Telê, que revidou. Desta vez, Mário Vianna viu e expulsou os dois brigões.

Com 8 jogadores apenas, o Bangu recuou todo para perder o primeiro jogo da decisão apenas por 1 x 0.

o Bangu, o zagueiro Rafanelli e o ponta-direita Djalma vieram do “Expresso da Vitória” do Vasco; Mirim era do Fluminense; Zizinho foi contratado a peso de ouro junto ao Flamengo; o meia Ruy Campos jogava no São Paulo; e o ponta-esquerda Nívio era o destaque do Atlético Mineiro. Todos eles formavam agora na equipe do técnico uruguaio Ondino Viera, campeão carioca pelo Fluminense em 1938, 1940 e 1941 e pelo Vasco, em 1945.

Nos próximos domingos, Bangu e Fluminense voltariam ao gramado do Maracanã para decidir em uma “melhor-de-três” qual dos dois titãs iria ganhar o Campeonato Carioca de 1951. Pela vitória na última rodada, parecia que o alvirrubro levava, ao menos, uma vantagem psicológica.


O zagueiro Rafanelli no gramado, sendo atendido por um enfermeiro, pelo massagista Pastinha e pelo Dr. Hilton Gosling. Mais uma baixa naquela “guerra”.

     
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