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Maracanã 23 de agosto de 1967


A bola centrada despretensiosamente por Mário passou por cima do goleiro Manga, quicou e entrou.

O Bangu começou a lutar pelo bicampeonato carioca numa quarta-feira à noite, no Maracanã. Depois do título de 1966 em cima do Flamengo, algumas mudanças ocorreram em Moça Bonita. O argentino Alfredo González não era mais o técnico, a diretoria confiou ao uruguaio Ondino Viera a equipe de 1967. O craque Cabralzinho tinha sido trocado por Mário, do Fluminense; enquanto Ladeira foi vendido para o Náutico.

A estreia contra o São Cristóvão não deveria ser problemática. Um jogo fácil para os campeões. Mais de 6 mil pessoas compareceram ao Maracanã, muitos deles torcedores do Vasco, que faria o jogo de fundo da rodada dupla, contra a Portuguesa.

Mas o Bangu decepcionou. Atuou mal e sofreu nas mãos do São Cristóvão:

“O Bangu esteve muito longe daquele time que conquistou o título de campeão no ano passado e em pé de igualdade com o seu adversário durante os primeiros 45 minutos, passando a absolutamente dominado no decorrer de quase todo o 2º tempo. Seu ataque ficou praticamente imobilizado, pois as tabelinhas entre Dé e Mário não deram certo” – criticou o jornal Última Hora.

O 1º tempo terminou empatado em 0 a 0 e o melhor lance foi uma bicicleta de fora da área de Ocimar, que se chocou contra a trave. No 2º tempo, foi o São Cristóvão que incomodou a meta de Ubirajara. Depois de receber um passe em profundidade, o atacante Castilho acertou a trave alvirrubra.

“O Bangu ia a todo instante em busca do gol, mas seu ataque não conseguia penetrar pela defesa do adversário, que chegava às vezes a utilizar oito jogadores. Mesmo passando a explorar as jogadas pelas pontas, o Bangu não conseguia penetrar. Procurou jogar à base de deslocamento de seus atacantes, mas isso também não deu resultado ante um adversário que tinha uma defesa perfeita, e se utilizava de contra-ataques que levavam perigos constantes ao gol de Ubirajara” – analisou o Jornal do Brasil.

Eis que a sorte – que nunca foi aliada dos banguenses – resolveu ajudar o time de Moça Bonita. Aos 25 minutos, numa cobrança de falta do lado direito da grande área, Mário levantou despretensiosamente pelo alto, o goleiro Manga não foi na bola no momento preciso, deixando que ela rebatesse no chão e entrasse no gol. Um frangaço do arqueiro do São Cristóvão.

O resultado poderia ser injusto e o time alvo teve a chance de “corrigi-lo” aos 40 minutos. O árbitro Arnaldo César Coelho, em início de carreira, marcou um pênalti de Luís Alberto em Juarez. O próprio Juarez cobrou, no canto esquerdo, mas Ubirajara voou e defendeu, salvando o Bangu de perder um ponto logo na estreia.

Atualmente comentarista de arbitragem na Rede Globo, Arnaldo César Coelho sempre lembra deste Bangu x São Cristóvão, pelo fato de que ficou na “geladeira” após o jogo. Ele próprio explica o que aconteceu no seu livro “A regra é clara: as histórias de uma carreira e as regras do jogo”.


Pode isso, Arnaldo?

Fui apitar um jogo entre Bangu e São Cristóvão. Faltando dois ou três minutos para o final, dei um pênalti a favor do São Cristóvão. O Ubirajara conseguiu defender. Tudo muito natural. Coisas do futebol.

Porém, no dia seguinte, fui à sede da Federação Carioca, que ficava no edifício do Cineac. As paredes eram de divisória e pude ouvir perfeitamente o que se falava na sala do presidente Otávio Pinto Guimarães. A voz era do Castor de Andrade, presidente do Bangu:

- Otávio, esse menino não sabe o que é clube grande. Ele não pode dar pênalti a favor do São Cristóvão contra o Bangu, tá maluco! Deu sorte que o Ubirajara pegou. Mas esse cara tem de ser afastado para aprender que existe uma diferença entre time grande e time pequeno.

Naquela época, o Bangu tinha poder. E tornou-se o campeão estadual de 1966, numa decisão tumultuada com o Flamengo, jogo em que o Almir, o Pernambuquinho, provocou uma briga generalizada.

O Otávio chamou o Paulo Ferreira, meu diretor:

- Paulo, esse menino ainda é muito inexperiente. Vamos dar um tempo a ele.

Assim, a porta da geladeira foi aberta e me puseram lá dentro por uns tempos.

A frase

“Esse menino não sabe o que é clube grande. Ele não pode dar pênalti a favor do São Cristóvão contra o Bangu. Tá maluco!”

Castor de Andrade

Campeonato Carioca 1967
     
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