Rio de Janeiro, sábado, 16 de dezembro de 2017 - 05h16min
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Maracanã 27 de setembro de 1952


Francisco Alves, o “Rei da Voz”, foi o maior cantor do Brasil na primeira metade do século XX.

Sábado, 27 de setembro de 1952. Tarde de muito calor no Maracanã. Exatas 12.235 pessoas presenciaram o clássico entre Bangu e América, numa época em que ambos os clubes ainda podiam se considerar postulantes ao título de campeão carioca.

“A tarde estava quente e isto deve ter afugentado os torcedores. Pior para eles, que deixaram de assistir um encontro interessante, em que o Bangu afirmou de maneira iniludível sua condição de candidato real ao título” - afirmou o Diário da Noite.

Além do público presente ao estádio, é certo que uma multidão também estava ouvindo pelo rádio a transmissão da partida. Através da imaginação, cada torcedor tinha ideia do que os craques faziam com a bola pelo gramado.

Um desses ouvintes era justamente o torcedor mais famoso do América à época: o “Cantor das Multidões”, Francisco Alves. Voltando de São Paulo para o Rio, a bordo de seu Buick, pela rodovia Presidente Dutra, o “Rei da Voz” sintonizou a Rádio Tupi, onde o locutor Raul Longras lhe contaria as peripécias do time rubro naquela tarde.

O jogo começou às 15h30. Aos 38 minutos do 1º tempo, Francisco Alves teve motivo para se alegrar. O ponta-direita Guilherme, de bicicleta, fazia um golaço para o América que, com isso, iria para o intervalo, vencendo por 1 a 0.

Mas no 2º tempo tudo mudou. O Bangu, do técnico Ondino Viera, passou a pressionar mais e alcançou o empate logo aos 9 minutos, com um chute de Zizinho, que ainda bateu no travessão antes de entrar: 1 a 1.

Logo depois, o zagueiro Joel se contundiu. Pior para o América, já que na época as substituições não eram permitidas. Deslocado para o ataque, apenas para “fazer número”, eis que Joel consegue o impossível: aos 20 minutos, acerta um chute no gol de Arizona e faz o segundo tento americano.

Sorte do Bangu que ninguém teve tempo de se abater. Aos 23 minutos, o ponta-esquerda Nívio acertou um chute seco, rasteiro, no canto do goleiro Gavillán, voltando a empatar a partida. Francisco Alves no seu Buick e toda torcida americana não contavam com uma resposta tão rápida dos “Milionários de Moça Bonita”.

A partida continuava eletrizante. Na voz dos speakers de rádio, então, ganhava ares de loucura para quem estava do outro lado, ouvindo a “irradiação” do jogo. Foi, então, que aos 34 minutos, Menezes chutou forte, a bola veio quicando pelo gramado e acabou batendo numa saliência, encobrindo o goleiro Gavillán, que se atirava para defender um chute rasteiro. Era a virada do Bangu!

O paraguaio Gavillán era o goleiro reserva do clube rubro. Osni, o titular, não jogara por estar contundido e a torcida não tinha a mínima confiança no seu substituto. Nem a torcida, nem o meia Zózimo. Aos 44 minutos, quando era grande a pressão americana pelo empate, o Bangu alcançou seu quarto gol.

Zózimo atirou forte da entrada da área na direção de Gavillán, a bola bateu no peito do keeper com tanta força, que subiu e foi parar dentro da meta. Gavillán ainda correu para agarrá-la, mas já estava abraçado à bola, dentro das redes. Um autêntico frango! O goleiro foi crucificado, inclusive, pelo próprio técnico do América: “Gavillán foi comprometido, indiscutivelmente, pelo quarto gol do Bangu. Falhou e teve, realmente, enorme parcela de culpa” – resmungou Juca da Praia.

Era por volta de 17h30. Francisco Alves desligou o rádio resmungando da atuação de seu goleiro para o carona, o também americano Haroldo Alves. Menos mal que, enquanto seu time capengava no Campeonato de 1952 (era a terceira derrota americana em seis jogos), sua carreira era um sucesso estrondoso. Na sexta-feira à noite, tinha feito um grande show no Largo da Concórdia, em São Paulo. No domingo, ao meio-dia, teria que estar na Rádio Nacional, na Praça Mauá, no Rio, para participar ao vivo no programa de Luiz Vassalo.

Como tinha medo mortal de andar de avião, traumatizado pelo fato de Carlos Gardel, o “Rei da Voz” dos argentinos, ter perdido a vida numa decolagem, em 1935, Chico Alves preferia fazer o percurso São Paulo-Rio de carro, ele mesmo dirigindo, ouvindo rádio e se lembrando da época em que era um simples chofer de praça.

Naquele sábado, infelizmente, o “Rei da Voz” se envolveu num acidente fatal a 130 quilômetros por hora. Às 17 horas e 35 minutos, “no trecho da estrada que atravessa o município paulista de Pindamonhangaba, o seu carro chocou-se com um caminhão, transformando-se numa fogueira. Ferido de morte, Chico foi envolvido pelas chamas, o seu corpo ficou carbonizado”. – registrou o Diário da Noite.

Evidente que o noticiário esportivo ficou em segundo plano nos jornais do dia seguinte. A morte trágica do maior cantor do país, aos 54 anos, emocionou o Rio de Janeiro. No domingo, mais de 100 mil pessoas foram até a Candelária, no centro do Rio, onde o corpo estava sendo velado no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Muitos culpavam o motorista do caminhão, João Válter Sebastiani pela tragédia; outros culpavam o dentista Jorge Abussanam, que dirigindo um Mercury preto, teria saído de uma estrada de terra justamente à frente do caminhão que, para evitar um choque, teria escapado para a outra pista, exatamente aquela em que trafegava Francisco Alves.

Todos os fãs, no entanto, devidamente se esqueceram que Francisco Alves morrera pensando simplesmente na derrota imposta pelo Bangu ao seu América...

Campeonato Carioca 1952
     
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