Rio de Janeiro, quinta-feira, 21 de setembro de 2017 - 18h25min
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30/10/1966 - BANGU 1 x 2 FLAMENGO

FICHA TÉCNICA
Competição:
Campeonato Carioca
Local:
Maracanã (RJ)
Público:
34.229
Árbitro:
Aírton Vieira de Morais
Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Luisinho Boiadeiro, Paulo Borges, Cabralzinho e Aladim.
Técnico: Alfredo González.
Franz, Murilo, Itamar, Jaime e Paulo Henrique; Nelsinho e Carlinhos; Gildo, Almir, Silva e Osvaldo.
Técnico: Armando Renganeschi.
No 1º tempo: Paulo Borges (10). No 2º tempo: Silva (29) e Almir (40).
Silva (Flamengo).

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Flamengo líder invicto no heroísmo: 2 x 1
Fo
nte: Última Hora

O Flamengo assumiu a liderança invicta do Campeonato Carioca com uma vitória sensacional sobre o Bangu por 2 x 1, ontem, no Maracanã, em circunstâncias inteiramente adversas, pois a sua equipe foi amplamente dominada no primeiro tempo, tinha Osvaldo sem condições de jogo e perdeu Silva logo depois do gol de empate, mas ainda ficou com Almir, que decidiu a partida com um gol memorável, de raça e heroísmo.

Paulo Borges, aos 10 minutos, abriu a contagem para o Bangu, que continuou a pressionar e perder boas oportunidades. O Flamengo melhorou no segundo tempo e Silva conseguiu o empate aos 29 minutos. Mesmo inferiorizado numericamente, a equipe rubro-negra conquistou o gol da vitória por intermédio de Almir, aos 40 minutos.


Início do Bangu

O Bangu começou jogando uma excelente partida, com um futebol solto, sempre de primeira, explorando principalmente os lançamentos de Cabralzinho e a velocidade de Paulo Borges.

No meio-campo, o jogo também estava melhor para o Bangu, pois Jaime corria uma enormidade e Ocimar desenvolvia um bom trabalho. Tecnicamente, a partida não era muito boa, pois o estado muito ruim do gramado não permitia jogadas de beleza.

O Bangu mostrava claramente que estava melhor, quando, aos 10 minutos, Cabralzinho recebeu pela meia-direita e deu passe na medida para Paulo Borges, penetrando pela meia-esquerda. O atacante recebeu e chutou forte, certeiramente, no canto direito de Franz.

O Bangu continuou no ataque com toda a sua equipe jogando bem, mantendo a bola no chão, a não ser nos lançamentos em profundidade, que quase sempre deixavam a defesa do Flamengo desarvorada.

Carlinhos tentou um arremesso da entrada da área, aos 21 minutos, que passou rente à trave direita de Ubirajara e dois minutos depois, Aladim bateu uma falta no ângulo esquerdo de Franz, que ainda tocou com a mão na bola, impulsionando-a contra a trave.

Silva desperdiçou uma cabeçada aos 32 minutos, por cima do travessão, mas daí até o final, o Bangu tomou conta do jogo, mantendo forte pressão sobre o Flamengo, sempre com Paulo Borges nas conclusões das manobras ofensivas.


Vitória épica

No segundo tempo, Aladim se retraiu um pouco, para evitar os avanços de Murilo, passando o Flamengo a marcar mais em cima, com todos os defensores procurando se antecipar nas jogadas. Como Osvaldo não tinha condições de jogo, pois estava machucado, o esquema do Flamengo ficou centralizado em Carlinhos, que distribuía o jogo com perfeição, mas não conseguia brechas para enfiar a bola. O Bangu ameaçou com Paulo Borges, chutando à direita de Franz, aos 11 minutos, e Almir conseguiu escapar pela linha de fundo, aos 13 minutos, mas Ubirajara conseguiu defender com dificuldade.

Osvaldo teve o empate nos pés, aos 18 minutos, recebendo livre dentro da área, mas preferiu o cruzamento infrutífero. O Flamengo animou-se e passou a ir mais à frente, mas insistia nos lançamentos pelo alto, tentando Silva.
Aos 29 minutos, Carlinhos aprofundou-se e deu literalmente a Silva pela meia-esquerda. O atacante fez um giro, derivou para o meio e chutou forte e rasteiro da área no canto esquerdo de Ubirajara, empatando a partida.

Dois minutos depois, Silva entrou duro em Cabralzinho e o juiz expulsou-o, passando o Flamengo a defender-se para garantir o empate, porque também Murilo se ressentia de uma contusão.

Aos 40 minutos, Nelsinho cobrou uma falta quase no meio do campo, à direita. Almir desprendeu-se como um foguete do bolo de jogadores na entrada da área e cabeceou forte, já na pequena área, em cima de Ubirajara, que rebateu. A bola ficou no chão e Almir mergulhou sensacionalmente no chão impulsionando a bola com a cabeça para o fundo das redes. O Bangu tentou desesperadamente o empate, mas a defesa do Flamengo, principalmente Franz, garantiu a vitória.


Ubirajara: Almir fez gol com o braço

O goleiro Ubirajara era o mais inconformado dos jogadores do Bangu, declarando que Almir estava impedido na primeira cabeçada e jogou a bola para o fundo das redes com o antebraço, quando mergulhou para o chão, no lance que deu a vitória ao Flamengo.

O jogador também se queixava de que Almir o ameaçou durante o jogo, prometendo que iria “partir-lhe ao meio na primeira bola dividida” se ele continuasse a reclamar do juiz, manifestando a sua revolta contra o jogador rubro-negro e lamentando que não o tivesse “apanhado de jeito”.


Tranquilidade

Tanto o técnico González como o presidente Euzébio de Andrade e o vice-presidente Castor de Andrade estavam tranqüilos e aceitaram a derrota normalmente, recusando-se todos a comentar o lance que deu a vitória ao Flamengo “porque dali da boca do túnel não dá para ver direito”.

González negava que tivesse dado qualquer ordem à equipe no sentido de manter-se na defesa durante o segundo tempo para garantir o placar de 1 x 0:

“Isso seria um absurdo, pois estávamos jogando muito melhor e poderíamos até chegar à goleada, com um pouco de sorte. O esquema de jogo foi o mesmo do início ao fim, mas o Flamengo melhorou no segundo tempo, passou a acertar os passes e ganhou um bonito jogo. A rigor, acho que o Bangu não merecia esta derrota, mas estou conformado, já que o Flamengo soube encontrar a vitória em condições adversas, inclusive com menos um em campo”.

O vice-presidente Castor de Andrade demonstrava tristeza pela derrota, mas nenhuma revolta. Recusava-se, inclusive, a discutir o lance do gol de Almir:

“Segundo o depoimento de Ubirajara e outros jogadores, o lance foi ilegal, mas dali onde eu me encontrava não era possível observar detalhes. Acho que a derrota foi um resultado que não merecíamos, mas o Flamengo foi um gigante”.


Assim não é possível

Cabralzinho reclamava da arbitragem e dizia que “assim não vai ser possível ganhar este campeonato”:

“Se depender só do time nós estamos fritos.

Estamos em condições de vencer qualquer adversário, mas quando os juízes beneficiam sistematicamente o adversário, a coisa fica muito difícil. Agora mesmo é que tudo vai piorar para o nosso lado, pois não somos mais líderes, as atenções estão menos voltadas sobre nós e fica muito mais fácil de nos roubar”.


Eles não viram

Luís Alberto e Jaime, ainda sob o chuveiro, comentavam o gol de Almir, que, segundo ambos, foi feito com a ajuda do braço e manifestavam irritação contra o árbitro e o bandeirinha da partida:

“Corri para o juiz e ele me disse: ‘eu não vi nada’. Fomos todos consultar o bandeirinha e ele estava pálido, mal conseguindo dizer que também não tinha visto nada. Ora bolas, se o juiz não viu nada e o bandeirinha também não viu nada, por que o gol foi validado? Francamente, dá raiva perder uma partida como essa, em que fomos muito superiores. Basta dizer que só não liquidamos a fatura logo no primeiro tempo por absoluta falta de sorte” – disse Jaime.

     
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