Rio de Janeiro, sábado, 16 de dezembro de 2017 - 05h22min
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Maracanã 21 de novembro de 1953


“Depois de estar vencendo por 2 x 0 e 3 x 1, os vascaínos e seus erros táticos permitiram a reação banguense e a vitória deste” – é o que diz o subtítulo da reportagem do Diário da Noite.

O regulamento do Campeonato Carioca de 1953 previa que os seis primeiros colocados ao término dos dois primeiros turnos iriam disputar o Hexagonal Final. Por isso, a situação do Bangu era bem desesperadora. Estava em sétimo lugar, correndo atrás do Madureira para alcançar a sexta vaga. Era isso ou a eliminação precoce. Com um elenco tão caro, o fracasso do alvirrubro seria um vexame de grandes proporções.

Um técnico já tinha caído. Délio Neves cedera o comando para Tim, treinador de sucesso nos Juvenis. Desde que Tim assumira, o Bangu realmente tinha melhorado. Vencera seguidamente a Portuguesa, o São Cristóvão e o Canto do Rio. Mas agora o adversário era bem mais difícil: tratava-se do Vasco, campeão de 1952, e treinado pelo famoso Flávio Costa.

Naquela tarde de sábado, mais de 25 mil torcedores foram ao Maracanã ver aquele Bangu em ascensão contra o bem armado time vascaíno, dono de uma linha atacante histórica: Sabará, Maneca, Vavá, Pinga e Alvinho.

O Vasco começou arrasador. Aos 16 minutos, Alvinho chutou forte, o goleiro Jorge pegou, largou e Pinga completou o rebote, marcando o primeiro gol da tarde.

Ainda atordoado, querendo reagir, o Bangu levou o segundo gol aos 19 minutos. Pinga passou pelo zagueiro Torbis e tocou para Vavá, livre, completar para o fundo das redes de Jorge: 2 a 0. O destino dos alvirrubros parecia selado naquele momento. Como reverter um placar tão adverso?

Eis que, aos 29 minutos, Nívio enche o pé e o goleiro Osvaldo dá rebote. De frente para o gol, Menezes completa, diminuindo a desvantagem: 2 a 1.

Os banguenses ainda soltavam seus rojões, quando o Vasco fez o terceiro gol. Maneca encobriu o goleiro Jorge. Foi um balde de água fria, com 3 a 1 a fatura poderia estar liquidada.

Poderia. Não tivesse o Bangu de 1953 elementos de valor incontestável. Dois minutos depois, em uma cobrança de córner, Miguel levanta para a área, a zaga vascaína afasta mal e Nívio fuzila: 3 a 2. O jogo estava completamente aberto e assim terminou o 1º tempo.

O time vascaíno vinha marcando homem a homem, religiosamente e implacavelmente. Talvez o técnico vascaíno acreditasse que marcando dessa maneira aos dois homens-chaves do Bangu - Zizinho e Décio Esteves - o placar estivesse garantido. Tim havia anotado isso e percebera que Danilo e Mirim vinham se desentendendo em campo, um mais obediente às ordens do treinador e o outro querendo jogar o seu futebol.

No vestiário, Tim chamou os jogadores, botões na mesa e deu suas instruções:

- Décio e Zizinho, eu dependo totalmente de vocês dois para endireitar esse placar. Se vocês fizerem o que eu vou pedir, nós seremos capazes de empatar esse jogo, ou até mesmo de vencer. Vocês vão fazer o possível para carregarem Danilo e Mirim para o lado esquerdo. Aquilo que vocês fazem habitualmente no meio campo, vão fazer do meio para a esquerda. Façam de contas que o campo encolheu. Joguem ali, o mais que puderem. Danilo e Mirim terão que seguir vocês, senão o meu plano não irá funcionar. O Nívio, sempre que vocês aparecerem lá por sua região, descambará para o miolo. É só servir ao Nívio: o resto é com ele.

Não deu outra coisa. Tudo se passou como fora previsto no vestiário. Nívio, se infiltrando pela boca da área marcou o gol de empate aos 11 minutos do 2º tempo.

O mais surpreendente ocorreu aos 43 minutos. Zizinho até tentou fazer o gol, mas a bola bateu em Mirim e sobrou limpa Nívio chutar no meio da meta, forte. Osvaldo, desacreditado, viu a rede balançar, a torcida do Vasco se calar e as bandeiras vermelhas e brancas balançarem.

Em êxtase, Nívio corre pelo gramado, o Bangu tinha vencido por 4 a 3 no finalzinho. Tinha feito a maior virada da história do Maracanã até então.

O jornal Diário da Noite informava que os banguenses iriam receber 2 mil cruzeiros de prêmio pela vitória, e que Nívio teve permissão para ir a Belo Horizonte, visitar sua família, por ser “o herói da jornada”...

Campeonato Carioca 1953
     
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