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Maracanã 26 de novembro de 1966

Todo mundo já deve ter ouvido falar em um jogo em que Castor de Andrade invadiu o campo de arma em punho atrás do juiz, descontente que estava com o andamento da partida.

Esse fato quase inacreditável ocorreu mesmo e foi exatamente no maior palco do futebol brasileiro. Maracanã, sábado à noite. Um público de 13.373 pagantes testemunhou a cena de filme de “bang-bang”. Um acontecimento insólito que serviu para garantir ao Bangu uma vitória importantíssima rumo ao título de 1966.

Os jornais do dia seguinte dispararam contra o dirigente alvirrubro. “Castor ganhou jogo coagindo juiz: 3 x 2” – disse o Última Hora; “Bangu venceu América por 3 a 2 com pênalti inexistente no último minuto” – escreveu o Jornal do Brasil.

Foi uma noite em que o Bangu teve tudo para perder para o América e prejudicar a campanha impecável de 66. Logo aos 5 minutos de jogo, Ica fez 1 a 0 para os rubros.

O Bangu conseguiu empatar graças a uma jogada individual de Paulo Borges, que driblou Eraldo e Aldeci, esperou a saída do goleiro Ari e completou para o fundo das redes em um verdadeiro golaço, aos 21 minutos.

Ter um craque do porte de Paulo Borges era fundamental. Aos 31 minutos, ele ganhou na corrida dos zagueiros Luciano e Eraldo, pegou a bola e, por cobertura, surpreendeu novamente o goleiro Ari: 2 a 1.

Praticamente sozinho, Paulo Borges tinha “endireitado” o placar do Maracanã. Só que, a partir daí, o América ressurgiu no jogo e começou a pressionar. O lateral-direito Fidélis se contundiu gravemente – e como, na época, não eram permitidas substituições, ficou em campo “fazendo número” na ponta-esquerda.

O 2º tempo reservou as melhores emoções para os torcedores. O América só não empatou com um belo chute de Edu, porque o travessão “defendeu”, com Ubirajara já batido.

Na sequência, o árbitro Idovan Silva anulou um gol do americano Zezinho, em impedimento.
A situação não era das melhores para o Bangu. Até que, aos 29 minutos, Cabrita derrubou Edu na área perigosa. Pênalti que o juiz não titubeou em marcar.

Foi aí que Castor de Andrade, na época vice-presidente de futebol do clube, invadiu o gramado do Maracanã, com um revólver reluzente. Queria mostrar toda sua indignação para o sr. Idovan Silva. Cabralzinho teve que conter o ímpeto de Castor, enquanto o juiz, acovardado, correu para se esconder atrás de Ubirajara.

- Eu não tenho nada a ver com isso. Tá vendo? Foi fazer besteira agora o ‘homem’ quer te pegar... – dizia o goleiro ao árbitro em apuros.

Os policiais acabaram retirando Castor de campo. Depois de muita confusão, eis que Eduardo cobrou o pênalti, empatando a partida: 2 a 2.

O Bangu teve que ir ao ataque. Descuidou-se da defesa, e Eduardo quase surpreendeu Ubirajara, que pegou o forte chute em dois tempos.

Enfim, quando o americano Aldeci caiu em campo, precisando de atendimento médico, o juiz Idovan Silva foi até ele. Achou que era “cera” e expulsou o zagueiro.

Aos 43, era o ponta-direita rubro Zezinho que caía em campo, tentando diminuir o ímpeto do Bangu. Neste caso, o juiz também não paralisou o “espetáculo”.

O jogo de “ataque contra defesa”, imposto pelo Bangu, teve um final polêmico. O lance, comentadíssimo na época, ocorreu exatamente aos 45 minutos do 2º tempo:

“Ocimar fez um lançamento em profundidade para Paulo Borges, que chegou à grande área juntamente com Aladim. Paulo Borges perdeu o controle da bola, caindo ao chão, e Luciano desafogou para fora da área, quando o juiz assinalou pênalti. Marcação absurda, injusta e escandalosa, pois Paulo Borges caíra sozinho a uma distância de, aproximadamente, três metros do único zagueiro americano dentro da área” – registrou o cronista Álvaro Queiroz, do Última Hora.

Cabralzinho foi para a cobrança decisiva. Chutou forte, no alto, sem defesa para Ari. O Bangu vencia por 3 a 2 e estava empatado com o Flamengo na tabela de classificação.

Ao terminar a partida, o árbitro Idovan Silva foi falar com Ubirajara.

- E aí, ‘Bira’, será que o ‘homem’ ainda quer me pegar?

- Fica tranquilo que eu vou conversar com ele... - disse o goleirão.

No vestiário do Bangu, os repórteres só queriam saber o que Castor de Andrade tinha a declarar. O vice-presidente de futebol, malandramente, respondeu apenas o que queria:

- Essa vitória foi conseguida com a alma e o coração do Bangu, que provou ser uma equipe que tem garra, luta e não se intimida ante uma partida decisiva.      

O técnico argentino Alfredo González também fez questão de falar, embora claramente invertesse os papéis, colocando-se como vítima dos erros de Idovan Silva:

- Esse rapaz que apitou o jogo pareceu inexperiente. Creio que se trata de um árbitro novo, pois, caso contrário, ele não teria feito tudo aquilo em prejuízo do Bangu. É verdade que poderíamos ter vencido por um escore melhor, mas o juiz nos atrapalhou demais.

A frase

É um rato, um ladrão desclassificado! O Castor está certo. Com um tipo dessa laia, nós também deveríamos ter agido desta forma”.

Wolney Braune,
presidente do América, referindo-se ao árbitro do jogo


Castor de Andrade, vice-presidente de futebol, e seu pai, Euzébio de Andrade, presidente do clube. Tão importante quanto os jogadores, essa dupla foi fundamental na conquista do título de 1966.
Campeonato Carioca 1966
     
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