Rio de Janeiro, sexta-feira, 24 de novembro de 2017 - 18h03min
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18/12/1966 - BANGU 3 x 0 FLAMENGO

FICHA TÉCNICA
Competição:
Campeonato Carioca
Local:
Maracanã
Árbitro:
Aírton Vieira de Moraes
Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim
Valdomiro; Murilo, Jaime, Itamar e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Carlos Alberto, Almir, Silva e Oswaldo
No 1º tempo: Ocimar e Aladim. No 2º tempo: Paulo Borges
Ubirajara, Luís Alberto, Ari Clemente e Ladeira (Bangu); Valdomiro, Itamar, Paulo Henrique, Almir e Silva (Flamengo)
 
Gols do Ocimar, Aladim e Paulo Borges - (Narração: Jorge Curi)
 
BANGU Campeão Carioca de 1966 (Veja os gols e o depoimento dos jogadores que participaram da final)
A BRIGA (Por causa do conflito generalizado entre os jogadores, a partida foi encerrada aos 25 minutos do 2º tempo. O resultado foi confirmado e deu ao Bangu o título de Campeão Carioca de 1966)

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Foto: Arquivo JS
Almir (E), Mário Tito e Ubirajara Motta: supremacia do Bangu na decisão de 1966

Bangu, campeão, com sobras, de 1966: 3 a 0 no Flamengo
Fo
nte: Jornal dos Sports (Arquivo JS - publicado em 07/12/2001)

Em 1966, o Bangu conquistou seu segundo título carioca com uma equipe muito bem montada, fazendo bela campanha, com 15 vitórias, dois empates e apenas uma derrota, para o Flamengo, no primeiro turno.

Mas a revanche veio na final do Campeonato, e teve o sabor especial. Contra o Flamengo, no Maracanã, o Bangu provou que, naquele ano, tinha a melhor equipe da cidade. A vitória por 3 a 0 - gols de Ocimar, Aladim e Paulo Borges - foi pequena diante da superioridade banguense na decisão e poderia ter sido maior, se Almir não tivesse iniciado a confusão que provocou nove expulsões - cinco para o Flamengo e quatro para o Bangu -, obrigando o árbitro Aírton Vieira de Moraes a encerrar a partida aos 25 minutos do segundo tempo, garantindo o título ao Bangu após 33 anos.

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Na tarde de 18 de dezembro de 1966, o maracanã recebia cento e quarenta mil torcedores para assistirem a decisão do campeonato carioca daquele ano. Mais de cem mil eram torcedores do Flamengo. Eles tiveram que assistir em silêncio o barulho que a pequena torcida do Bangú fazia para comemorar um titulo que perseguia a trinta e três anos. A torcida do Flamengo estava de bandeiras arriadas, enroladas, sem ânimo sequer para perceber que a noite caia e já era hora de ir embora. A festa pertencia ao Bangú. Não importa que não tenha sido uma festa como a torcida queria, sem manchas, limpa, bonita, resultado normal de noventa minutos de excelente futebol. Futebol que poucos times sabiam praticar como o Bangú daquele ano.

Entretanto, a história foi bem diferente. A partida não terminou. Os jogadores brigaram. A torcida brigou. Cenas de violência e ódio que acabaram por inscrever na história do futebol, não apenas o jogo decisivo, mas a imagem definitiva de um homem que fez dos gramados sua praça de guerra, num misto de herói e vilão: Almir, cujo destino fez com que ele morresse, moço ainda, na porta de um bar, sete anos depois. Almir foi assassinado a tiros em Copacabana.

O Bangú que chegou a última batalha depois de dezoito jogos, vencendo quinze, empatando dois e perdendo apenas um. Ubirajara. Fidelis. Mário Tito. Luis Alberto e Ari Clemente. Jaime e Ocimar. Paulo Borges. Ladeira. Cabralzinho e Aladim foi o grande time do campeonato carioca de 1966 e muito bem dirigido pelo treinador Alfredo Gonzalez. O Flamengo na decisão era um time cheio de problemas técnicos e psicológicos. Valdomiro. Murilo. Jaime. Itamar e Paulo Henrique. Carlinhos e Nelsinho. Carlos Alberto. Almir. Silva e Osvaldo.

Aos três minutos do segundo tempo, a maioria dos torcedores rubros negros estavam calados. O placar de 3x0 para o Bangú era um sinal evidente da derrota, pois, além da diferença nos números, o adversário dominava o jogo. Os caminhos da reação pareciam fechados. Vinte e seis minutos e tudo estava na mesma. De repente, o futebol acaba, cedendo lugar a uma das maiores confusões já registradas no maracanã.

O lateral Paulo Henrique se preparava para cobrar um lateral quando Ladeira tentou impedir e provocou o jogador do Flamengo. Paulo respondeu com palavrões e recebeu uma bofetada do atacante do Bangú. Almir estava ligado na partida e disposto a tudo para não aumentar a humilhação. Era demais para uma tarde só. Primeiro, os frangos de Valdomiro, que mais tarde foi acusado pelo próprio Almir de ter se vendido. Depois, as contusões de Carlos Alberto e Nelsinho. Agora, o tapa de Ladeira. Almir perde inteiramente o controle.

Partiu, desesperadamente, na direção a Ladeira, que prefere correr, mas em direção a zaga do Flamengo. Itamar, um negro forte de 1,85 e chuteira 43, pula com os dois pés no peito do atacante, que cai. Almir que vinha correndo chutou sua cabeça. A esta altura, o gramado do maracanã já era palco de uma verdadeira loucura coletiva. Ari Clemente do Bangú, vem por trás de Almir e agride o pernambuquinho. Imediatamente é cercado por Silva. Itamar e o próprio Almir. A torcida do Flamengo, até então calada com a derrota, resolve agitar suas bandeiras, como se cada soco, cada pontapé, valessem como um gol que o time não conseguiu fazer. E num desabafo começa a gritar - Almir, Almir, Almir.

Ladeira deixa o campo de maca. O juiz Airton Vieira de Moraes, conversa com o treinador Reganeschi, que consegue tirar Almir do campo. Mas, quando Almir vai descendo o túnel ouve alguém gritar - "Volta Almir. Acabe de vez com festa deles". Foi o suficiente. Ele dá meia volta e parte novamente para o gramado. É ameaçado pelo goleiro Ubirajara e lhe dá um soco. É cercado por Ari Clemente, Mario Tito, Luis Alberto e Fideles. Almir começa a distribuir socos prá todo lado. Bate e apanha. Silva e Itamar correm em seu socorro. A muito custo, os policiais conseguem dominar Almir e levá-lo definitivamente para fora do campo. Sua saída lembra um lutador de box deixando ringue após um combate. Os espectadores se dividem em vaias e aplausos.

No meio do campo, o juiz Airton Vieira de Moraes resolve expulsar cinco jogadores do Flamengo: Valdomiro. Itamar. Paulo Henrique. Almir e Silva. E mais quatro do Bangú: Ubirajara. Luis Alberto. Ari Clemente e Ladeira.

Futebol não teve mais. Os banguenses deram a volta olímpica com poucos aplausos. A torcidas do Flamengo vaiava e grita o nome de Almir.

O Bangú construiu sua vitória a partir dos 24 minutos do primeiro tempo. Ocimar cobrou uma falta de fora da area e marcou 1x0. Três minutos depois o Bangú aumenta para 2x0 através de Aladim. No intervalo, Almir avisou a todos que estavam nos vestiários do Flamengo. "Eles não vão ter volta olímpica".

Foi com esta disposição que o Flamengo voltou para o segundo tempo. E logo aos três minutos Paulo Borges marcou o terceiro gol. A partir deste gol, o Bangú partiria para uma goleada histórica. O time estava bem, contrastando com um Flamengo que mais lembrava um moribundo. A briga, enfim, somente aquele tumulto poderia transformar o panorama da partida. E mudou... O Bangú foi o merecido campeão carioca de 1966, principalmente pela regularidade de sua campanha.

Fonte: Revista Placar

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Leia a crônica de Carlos Molinari sobre este jogo.

     
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